quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

COP15: o resumo da ópera

Sexta-feira passada acabou o COP15 em Copenhagen. Como era de se esperar, nossos políticos discutiram, discutiram e não concluiram nada.

Primeiro, só foram os representantes dos chefes-de-estado. Como não tinham autonomia para resolver muita coisa, só brigaram e falaram bobagens. As ONGs ficaram de fora da discussão, já que sua presença resultaria em uma pressão dentro da sala de conferência e os representantes mundiais iriam se sentir forçados a fazer algo útil.

Os americanos querem decretar uma política intervencionsta nos países emergentes e acham uma besteira essa coisa de efeito estufa. Os chineses não querem saber de mostrar como são as coisas por lá. Os outros emergentes não aceitam ter seu crescimento econômico capado pelos ricos, maiores responsáveis pelo estado como as coisas estão. Os europeus estão se fazendo de salame, como se não tivessem falando com eles. Os fanfarrões só querem avacalhar o negócio. Nas últimas 48h do evento, os "manda-chuva" chegaram na Dinamarca. Lula e Sarkozy ainda tentaram discutir seriamente a questão. Mas Obama, que está sofrendo uma forte pressão do congresso, recuou e preferiu deixar tudo como está.

No fim um acordo tapa-buraco foi proposto. Os países ricos fariam uma "vaquinha" juntando 100 bilhões de dólares para ajudar os emergentes e pobres na questão ambiental. Porém, não haveria nenhuma ação imediata e objetiva para resolver o problema do efeito estufa. Assim, nenhum acordo foi assinado e nada de muito interessante saiu desta reunião. O Protocolo de Kyoto perde sua validade em 2012. Até o momento não existem mais políticas para melhorar a situação a partir desta data. A ONU mostra mais uma vez ser um fantoche sem poder nenhum para resolver as coisas.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Experimento Milgram: obediência ou perversidade?


Esses tempos, encontrei um texto delicioso na Internet -- na verdade, um trecho de um livro lançado nos EUA em 2007 chamado Elephants on Acid, que lista os mais bizarros experimentos científicos que já produzimos. No caso, as tais experiências foram levadas a cabo por cientistas sérios, com verbas governamentais e resultados verificáveis.Talvez alguns achem, à primeira vista, que o livro é uma chacota com a ciência, mas bem pelo contrário: o autor Alex Boese apenas brinca com a imagem do "cientista louco" para falar de ciência de verdade.

Neste site aqui, temos listados os 20 melhores casos dos quase 100 cotejados pelo autor. Vale a pena ler, é entretenimento e informação puros (como LSD injetado em elefantes, o médico que bebia vômito, experiências com cabeças de cachorro e de macacos, e tentativas de desestimular sexualmente os perus -- a ave, não aquele outro peru). Mas teve um que me assombrou e que eu achei genial, especialmente porque a conclusão da experiência é assustadoramente válida.

É o experimento da obediência, realizado em Yale, EUA, anos 1960, e coordenado por Stanley Milgram. O cientista afirmava aos participantes voluntários que a sua intenção era "determinar o efeito da punição no aprendizado". Para tanto, eles tinham que acionar um choque elétrico toda a vez que a "cobaia" (um outro voluntário que deveria decorar uma sequência de palavras) errasse o que estava no gabarito. Detalhe: a cada erro, o choque aumentava 15 volts.

O dado impactante da experiência é que, mesmo tendo a consciência que estavam infligindo dor crescente a alguém, os voluntários continuavam a desferir choques cada vez mais potentes, mesmo com os gritos de angústia da "cobaia". Para os que perguntavam se aquilo não era demais, a resposta era a mesma: “O experimento requer que você continue”. No fim das contas, nada menos que dois terços dos voluntários continuaram apertando o botão de choque até a voltagem máxima, 450 volts, e aparentemente matavam a "cobaia". A porcentagem era ainda maior se os gritos não pudessem ser ouvidos nem vistas as reações de quem estava sendo torturado: a totalidade dos voluntários chegavam a desferir o choque máximo.

Só que a experiência, na verdade, era outra: Stanley Milgram estava interessado em ver até que ponto as pessoas estariam dispostas a seguir uma autoridade de comando. A "cobaia" era um ator que fingia estar levando choques, mas que não estava de fato sofrendo. Os voluntários, obviamente, não sabiam disso. As conclusões foram ditas de maneira assombrosa pelo cientista, que afirmou:

“Eu diria, com base em milhares de pessoas que observei durante os experimentos e na minha própria intuição, que se um sistema de campos de extermínio como os da Alemanha nazista fosse implantando nos Estados Unidos, seria possível encontrar trabalhadores e encarregados pelo seu funcionamento em qualquer cidade de médio porte do país”.

O "Experimento Milgram" acabou revelando uma das nossas facetas mais negras enquanto espécie, aquela que nos faz sentir aliviados quando não nos consideramos responsáveis por nossos próprios atos perversos -- por mais que os tenhamos praticado de maneira consciente, e sabendo das suas consequências. Isso explica desde a fácil massa de manobra que podemos ser até nossas atitudes sociais mais triviais.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os astros de ação e seus públicos-alvo


Semana passada, estava conversando com o pessoal que faz oficina de audiovisual comigo no Pontão de Cultura de São Leopoldo -- incluindo o Silvio -- e debatemos mais uma vez um dos nossos assuntos favoritos desde que o curso começou: Steven Seagal. Ou vocês achavam que a gente discute Godard e Antonioni? Bem, de qualquer maneira, o Steven Seagal é um ótimo exemplo para muitas questões acaloradas no mundo da Sétima Arte, que vai desde a legitimidade do cinema autoral até os desejos dos públicos específicos, e por aí vai.

No caso, estávamos reacendendo esta última discussão, a do público-alvo. Semanas antes, eu havia apontado para qual nicho de mercado e para qual o tipo de consumidor que Seagal fazia os seus filmes. A Joelma, mulher do Silvio, comentou que era verdade, o ator (????) tinha de fato uma legião fiel de fãs num determinado segmento da sociedade. Rapidamente, elaboramos em conjunto uma teoria sobre os astros de ação dos anos 80 (os famosos brutamontes) no que tange ao direcionamento dos seus filmes para certas plateias, o que explicaria o seu sucesso. Vamos às nossas conclusões:

1. Astro: Steven Seagal / Público-alvo: as velhinhas - é incrível como as vovós gostam do Steven Seagal. Elas assistem aos filmes do cara com ardor e satisfação sádicos no olhar. Foi este fenômeno que me chamou a atenção para a questão, e a única explicação que me veio (fora alguma fantasia sexual específica das mulheres avançadas na terceira idade) é que Seagal faz filmes absolutamente moralistas. Bandido, terrorista, punguista, valentão, não interessa: todos eles levam porrada na cara e saem com meia dúzia de ossos quebrados. Fora que o cabelo dele não levanta sequer um fio daquela capa de gel e o terno nunca fica sequer esgarçado - o que nos remete à imagem do "orgulho da vovó", do cara eternamente alinhado, mesmo nas situações mais impróprias. Não é à toa que as produções mais recentes dele saem direto no mercado de home video: as senhoras já não curtem mais ir ao cinema, preferem mesmo o dvd.

2. Astro: Sylvester Stallone / Público-alvo: a classe operária - já Stallone achou um poderoso nicho econômico dentro da classe operária norte-americana. Todos os seus personagens são hard workers, vindos do subúrbio ou do interior. Eles pegam no pesado para conquistar seus sonhos ou defender o seu país; são homens de sentimentos e vontades simples (lutar contra Apolo, o Doutrinador, ou vencer a Guerra do Vietnã). Se o interiorano Rambo ou o suburbano Rocky são os melhores casos, temos ainda o excelente exemplo de Falcão, o Campeão dos Campeões - ou este outro que mostra o seu amor pelos esportes de massa, eterna paixão das classes trabalhadoras.

