sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um solista no AC/DC: epílogo nas arquibancadas

Finalizando meus relatos sobre o show bombástico do AC/DC em terras paulistanas, vamos à indiada propriamente dita.

Eu tive muita sorte de poder ir de carona com os meus amigos locais, Joel e Priscila -- porque, como eu já disse, chegar no Morumbi é um problema, e sair de lá é um problema maior ainda. Mas o engraçado é que São Paulo é tão descomunalmente megalópode, que nem mesmo os paulistas a conhecem direito. Meus amigos não tinham certeza de como se chegava ao estádio. Fora isso, já tínhamos saído com um carro quando lembraram que aquela placa não podia circular naquele dia/horário por causa do rodízio.

Após uma troca de veículos (e uma viagem de quase uma hora até chegar no estádio), encontramos o já citado estacionamento de R$ 100,00. Eu me dirigi ao meu setor dentro do estádio (a arqubancada mais próxima do palco). Arquibancada sim, por dois motivos: 1) eu queria assistir ao show, não agitar e 2) não tenho mais idade para a pista.

Estava eu lá, sentadinho num dos assentos da arquibancada, cercado por uma fauna que incluia piás bêbados, tiozões animados e famílias inteiras (ao meu lado estava uma mãe com o pecorrucho de uns 11 anos, que não tinha muita ideia do que estava acontecendo), quando aconteceu. Havia previsão de chuva para aquela noite, e o clima estava muito a fim de tornar a previsão realidade. De súbito, do meu lado do estádio, começaram a assomar-se imensas nuvens negras que, no melhor estilo "filme de fantasia dos anos 80", foram lentamente encobrindo o estádio.

Bem, aquela massa escura ia se deslocando lentamente por cima de nós, causando imenso frenesi. Subitamente, todos os vendedores de cerveja, pipoca e picolés sacaram capas de chuva e começaram a vendê-las para o público. Eu já tive a experiência de ver um show abaixo de um toró (Helloween e Iron Maiden, 1998) e sabia que, se chovesse de fato, aquelas capas baratas feitas com o mesmo plástico das sacolas de supermercado de nada serviriam. Por isso, fiquei sentado, quieto, aguardando.

Foi exatamente quando a nuvem negra pareceia estar indo embora (eu já via umas nesgas de céu por trás dela), a chuva começou: pingos pesados e intermitentes. Quase que imediatemente, o responsável pelo som mecânico dos P.A.s teve a abençoada ideia de pôr para tocar War Pigs, do Black Sabbath. Imediatamente, as tantas mil pessoas que já estavam no estádio naquela hora começaram a agir como se começasse uma apresentação do próprio Sabbath: batiam palmas no ritmo, cantavam a letra, faziam coro no riff.

E, tão logo a música terminou, a chuva também passou, num fim quase uníssono. Parecia ser um tributo que os deuses do rock queriam antes de permitir que assistíssemos aos australianos sexagenários.

13 comentários:

  1. Tua carona foi sorte mesmo. Eu, que tive o azar do teu celular descarregar, não consegui te localizar na saída e tive que ir do Morumbi até o shopping Eldorado A PÉ.

    Da próxima vez CARREGA ESSA %*&%@!

    ;D

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  2. Vamos brincar de "spot the contradiction":

    2) não tenho mais idade para a pista.

    ...antes de permitir que assistíssemos aos australianos sexagenários.

    Será que fazer o show com 60 e poucos é mais light do que assistir o show na pista com 30 e poucos? Ulisses, não culpe sua molenguice na idade! :-)

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  3. Olha, quando acontecem os embates Ulisses-Hishânicos, normalmente eu não tomo partido. Mas dessa vez, eu JÁ ESTAVA escrevendo um comentário quase idêntico ao do Hisham, e vou ser obrigado a ficar do lado dos menos idosos (OPS...).

    É que eu sou o JÓQUER, palhaço, bobo, PRECISODIALGOPRAMEDIVERTÍ.

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  4. Pista always!
    Com 30 ou com 60!
    ;)

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  5. Fazer um show com 60 ganhando vários milhares de dólares é maior motivação do que pagar 250 reais pra ser empurrado/não ver nada direito. Custo/benefício, amigos, custo/benefício...

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  6. "Pista always!
    Com 30 ou com 60!"

    Falou Jean, que nunca foi num show do Iron na pista. :D :D :D

    Fabiano, so sorry, mas não ia ter carona, porque tinha cinco pessoas no carro -- e uma delas era o pequenino aqui, hehehehe.

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  7. Também não tenho mais idade para pista: no último show que eu fui em estádio foi o do Police no Maracanã. Além de todo empurra-empurra, tinha a cretina área VIP na nossa frente que nos deixava a 100 metros do palco.

    Além de ver os caras de longe, a gente tinha que ver as pessoas da área VIP que ganharam ingresso de graça dançando como se estivessem num Opinião da vida: segurando um copo de bebida, balançando e nem olhando pro palco.

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  8. "Falou Jean, que nunca foi num show do Iron na Pista"

    Sepultura na pista serve? Ou quem sabe Rolling Stones encostado na grade, em Buenos Aires?

    É Uli, não sou cabeludo mas sou tão "rato" de show quanto tu ;)

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  9. Ah, e sobre o "acesso ao estádio", não tive problemas no Maraca. Fui de carro, deixei num estacionamento a umas 4 quadras do estádio, paguei acho que foi uns 30 reais. E a saída foi muito tranquila, sem tumulto.

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  10. Serve não. Tu não foi no Iron, ponto final. :D

    Pior que não me considero rato de show. Tenho algumas ausências lamentáveis no meu currículo...

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  11. Acesso ao Maracanã: e eu fui de metrô (que no Rio é excelente, confortável e com ar condicionado -- o grande defeito é não servir uma área grande da cidade) e voltei de... como foi mesmo que eu voltei? Táxi? Bus? Não lembro. Só sei que foi super tranquilo.

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  12. Tenho que concordar com o Ulisses. Não fui no mesmo show do Iron que ele. Mas fui neste que teve no Gigantinho. Acho que devia ter +- o mesmo público do show do AC/DC em São Paulo enfiado lá dentro daquele ginásio. Quando começaram os primeiros acordes de Aces High, não senti mais o chão. Notava que também não estava parado no mesmo lugar. Em poucos minutos, notei que respirar é um luxo do qual podemos nos abster por alguns instantes.

    Mas via que a banda, apesar de ter mais que o dobro da minha idade, estava num lugar muito mais espaçoso e tranquilo. Eles ainda podiam tomar algo nos intervalos entre as músicas. Além disso, não notei suas funções vitais prejudicadas lá em cima do palco.

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  13. "Em poucos minutos, notei que respirar é um luxo do qual podemos nos abster por alguns instantes"

    Roberto e sua maneira ímpar de construir frases.

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