3. Astro: Jean-Claude Van Damme / Público-alvo: garotas recém entradas na adolescência - mais um musculoso que faz filmes para mulheres: se Seagal atrai as vovós, Van Damme vai em cima das pré-adolescentes. Todos os seus filmes fazem questão de mostrá-lo sem camisa em boa parte da trama (poderiam ter sido escritos pelo Carlos Lombardi), além de mostrar suas pernas e, invariavelmente, a sua bunda. Há sempre uma cena (des)necessária nas produções do belga, em que ele abre um espacato em meio à pancadaria (bem, talvez o público-alvo dele seja outro e eu é que estou sendo inocente...). De qualquer maneira, há normalmente um interesse romântico estereotipado: nunca uma mulher independente e decidida, mas sempre o tipo "princesinha doce e indefesa", com um jeitinho meio virginal. Perfeito para as mocinhas.

4. Astro: Arnold Schwarzenegger / Público-alvo: os nerds - nos anos 80, ninguém dos supracitados fez mais sucesso do que Schwarza, e o motivo é simples: ele acertou no público que mais consome cinema e cultura pop, os nerds. Alguns exclamarão: Schwarzenegger nerd? Impossível! Mas é verdade. O cara pode ser um brucutu, mas a sua fama veio com filmes sobre robôs assassinos do futuro, alienígenas malvados que caçam gente ou aventuras de espionagem em Marte. Mesmo quando faz algo épico, é mais RPG do que epopeia. E quando se aventura na praia de Stallone e faz o bom americano que quer resgatar a filha, o resultado é esse. Quer algo mais geek?

5. Astro: Dolph Lundgren / Público-alvo: os perdedores - o sueco é o seu próprio público-alvo, um perdedor total. O cara só é lembrado por ter sido o vilão em Rocky IV -- ou por ter sido a versão em carne (muita carne) e osso de He-Man. Coitado...

E aí, amigos solistas, vocês me ajudariam na análise mercadológica dos astros de ação dos anos 70, como Charles Bronson e Bruce Lee? O estudo inicial ficou circunscrito apenas aos anos 80...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Mesa redonda, bola quadrada: Inter x Santo André, Flamengo x Grêmio

E neste domingo terminou a 39a. edição do Campeonato Brasileiro. Esta foi a mais emocionante e inusitada no sistema de pontos corridos, com as disputas todas em aberto. Porém, conforme o previsto, o Flamengo sagrou-se campeão pela sexta vez, igualando o feito do São Paulo F.C. e deixando o Inter com o vice-campeonato. O Grêmio terminou na oitava posição.
  • Inter 4x1 Santo André
  • Flamengo 2x1 Grêmio
Sobre o jogo do Inter não tenho muito o que falar. Fez sua obrigação e goleou o fraco e rebaixado Santo André. Os gols foram marcados por Alecsandro, Índio, Andrezinho e Giuliano. Nunes ainda descontou com um gol de penalti. A cena inusitada em Porto Alegre ocorreu por conta do gol de Roberson, abrindo o placar contra o Flamengo no Maracanã. Nunca havia visto (e talvez nunca mais verei) o mar vermelho Beira-Rio explodir comemorando um gol tricolor. No mais, acredito que tudo tenha ocorrido na sua normalidade. Aguardo relatos dos solistasdesafinados colorados que foram ao estádio e viram in loco tudo que ocorreu na rodada decisiva...


Todos os outros jogos eram coadjuvantes frente ao tão esperado embate entre o rubronegro carioca e o tricolor gaúcho. O que interessava para os torcedores das equipes que disputavam o título (Inter, São Paulo e Palmeiras) era o resultado deste jogo. O Grêmio entrou desacreditado depois de tudo que se falou durante a semana e com uma escalação reserva que incluía diversas estreias na equipe titular. Ao entrar em campo, a torcida rubronegra gritava freneticamente o nome do adversário. Mas ao contrário dos prognósticos, o time gaúcho não se deixou humilhar para ver ser maior rival sem a taça. Começou o jogo melhor que o nervoso Flamengo. Para espanto geral da nação futebolística, aos 21min o garoto Roberson numa jogada oportunista típica de centroavante, adiantou-se ao marcador no cruzamento de Douglas Costa e desviou a bola para o fundo das redes de Bruno, que pouco teve o que fazer. Estava aberto o placar no Maracanã. E incrivelmente era o Grêmio que o fazia, calando a massa flamenguista que esperava um jogo fácil. No resto do Brasil, a festa se deu nas torcidas que ainda sonhavam com o tropeço do clube carioca.

O Flamengo, que já havia entrado nervoso em campo, ficou mais perdido ainda. Errava passes e gols. Quando as coisas pareciam complicadas, David empatou a partida aos 29min do primeiro tempo. Mas o resultado não bastava, já que a essas alturas o Inter fazia 2x0 em Porto Alegre e botava a mão na taça. O primeiro tempo terminou empatado, mas com uma sutil melhora do mengão. A segunda etapa começou morna e ruim de assistir. Os 2 times não jogavam bem. O Grêmio recuou e o Flamengo errava muitos passes no meio de campo. Adriano até tentou, mas a bola ficava nas mãos de Marcelo Grohe. O tempo passava e o jogo ficava mais nervoso. A torcida calada; a equipe da casa perdida; o visitante recuado saíndo em contra-ataques perigosos com Douglas Costa e Mario Fernandes. Tudo parecia conspirar para um fim de jogo dramático. Até que aos 24min Petkovic, que havia tido sua substituição já requisitada pelo técnico, bateu um escanteio com precisão e Ronaldo Angelin completou de cabeça, virando a partida. Pet saiu logo após o gol e ficou auxiliando o técnico Andrade à beira do gramado. O minutos que se passaram deixaram o jogo mais dramático. Ainda mais com o gol que Maylson perdeu, quase empatando novamente a partida. Quando o juiz Eber Roberto Lopes apontou para os céus e logo após para o centro do gramado, trouxe uma explosão de alegria para o Maracanã e um alívio para a torcida tricolor, que até para ver seu time perder tem que sofrer. Fica para a História um campeão com todos os méritos, que jogou contra um adversário honrado. O resto agora faz parte do anedotário futebolístico.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um solista no AC/DC: epílogo nas arquibancadas

Finalizando meus relatos sobre o show bombástico do AC/DC em terras paulistanas, vamos à indiada propriamente dita.

Eu tive muita sorte de poder ir de carona com os meus amigos locais, Joel e Priscila -- porque, como eu já disse, chegar no Morumbi é um problema, e sair de lá é um problema maior ainda. Mas o engraçado é que São Paulo é tão descomunalmente megalópode, que nem mesmo os paulistas a conhecem direito. Meus amigos não tinham certeza de como se chegava ao estádio. Fora isso, já tínhamos saído com um carro quando lembraram que aquela placa não podia circular naquele dia/horário por causa do rodízio.

Após uma troca de veículos (e uma viagem de quase uma hora até chegar no estádio), encontramos o já citado estacionamento de R$ 100,00. Eu me dirigi ao meu setor dentro do estádio (a arqubancada mais próxima do palco). Arquibancada sim, por dois motivos: 1) eu queria assistir ao show, não agitar e 2) não tenho mais idade para a pista.

Estava eu lá, sentadinho num dos assentos da arquibancada, cercado por uma fauna que incluia piás bêbados, tiozões animados e famílias inteiras (ao meu lado estava uma mãe com o pecorrucho de uns 11 anos, que não tinha muita ideia do que estava acontecendo), quando aconteceu. Havia previsão de chuva para aquela noite, e o clima estava muito a fim de tornar a previsão realidade. De súbito, do meu lado do estádio, começaram a assomar-se imensas nuvens negras que, no melhor estilo "filme de fantasia dos anos 80", foram lentamente encobrindo o estádio.

Bem, aquela massa escura ia se deslocando lentamente por cima de nós, causando imenso frenesi. Subitamente, todos os vendedores de cerveja, pipoca e picolés sacaram capas de chuva e começaram a vendê-las para o público. Eu já tive a experiência de ver um show abaixo de um toró (Helloween e Iron Maiden, 1998) e sabia que, se chovesse de fato, aquelas capas baratas feitas com o mesmo plástico das sacolas de supermercado de nada serviriam. Por isso, fiquei sentado, quieto, aguardando.

Foi exatamente quando a nuvem negra pareceia estar indo embora (eu já via umas nesgas de céu por trás dela), a chuva começou: pingos pesados e intermitentes. Quase que imediatemente, o responsável pelo som mecânico dos P.A.s teve a abençoada ideia de pôr para tocar War Pigs, do Black Sabbath. Imediatamente, as tantas mil pessoas que já estavam no estádio naquela hora começaram a agir como se começasse uma apresentação do próprio Sabbath: batiam palmas no ritmo, cantavam a letra, faziam coro no riff.

E, tão logo a música terminou, a chuva também passou, num fim quase uníssono. Parecia ser um tributo que os deuses do rock queriam antes de permitir que assistíssemos aos australianos sexagenários.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Calou-se a voz

(1940 - 2009)

Me faltam as palavras. Todos que assistiam aos programas da TVS (hoje SBT), conhecem a voz desse cara. Como fica o sorteio da Tele Sena daqui por diante (só pra ficar em uma das principais atividades dele)?

Lombardi é o símbolo de uma era que... já era. Ele era uma espécie de "the last man standing", ícone máximo de uma geração de locutores da escola "vozeirão" do rádio - aqueles que despertavam a imaginação de donas de casa e empregadas solitárias, que imaginavam nele um homem perfeito. Páreo pra ele, só Don LaFontaine. Que não tinha como patrão o Sílvio Santos. Então, sou mais o Lombardi.

Mas esse era um cara que tinha algo a mais. Lombardi não era apenas um locutor. Ele era O locutor. Sílvio Santos, ao tirar ele da Rede Globo e levá-lo para o SBT, disse:

- Vou te transformar no melhor locutor do Brasil.

Alguém ousa duvidar de SS?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mesa-redonda bola-quadrada: Grêmio x Barueri, Sport x Inter

Nesse domingo, tivemos a penúltima rodada do Campeonato Brasileiro:
  • Sport 1x2 Inter
  • Grêmio 4x2 Barueri
No desimportante jogo do Grêmio, nenhuma surpresa. Vitória do dono da casa em uma partida onde ambos os times estão resignados com suas posições intermediárias da tabela. Já o jogo do Inter foi um sufoco: vitória de virada contra o Sport na Ilha do Retiro. Com um gol de falta de Andrezinho aos 39 do segundo tempo, o Inter garantiu a vaga para a Libertadores da América de 2010 e se manteve na briga pelo título, junto com Flamengo, Palmeiras e São Paulo.

A velha máxima diz que o futebol é uma caixinha de surpresas, mas como colorado, estou conformado: a lógica é que o Flamengo será campeão esse ano.

A situação que se desenhou é pitoresca, já que matematicamente, pro Inter ser campeão, é preciso que o Flamengo não vença o Grêmio. A torcida do Grêmio, então, está se divertindo essa semana com a noção de que o título colorado está nas mãos do tricolor. O papo é que o Grêmio deve entregar o jogo, para dar o "troco" ao Inter que supostamente teria "entregue" o jogo contra o São Paulo no ano passado -- uma acusação séria, quando na verdade o que o Inter fez foi escalar reservas por estar priorizando uma competição internacional, a Copa Sul-Americana, da qual aliás foi campeão, mostrando que a priorização foi correta. Nessa mesma Sul-Americana, o Grêmio escalou reservas contra o Inter: o tricolor então "entregou" pro Inter o título da Sul-Americana? Claro que não.

Sim, torcedores disseram torcer para que o Inter perdesse aquele jogo, assim como torcedores gremistas hoje dizem que querem que o Grêmio perca para o Flamengo. Na prática, entretanto, é difícil imaginar um grande clube dando a ordem para os jogadores entrarem em campo para perder. Se algum jogador fizer corpo mole, como insinuou Souza, é uma questão de falta de ética profissional de cada um. Por outro lado, escalar reservas em um jogo que não interessa é parte da prerrogativa que os times têm, e não me surpreende (e nem enraivece) se o Grêmio fizer isso. E parece que é o que vão fazer.

Mas e daí? A real é que não faz diferença: nem que o Grêmio fosse com força máxima, não ganharia no Maracanã. Se o Grêmio não ganha de ninguém fora de casa, do líder Flamengo é que não iam ganhar mesmo. Nenhum torcedor colorado iria perder o seu tempo torcendo pro Grêmio fora de casa. É sem futuro -- o Grêmio simplesmente não é capaz de ganhar. Esse papo da torcida de que o Grêmio vai entregar o jogo e tirar o título do Inter não cola. Os gremistas vão cornetear por o Inter não ser campeão? Vão claro, e com direito. Mas é a corneta básica de quem vê o rival chegar tão perto de um título e deixá-lo escapar -- a participação do Grêmio na última rodada não terá nada a ver com isso.

O único cenário em que os torcedores gremistas poderão realmente tirar com os colorados em função da última rodada seria se o Grêmio ganhasse do Flamengo e o Inter perdesse do Santo André. Aí realmente ficaria chato pro Inter.

Se os gremistas insistem em dar ao Inter o mérito de eles terem perdido o título de 2008, eu posso até concordar -- mas foi no 4x1 do Grenal do returno, jogo no qual eles perderam a liderança do campeonato (depois de ter uma margem de 8 pontos, diga-se de passagem) e não conseguiram mais se recuperar do baque. O mérito de ganhar um título ou demérito de perdê-lo está nas mãos do próprio time, e de mais ninguém.

Aproveito para me despedir das coberturas futebolísticas de 2009, já que pelo rodízio o MRBQ da última rodada será feito pelo Coutinho. Foi muito divertido fazer essa série aqui esse ano e a participação da galera nos comentários é o que fez disso uma verdadeira mesa-redonda. Até o ano que vem, na cobertura das peleias do Internacional na Copa Libertadores da América!

sábado, 28 de novembro de 2009

Um Solista no AC/DC: o show em si


O sub-título do post poderia ser "megaprodução é questão de detalhe".

De acordo com a divulgação oficial, a Black Ice World Tour foi o show mais visto este ano, batendo Madonna e U2. Em Buenos Aires, por exemplo, teve-se que marcar duas datas extras para dar conta da demanda por ingressos. Em São Paulo, reuniram-se 70 mil pessoas no Panetone (ver post abaixo), o que é o maior público do qual eu já participei.

Tudo no show é estrepitosamente grande. As dimensões do palco, por exemplo são titânicas: 78 metros de comprimento por 21 de pronfundidade, e o pé direito era simplesmente impossível de imaginar de tão alto. O palco era devidamente ornado com um telão atrás da bateria e dois nas laterais, esses na posição vertical. Fora dois imensos bonés com chifres no topo do palco.

A abertura é fora de série: começa com os telões exibindo uma animação de um Angus Young demoníaco perdendo o controle de um trem. Quando a máquina vem em direção ao público, a surpresa: o telão de dentro do palco se divide em dois e uma locomotiva cênica de seis toneladas invade o palco -- no que entra a banda para tocar Rock 'n' Roll Train, do novo disco. A locomotiva, aliás, é parte essencial do show: ela liberta labaredas de fogo em T.N.T., em sincronia com a música, e é montada por uma colossal boneca inflável (outro clássico dos shows da banda) em Whole Lotta Rosie.

O show é repleto de momentos para arrancar o grito do público, reformulando todas as clássicas teatralidades do AC/DC. O clímax é sempre os canhões disparando em For those about to rock (we salute you)? Ok, vamos então usar doze canhões desta vez. O vocalista Brian Johnson sempre toca um imenso sino em Hells Bells? Então vamos fazer aquele velhinho de 62 anos (sim, é a idade do cara) vir correndo por uma passarela de uns 50 metros que vai pista adentro, se jogar e se pendurar na corda do dito sino. Angus Young faz um longo solo no final? Então agora ele atravessa a tal passarela até chegar a uma plataforma giratória no meio do público, onde ele é elevado a uma altura de uns 10 ou 15 metros para ser visto por todo o estádio.

O incrível do espetáculo, contudo, não foi a sua grandiloquência, mas sim as suas sutilezas. O set de iluminação, por exemplo, ia sendo revelado aos poucos, e só lá pela sexta canção é que víamos todas as luzes. No decorrer do show, porém, é que descobríamos que elas ainda se moviam e trocavam de cor, em possibilidades quase infinitas de combinações. Além disso, outras pequenas e inteligentes sacadas traziam o público para dentro do show, como as câmeras buscando as mulheres da plateia durante Shook me all night long e The Jack para mostrá-las nos telões; ou, ainda, a parte do palco cujo chão era de acrílico, onde Angus Young podia reproduzir a clássica cena do clipe de Thunderstruck -- sim, posicionaram um trilho de travelling e uma câmera debaixo do palco somente para este momento. A já citada Rosie inflável, por exemplo, batia o pé no ritmo da música, e por aí vai. Chega, vou demorar demais se citar tudo o que me chamou a atenção.

Ah, sim, tem a parte musical: todo mundo sabe que o AC/DC não é nenhuma agremiação de virtuoses, mas nem por isso são desleixados. A banda executa as suas músicas simples como um relógio, sem erros. O set list impressionou pela inserção de várias músicas do novo disco, alternadas com os clássicos -- bandas sem a mesma antiguidade se rendem à segurança de tocar apenas seus sucessos. Os australianos mostraram que tem o culhão de desafiar a audiência a ouvir seu trabalho recente (muito bom, aliás). Então a banda pulava de faixas do Black Ice, como War machine, Big Jack e a faixa-título, para Back in black, Highway to hell e Let there be rock com a naturalidade de quem gosta do que está fazendo. Brian Johnson não faz mais tudo aquilo que fazia antes com a voz (notadamente em Hells Bells), mas também não tenta esconder este defeito.

Sim, Angus Young, devem estar querendo saber dele. Para quem já se acostumou a guitarristas mais técnicos, mais criativos e mais sofisticados, o solo de vários minutos que o sujeito faz pode ser perto de um suplício. Mas virtuose ou senso estético apurado não é o foco aqui: a ideia é a celebração do guitar hero -- do cara que se entrega como ninguém ao palco, esbanjando simpatia e felicidade. Eu já vi Malmsteen esmerilhar hipnotizantemente o seu instrumento para deixar o palco com um sonoro "fuck" para o público, e me ocorreu que Angus Young não é festejado pela sua grandeza musical, mas sim por representar que o rockstar é nada mais que um sujeito comum que realiza um sonho de adolescência -- tocar guitarra para uma multidão.

Bem-aventurados os simples de espírito, porque serão louvados, certo? Engraçado como isso pode ser apropriado para um cara que toca uma música chamada "estrada para o inferno" para setental mil pessoas enloquecidas, usando dois chifres na cabeça...

Um Solista no AC/DC: Morumbi como estádio da Copa

O show do AC/DC foi no Morumbi, estádio do São Paulo e uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. O Local tem pretensões de ser a casa do jogo de abertura do certame, e de abrigar jogos decisivos. Na minha rápida passagem por lá, vi que isso é completamene impossível.

Nós, colorados e gremistas, provavelmente já reclamamos em algum momento dos acessos ao Beira-Rio ou ao Olímpico: Porém, estamos muito bem servidos: o Morumbi é uma tragédia de acessibilidade. Enquanto os nossos estádios estão a poucos minutos de distância da região central de Porto Alegre, próximo a vias largas, o do São Paulo é cercado por ruelas estreitas e, de carro, leva-se uma hora e tanto para chegar saindo das áeras próximas ao centro.

Deixar o carro em segurança também é engraçado: qualquer terreno baldio ou construção abandonada vira um estacionamento caríssimo. No que conseguimos, a duas quadras do estádio, eu e os meus amigos paulistanos pagamos a bagatela de R$ 100,00 por pouco mais de quatro horas. Na rua, os flanelinhas também enfiaram a faca: de R$ 40,00 a R$ 50,00 para ouvir o famoso "bem cuidado, senhor" e deixar o veículo a céu aberto. Nada da estrutura de estacionamento que vemos no Beira-Rio, por exemplo,

Mas engraçado mesmo é como os palmeirenses e corintianos se referem ao Morumbi: chamam carinhosamente o estádio de panetone -- grande, redondo e cheio de frutinhas dentro.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Um Solista no AC/DC: siga o cabeludo de preto

Estou em São Paulo para ver o show do AC/DC -- e aproveitar para fazer uma rápida cobertura de poucos posts.

Há uma regra universal no mundo dos show de rock: se tu fica meio perdido, sem saber como exatamente chegar no lugar onde vai acontecer o evento, é muito simples se achar. Basta seguir o cabeludo de preto. Pode ser um muquifo underground ou um megashow, seguir o cabeludo de preto é uma verdade absoluta. Nosso amigo Carlos "Iky" Porto, por exemplo, fez a temeridade de ir assistir ao Iron Maiden sozinho em Buenos Aires. Sem saber como ir da parada de ônibus para o estádio, ele passou a seguir os grupos de hermandos de camisetas pretas e longas melenas e pronto: chegou no local.

Claro que, quanto maior for o evento roqueiro, maior é o alcance do conceito do cabeludo de preto. Embarquei para São Paulo no dia anterior ao show, quinta-feira. Sequer tinha posto os pés no avião, ainda estava no passadiço que leva à aeronave, quando dois gurizões à minha frente se viraram e disseram:

- Cê vai no AC/DC, né?

De tanto ir em shows de rock, em dado momento tu mesmo pode virar um cabeludo de preto...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mesa redonda, bola quadrada: Grêmio x Palmeiras, Altético-MG x Inter

Na reta final do Campeonato Brasileiro 2009, emoções não faltam. Restam apenas 2 jogos para teminar o ano futebolístico para a maioria das grandes equipes brasileiras. O Grêmio está jogando só para manter a forma de seus atletas. Já o Inter renasceu e está novamente no G4, próximo aos líderes. E assim foi a rodada para a dupla grenal:
  • Grêmio 2x0 Palmeiras
  • Atletico-MG 0x1 Inter
O Grêmio jogou no meio da semana contra o decadente Palmeiras. Ao contrário do que muitos pensavam e do que vários queriam, o tricolor foi pra cima, jogou melhor e no último lance da primeira etapa abriu o placar com um gol de Rafael Marques pegando um rebote na tentativa de Maxi Lopes. Tão logo o árbitro Heber Roberto Lopes apitou o fim do primeiro tempo, os Palmeirenses Obina e Mauricio trocaram socos e empurrões. Na volta do intervalo, Obina nem apareceu em campo novamente. O juiz então aplicou cartão vermelho para Mauricio. Como o atacante havia ficado no vestiário, viu-se um cena inusitada, onde o vermelho foi apresentado ao capitão Marcos, simbolizando a expulsão do arruaceiro. Com 2 jogadores a menos, perdendo o jogo no Olímpico e psicologicamente abalado, o verdão não foi capaz de mais nada. O Grêmio ainda ampliou aos 25min com uma jogada argentina, onde Herrera passou a bola para Maxi Lopes driblar a defesa e definir.

O Inter, beneficiado pelo resultado de quarta-feira, foi mobilizado ao mineirão enfrentar o adversário direto pela vaga no G4. Como do outro lado estava o técnico Celso Roth, a missão do colorado ficou mais fácil. Bem armada e marcando em cima o adversário, a equipe gaúcha fez o gol ainda aos 15min do primeiro tempo, depois do chute na trave de Alecsandro e do rebote que Giuliano não disperdiçou. O tempo foi passando e o galo não conseguia chegar com grande perigo, deixando a equipe nervosa em campo. No final, a pressão ainda aumentou, mas o Atlético-MG não arrancou nem o empate. Com isto, o Inter pulou para o terceiro lugar, ficando a 3 pontos do líder São Paulo e praticamente classificado para a Libertadores 2010.

Mas o maior destaque dos últimos jogos é o Fluminense. Esteve na lanterna praticamente toda a segunda rodada do campeonato. Mas engrenou no final e conseguiu sua quinta vitória seguida, tendo boas chances de escapar do rebaixamento. Além disso, está na final da Copa Sul-Americana. Porém, no momento que estou escrevendo o post, está tomando o quinto gol da LDU na primeira partida da decisão, terminando a partida 5x1 para os equatorianos.

sábado, 21 de novembro de 2009

Feliz aniversário atrasado, República


No último dia 15, o sistema republicano no Brasil estava aniversariando. Lá se vão 120 anos desde quando o marechal Deodoro foi acordado por um grupo de militares revoltosos e, de pijama, assinou a proclmação da República -- ou pelo menos assim reza a lenda.

O interessante é que, no caso brasileiro, "república" não foi sinônimo de "democracia". Quando se fala que o nosso sistema democrático é jovem, não estamos brincando: liberdade política real tivemos poucas vezes na nossa história, e de maneira não contínua. A democracia a valer, aliás, também está de aniversário. Muito mais jovem, ela fez apenas 20 anos neste último 15 de novembro.

Mas chega de divagações. Que tal alguns dados concretos sobre a República no Brasil?

O número de presidentes: é uma polêmica. Afinal, teve presidente eleito que não assumiu, teve junta militar provisória e presidente da Câmara como presidente em exercício. Na conta oficial, são 35. Mas, contabilizando apenas os que receberam a faixa, são 32.

A melhor profissão para virar presidente: advogados do Brasil, candidatai-vos, já que 16 (ou seja, a metade) dos nossos presidentes se formaram em Direito (incluindo o Sarney). Era um ótimo negócio na República Velha (1889-1930), onde quase todos os 13 mandatários máximos eram magistrados. Mas também não é ruim ser militar (nove presidentes de farda, 10 se contarmos o Getúlio -- que também era advogado).

Outras profissões que geraram presidentes: alguns tiveram como profissão a metalurgia, a sociologia, a engenharia civil (Itamar Franco!). Alguns tinham uma segunda ocupação, como romancista (de novo o Sarney), historiador, estancieiro, professor (Jânio Quadros, que era considerado excelente em sala de aula), futebolista (Café Filho, goleiro do Alecrim! -- JK jogou como amador no Atlético Mineiro) ou jornalista (Collor, o que reclama da imprensa, fez até estágio no JB). Também era legal chefiar o Serviço Nacional de Informações, o serviço secreto brazuca, na época da Ditadura: dois chefes do SNI ganharam a presidência.

Origens étnicas dos presidentes: até que reflete a nossa mistura cultural. Já tivemos descendentes de imigrantes italianos e alemães. E tivemos um presidente mulato há 100 anos atrás, Nilo Peçanha, que escondia a sua origem afro até nas fotos oficiais. Aliás, Nilo também era pobre, sendo o primeiro presidente a ter ascendido da classe mais baixa para a mais alta, bem antes de Lula. JK, por outro lado, é o único presidente conhecido no mundo a ser de descendêmcia cigana.

A religião dos presidentes: a esmagadora maioria é católica de batismo, mas Ernesto Geisel era luterano. E FHC é ateu.

Maior tempo na Presidência: Getúlio é imbatível nessa. Foram 18 anos, 6 meses e 25 dias (se minhas contas estão certas). Sei lá, ele deve ser também o presidente que mais usou de diferentes maneiras para chegar ao poder: por voto indireto, por voto direto, por revolução e, mais incrível, dando um golpe de Estado em si mesmo.

Menor tempo na Presidência: Carlos Luz, que ficou no poder entre os dias 8 e 11 de novembro de 1955 (quatro dias, portanto), após o afastamento de Café Filho.

Quantos golpes aconteceram: os golpes de Estado bem-sucedidos foram cinco -- a própria Proclamação da República, a Revolução de 30, o golpe do Estado Novo em 1937, o golpe preventivo de 1955 e o golpe de 1964. Outros tantos foram fomentados mas não deram certo.

Quantos ditadores tivemos: excluindo-se as juntas militares, tivemos sete governos totalitários. Além dos cinco presidentes militares pós-64 e de Getúlio durante o Estado Novo, Floriano Peixoto é considerado por alguns especialistas como ditador. Se o contabilizarmos, a República teve 31 anos de "governo de exceção".

Quantos vices assumiram: em sete ocasiões, os vices foram empossados por conta de renúncias, falecimentos ou afastamento por doença. Em outras quatro vezes, a presidência foi ocupada pelo presidente da Câmara ou do STF.

Quantos presidentes foram eleitos democraticamente: contando que as eleições na República Velha não eram democráticas, tivemos apenas SETE mandatários escolhidos livremente pela população. Sete de 32! Os números ficam ainda mais impressionantes quando notados que apenas QUATRO chegaram ao fim do mandato, e que somente TRÊS eram civis (JK, FHC e Lula).

Então, somos uma república que, nos seus 120 anos de história, teve apenas três presidentes civis eleitos democraticamente que conseguiram terminar o mandato. Somos ou não somos uma democracia jovem demais?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Tcheco: JÁ VAI TARDE




Esse post é um manifesto curto de um torcedor aliviado. Tcheco finalmente se foi.

O capitão reclamão, símbolo de uma era de derrotas, desequilíbrios emocionais e políticos, de quase-conquistas e, principalmente, de FUTEBOL RUIM, rescindiu o contrato com o Grêmio.

Espero realmente que, com ele, caia também a venda que cega a grande maioria da torcida tricolor, que enxerga nele um líder e jogador imprescindível pro time, por causa de uma tão falada "identificação" com o clube. Pra um time que já teve Hugo de Leon e Dinho como capitães, é melhor nem comentar mais nada.

Nós tínhamos o Tcheco. Eles tinham o Fernandão. Eles têm o Guiñazu.

Nós temos agora o Victor. Não é bem melhor?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Uma Copa com todos os campeões e um estreante

As repescagens de ontem definiram totalmente os participantes da Copa do Mundo de 2010. A última Copa em que isso aconteceu foi em 2002 (pois é, nem faz tanto tempo), mas até ontem parecia que issso poderia não acontecer: o Uruguai tomou um sufoco para vencer a Costa Rica e a França só superou a Irlanda graças a um gol totalmente irregular.

Mas a lista de classificados (divididos por quantidade de participações, incluindo 2010 na conta) ficou assim:

Participando de todas as 19 vezes: Brasil (já garantido, aliás, para 2014, o que dá 20 Copas!)

Com 17 participações: Alemanha e Itália

Com 15 participações: Argentina

Com 14 participações: México

Com 13: Espanha, França e Inglaterra

Com 11: Uruguai

Com 10: Sérvia

Com 9: EUA, Suíça e Holanda

Com 8: Chile e Paraguai

Com 7: Coreia do Sul

Com 6: Camarões

Com 5: Portugal

Com 4: Nigéria, Japão, Dinamarca

Com 3 : Austrália, África do Sul, Argélia

Com 2: Coreia do Norte, Gana, Costa do Marfim, Nova Zelândia, Honduras, Grécia e Eslováquia

Estreante: Eslovênia

Sim, queridos solistas desafinados, temos apenas uma estreia na Copa de 2010, a da Eslovênia -- o que nos leva à geopolítica. Na verdade, enquanto nome, a Sérvia seria estreante, porque pela primeira vez vai jogar sob esta denominação: nas últimas Copas, era Sérvia e Montenegro; antes ainda, era a Iugoslávia. Por isso, o alto número de participações em Copas. O engraçado mesmo é que, como a Eslovênia fazia parte antiga Iugoslávia até o início dos anos 90, teoricamente os eslovenos já jogaram outras Copas.

O mesmo acontece com a Eslováquia: é apenas a sua segunda participação no Mundial, mas ela fez parte da Tchecoslováquia, que chegou a ser potência futebolística (finalista em duas ocasiões). Mas a contabilidade da seleção do antigo país acabou ficando com a República Tcheca (que não se classificou).

Interessante também é a grande quantidade de países que participaram muito, mas pouco fizeram: o México, por exemplo, jogou mais mundiais do que Uruguai ou Holanda, e só não tem uma posição melhor porque se retirou da Copa de 1938 e porque foi suspenso pela Fifa na de 1990. Ainda assim, apenas jogando em casa os mexicanos conseguiram alcançar as quartas-de-final.

Legal também é ver que as seleções mais tradicionais de seus continentes estarão na disputa na África do Sul, como Camarões e Coreia do Sul.

É cedo para fazer previsões? Bem, eu não tenho a "visão além do alcance" que o Hisham teve para a Libertadores deste ano, mas como a "África do Sul é logo ali", eu vou me arriscar: acredito que uma seleção africana faturará esta Copa. A História mostra que, em 18 Mundiais já realizados, apenas duas vezes um país ganhou fora de seu continente (não por acaso, um único time realizou estas duas façanhas, e menos por acaso ainda este time é o Brasil). É só lembrarmos do ótimo desempenho das seleções asiáticas em 2002 (por mais que a Turquia tenha se classificado pela Europa, eu sempre a considero um país asiático) para imaginarmos que Camarões e Nigéria, que já ganharam Olimpíadas recentes, além de Gana e Costa do Marfim (e quem sabe a Argélia?) incomodem bastante.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Visão do turista e do morador temporário

Como o pessoal que escreve no blog adora colocar o pé na estrada, achei legal levantar um ponto que já discutimos em mesas de botecos, mas nunca tornamos pública. O fato é que quando viajamos como turistas nunca vemos "a realidade" dos lugares. Ponto turistico é muito bonito, mas o que há por detrás dele?

Resolvi escrever isto depois que li esta reportagem: Manaus atrai pela beleza, tranquilidade e simpatia.

Como alguns já sabem, eu morei quase três meses em Manaus. Os locais que a reportagem cita são realmente bonitos, e o povo é muito simpático. A vista da Ponta Negra é realmente linda! E o Teatro Municipal é indescritível. E falando em ciência, Manaus possui o Hospital mais especializado do mundo em doenças tropicais.

Engraçado ele comentar que a cidade é limpa. Na verdade não é. Ela só é limpa nos pontos turísticos. O fato é que o povo de Manaus tem uma discrepância econômica muito grande! O caso lá é muito mais grave que por aqui, por exemplo. Mansões ao lado de casebres de palafita! O mercado público não possui higiene alguma.

Ou seja, Manaus realmente é bonito, mas sofre em silêncio. Mas essa não é a imagem que vemos enquanto turistas.

Comentei o caso de Manaus, mas creio que essas coisas devem acontecer em outros lugares. O turismo escondendo os podres. O orgulho acima da dignidade.

O que vocês, meus amigos solistas, têm a dizer?

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Super Furry Animals no Brasil!

Não poderia perder dois grandes shows no mesmo mês. Já tinha perdido o do Faith No More na semana anterior, e agora não poderia perder o show dos Super Furry Animals na Via Funchal, na cidade de São Paulo, que ocorreu na terça-feira passada. Meus agradecimentos ao Hisham, pois foi ele que me avisou há um mês atrás que a SFA substituiria o Cake no Indie Rock Festival. Valeu Hisham!

E a maioria deve estar se perguntando: de onde diabos saiu esta banda? Do país de Gales. Conheci os SFA através de meu colega de banda Arlen Andrade, que é uma enciclopédia ambulante de todas as bandas do mundo alternativo/indie. Fora Radiohead e R.E.M. (e, é claro, os SFA agora), eu nunca ouvi falar das outras bandas que ele curte. Deixo aqui meu grande agradecimento ao Arlen por ter me apresentado esses caras! Valeu Árnie!

A fórmula dos SFA é bem simples. As músicas são loops e riffs melódicos muito criativos. E as gravações são muito bem produzidas, com um belo trabalho de vocais e barulhinhos no lugar certo. Uma coisa curiosa é que eles são os mesmos membros de 13 anos atrás, e lançam discos a cada dois anos, quase religiosamente. Além disso, cada um deles tem os seus projetos paralelos. E dá pra ver no show que os caras estão juntos porque se gostam, e porque gostam de compartilhar o palco. Tudo isso faz parte do segredo que mantém, com muita paz, o casamento destes cinco caras.

E a minha aventura começa aqui: estou trabalhando em Mogi das Cruzes, a primeira coisa foi providenciar o transporte para a capital. Consegui negociar um preço ótimo com um taxi, que me levou, e me esperou lá pra me conduzir de volta pra Mogi. Como num filme da sessão da tarde, não poderia deixar de ter confusão: o cara foi me buscar no hotel errado. Não tínhamos conseguido vaga no Mercure de Mogi devido ao Show do Jota Quest que tinha do outro lado da rua, no mesmo dia. E eis que, para ele sair daquela muvuca depois de saber que eu estava no outro hotel, nos atrasamos vinte minutos na saída. Mas o trânsito colaborou (quase que como um milagre para os padrões paulistas, mesmo sendo às 20:30), e consegui chegar lá meia hora antes do show.

O ingresso tava 120 reais, mas se você levasse um pote de leite em pó, tinha desconto de 50%! Que barbada, hein?

Chegando lá, o ambiente era muito indie. Pessoas estranhas, com cabelos estranhos (detalhe: me incluo parcialmente nesta comunidade). 90% delas tinham ido para ver o Gog_ol Borde_llo*. Mas os SFA tinham os seus fãs, que deu pra ver quando uma menina que estava no puta-merda reconheceu o tecladista Cian Ciaran gritando o seu nome para ele, que tinha entrado rapidamente no palco para ajustar alguma coisa minutos antes do show. Como recompensa, recebeu de volta um sorriso do cara. E teve um cara atrás de mim que filmou todo o show, mas como na hora eu tava tão emocionado, nem me liguei de pegar o contato do cara pra pegar uma cópia da filmagem...

E o show começou, lá pelas 22:15. Abriu com Slow Life, começando aquele sampler que serviu para eles irem entrando no palco. O vocalista Gruff Rhyes exibia placas de “Aplauso”, “Obrigado”, entre outras cretinices.
E logo veio uma bela sequência de hits: Rings Around the World, Golden Retriever, Hello Sunshine e Juxtaposed with you, nesta última não podia faltar o vocoder...

Mountain (aka “Mt”) abriu a série de músicas do ótimo disco novo Dark Days/Light Years. Em Inaugural Trams, que no disco tem a participação do Nick McCarthy do Franz Ferdinand, Gruff sacou do seu baralhão outro cartaz que tinha a foto do cara, daí ele ficou segurando o microfone pra “foto” cantar. Em The Very Best of Neil Diamond, Gruff (fingiu que) tocou um instrumento tão bizarro quanto o nome da música... e finalmente veio a minha favorita deste último álbum, White Socks/Flip Flops – adoro esses acordes maiores surgindo inesperadamente! E Crazy Naked Girls levou o pessoal à loucura, com o Gruff levantando uma placa de WHOA!!!, jogando pra trás de si quando “Girls” era pronunciado, para que pudesse tocar o riff em duo com o guitarrista Huw Bunford.


Man don’t give a Fuck e Cosmic Trigger, músicas mais antigas, fecharam o show. O baixista Guto Pryce e o baterista Dafydd Ieuan mantiveram a cozinha em ordem. O final foi em grande estilo: Gruff, Huw e Guto esfregando as cordas dos seus instrumentos ao alto, e o Dafydd derrubando a bateria. Muita dignidade, como diz o Arlen.

Pena que durou apenas uma hora. Na saída, às 23:20, apagão na rua. O taxista me dizendo que estava faltando luz em Mogi também. Olhei na internet do celular, e estava faltando luz em Curitiba, Belo Horizonte... daí eu pensei: se o mundo fosse acabar, pelo menos deu tempo de assistir ao inesquecível show desses animais super furiosos!

* "Escondi" o nome da banda para não irritar as pessoas que procuram por notícias da mesma.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Quando os clichês de jornalismo esportivo passam dos limites

Ontem à noite estava entre amigos comendo um xis e na TV passavam os gols da rodada. Vendo o comentário do Maurício Saraiva, brinquei que seria relativamente fácil programar um "gerador de comentários do Maurício Saraiva", alimentando ao programa as estatísticas da partida: gols com os tempos e autores ("Já aos ___ minutos, o ____ abriu o placar logo de cara com um belo gol de _____"), tempo de posse de bola ("Mesmo dominando o jogo no primeiro tempo, o _____ não conseguiu marcar"), estatísticas dos jogadores como roubadas de bola ("O destaque individual foi ______, cuja presença no setor _______ foi o diferencial de qualidade do time") e assim por diante.

Realmente, ainda mais agora depois dessa experiência de escrever os posts "Mesa redonda bola quadrada" aqui no blog, fica evidente que escrever toda rodada (ou todo dia, no caso dos profissionais) a respeito de uma coisa que é, na real, sempre mais ou menos igual, é um exercício de criatividade ingrato. É difícil não cair nos clichês, ou pior ainda, não acabar virando uma máquina de geração deles.

Hoje de manhã, curiosamente, o Jean me passou por email um link de uma notícia divertida, relacionada tanto a tecnologia como a futebol, dois de nossos assuntos prediletos: Robôs se enfrentam em jogo de futebol na Campus Party México. O mais curioso da notícia, porém, foi o descuido na aplicação dos clichês esportivos: (minha ênfase)
A partida seguiu o regulamento internacional da modalidade, que estipula dois tempos de 10 minutos. Os robôs de Monterrey levaram o gol contra no primeiro tempo e não conseguiram reverter o placar. No segundo tempo, os robôs pareciam cansados e não houve nenhuma situação de perigo, permitindo que os robôs da La Salle mantivessem o placar e conquistassem o campeonato.
Texto digno do Auto-Saraiva-Generator. :)

Mesa-redonda bola-quadrada: Inter x Santos, Cruzeiro x Grêmio

Essa semana tivemos uma rodada para Inter e Grêmio marcado por enfrentamentos com grandes clubes do país. Em outros tempos do campeonato, seria uma rodada de fortes emoções, mas tendo em vista o desânimo geral das torcidas com os seus times, os jogos passaram com um ar de "cumprir tabela" um tanto quanto injustificado, pelo menos para o colorado:
  • Inter 3x1 Santos
  • Cruzeiro 1x1 Grêmio
Com esses dois resultados, o Inter retornou ao G4. O desânimo das últimas semanas de ver as chances de título indo embora esfriou a torcida, mas a diminuição da pressão parece ter feito bem ao time. Em mais uma noite de D'Alessandro, ativo nas jogadas e autor do terceiro gol, o Inter venceu o Santos em casa e chega aos 56 pontos, à frente do Atlético-MG somente pelo saldo de gols. E domingo que vem tem confronto direto com o Galo: o Inter vai a Belo Horizonte para um jogo que pode realmente decidir a classificação para a Libertadores, haja vista que será a antepenúltima roda do campeonato e os compromissos seguintes do colorado são com o rebaixado Sport e o quase-rebaixado Santo André.

Os co-irmãos tricolores serão rápidos para apontar também que o retorno do Inter ao G4 se deve também ao resultado do Grêmio na rodada: arrancando um empate do Cruzeiro no último minuto de jogo com um hilário gol de Herrera (que teve direito a uma tentativa frustrada de toque de letra), o Grêmio manteve os mineiros atrás do Inter, com 55 pontos. Sob o comando do familiar interino Marcelo Rospide, o Grêmio com este pontinho se manteve na nona colocação com 49 pontos.

Lá no topo da tabela, o Flamengo superou o Palmeiras e está agora a 2 pontos do São Paulo, em uma reta final emocionante (pelo menos pra quem torce pra esses times ou acompanha o campeonato como um todo). No final da tabela, o Sport já está matematicamente rebaixado e o também pernambucano Náutico está na penúltima posição. Outro que deve cair é o novato Santo André. O destaque está sendo a campanha de ressurreição do Fluminense, que está invicto a oito jogos obteve a quarta vitória seguida (incluindo vitórias contra Atlético-MG, Cruzeiro e Palmeiras) e está prestes a deixar a quarta vaga do rebaixamento para o conterrâneo Botafogo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A glorificação da tosquice no cinema nacional

Série de emails hoje à tarde, iniciada pelo Ulisses, intitulada "O maior mestre do cinema nacional":

Ulisses: Eu sempre achei que um cara que faz este tipo de filme merece um reconhecimento legendário:
Eu não sei o que é melhor: se a escolha do elenco (Nuno Leal Maia rules!!!), se as participações musicais, se as histórias clichês ou se o absurdo geral das encenações (como o strip da... bem, vejam os trailers).

Roberto: ehuaehuaheuhauehuae... E a sinopse das Sete Vampiras é genial!!! "Depois de ver seu marido ser devorado por uma planta carnívora..."

Hisham: Já eu sempre achei chatíssima essa mania que as pessoas têm de glorificar a tosquice no cinema nacional!

Ulisses: E eu, chatíssimo quem leva a sério uma ironia. ;D

Hisham: É que eu achava que a glorificação da tosquice nacional era uma grande piada... até que criaram o Canal Brasil! :)

Chico: HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHHAHAHAHAHA

Ulisses: HAHAHAHAHAHAHA, tem razão, o Canal Brasil é como um Popular do Terra do cinema nacional.
Aliás, uma das coisas mais toscas que eu vi na minha vida foi no Canal Brasil, chamava-se "Aluga-se Moças", tinha como estrelas a Gretchen e a Rita Cadilac (a última dando a bunda dentro dum fusquinha, vinte anos antes da carreira pornô).
Apesar de filme tosco ser produzido no mundo inteiro, acho que só no Brasil ele pode ser encarado de três formas:
  1. o tosco que quer fazer coisas boas mas não tem nem dinheiro nem know-how (como o Mojicão);
  2. o tosco que o é por diversão (este Ivan Cardoso);
  3. o intelectual que acredita que a tosquice é um ideal estético elevado, que visa subverter um padrão pré-estabelecido pelas artes elitistas, conservadoras, caretas e por aí vai, e que usa esta justificativa pra preencher sua carreira com bobagens inigualáveis que alguns batem palmas (como o Glauber).
Chico: Melhor definição já feita NA HISTÓRIA para o Glauber Rocha.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mesa-redonda bola-quadrada: Grêmio x São Paulo, Barueri x Inter

Se foi mais uma rodada do Brasileirão 2009. Agora só faltam 4 jogos. E a situação da dupla grenal está cada vez pior.
  • Grêmio 1 x 1 São Paulo
  • Barueri 1 x 1 Inter
A rodada começou na quarta-feira com o jogo antecipado entre Grêmio e São Paulo. O tricolor gaúcho tentava defender a invencibilidade em casa, só o que lhe resta neste campeonato. Do outro lado, o tricolor paulista buscava arrancar pontos para a conquista do quarto título consecutivo. O Grêmio saiu na frente, depois de uma ótima cobrança de falta de Douglas Costa, onde Rafael Marques cabeceou para dentro das redes. Mas ainda no primeiro tempo, Dagoberto completou um cruzamento da direita e a bola desviou no mesmo Rafael Marques, enganando o goleiro Vitor. No segundo tempo, o São Paulo teve 3 expulsões. Mas nem assim o Grêmio conseguiu chegar à vitória. Com este empate, o São Paulo assumiu a liderança, ajudado pela derrota do Palmeiras frente ao Fluminense. A equipe gaúcha, por sua vez, abandonou qualquer chance de ingressar no G4.

O Inter foi à Barueri, enfrentar o time comandado pelo ex-jogador gremista Luis Carlos Goiano, precisando de uma vitória para ficar próximo do G4 e ainda sonhar com o título. Mas a má fase já apareceu em 1 min de jogo, quando Andrezinho perdeu um gol com a goleira aberta. Ainda no primeiro tempo, o Barueri abre os trabalhos com um frango do goleiro Lauro, que parece estar seguindo os passos do antecessor. O Inter então tentou reverter o placar. Só aos 20 min do segundo tempo, em uma cobrança de falta, Fabiano Eller completou para empatar a partida. O colorado ainda tentou, mas não conseguiu voltar com 3 pontos. Depois deste resultado, o Inter dá adeus ao sonho do tetra e luta com dificuldades para ficar no G4, já que agora ocupa a 6ª posição, 3 pontos atrás do 4º colocado.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Mesa-redonda bola-quadrada: termina a Série D!

Pois é, amigos. Como vocês viram pelo atraso do MRBQ, os interessados em futebol do blog parece que andaram todos meio desanimados com o esporte... também, Inter e Grêmio não estão empolgando muito ultimamente, como se nota pelos resultados das últimas rodadas:
  • São Paulo 1x0 Internacional
  • Grêmio 3x1 Avaí
  • Santo André 2x0 Grêmio
  • Internacional 0x1 Botafogo
O mais incrível é que no jogo contra o SPFC o Inter jogou bem -- todo mundo saiu do jogo dizendo que o resultado mais justo seria um empate. O Grêmio chegou a dar alguma esperança pra torcida no jogo contra o Avaí, mas a derrota pro Santo André tirou qualquer dúvida que o campeonato esteja efetivamente encerrado. Já no Beira-Rio, depois da derrota pro Botafogo, a mudança de discurso é deprimente.

Por isso, não vamos mais falar disso, e sim falar de um assunto mais alegre: a gloriosa Série D, porque enfim, temos um campeão!

O São Raimundo Esporte Clube é o mais novo Campeão Brasileiro! O Pantera Negra conquistou a Série D com uma vitória de 2x1 em casa sobre o Macaé, levando o título pela regra do gol fora de casa, já que no Rio de Janeiro havia perdido por 3x2. Não tenho como não citar o site oficial do alvinegro que relata as emoções desse jogo que ficará para a história como a primeira grande final da Quarta Divisão:

Um jogo que começou bastante nervoso com o São Raimundo se lançando para o ataque buscando quebrar a vantagem do Macaé que jogava pelo empate. E foi logo aos 10 minutos que o Pantera encontrou o caminho das redes, mas infelizmente Rafael Oliveira estava em posição de impedimento e o lance foi anulado pelo assistente potiguar.

Por outro lado, o Macaé que veio a Santarém disposto a cumprir com a força do regulamento aos poucos foi cansando o ímpeto e a pressão alvinegra, e ao adiantar a marcação envolveu o São Raimundo, passando a dominar o jogo fazendo aparecer a estrela de Labilá em duas chegadas fortes do time fluminense.

já com a torcida bastante impaciente o primeiro tempo encerrou com a taça nas mãos do Macaé. Porém, na volta para o segundo tempo o São Raimundo veio decidido a conquistar o título e logo no comecinho Michell tabelou com Ceará, invadiu a área e bateu forte mas Lugão espalmou de mão trocada pra escanteio.

Entretanto, foi o Macaé quem abriu o placar aos 16 minutos da etapa derradeira com Léo Santos que aproveitou a falha da zaga para estufar as redes alvinegras calando o Barbalhão.

Lúcio Santarém resolveu agir e substituiu Luís Carlos Trindade por Hélcio e a mexida surtiu logo efeito. Hélcio numa bela jogada individual bateu cruzado e encontrou Déo Curuça na pequena área que só escorou para o fundo do barbante, mas novamente a jogada foi anulada pelo trio potiguar.

Por volta dos 27 minutos a história do jogo começou a mudar, depois de uma bela triangulação a bola sobrou para Michell empatar o jogo e acordar as mais de 17 mil vozes nas arquibancadas. Não demorou muito e Rafael Oliveira virou o jogo para o São Raimundo incendiando de vez a torcida mocoronga no Estádio Colosso do Tapajós.

A virada favorecia o Pantera e o Macaé finalmente se abriu e por muito pouco Ceará não marcou o terceiro gol alvinegro em outra bela triangulação. Já com a entoação de "É campeão" vinda das arquibancadas o São Raimundo só esperou o trilar do apito para levantar o título histórico para Santarém e o maior do clube depois de 65 anos de fundação.

Parabéns ao São Raimundo! Parabéns a Michel, do São Raimundo, artilheiro do campeonato! E boa sorte aos quatro classificados que disputarão a Série C ano que vem: São Raimundo, Macaé, Alecrim e Chapecoense. Um representante do Norte, um do Sudeste, um do Nordeste e um do Sul. Realmente, como eu disse lá na abertura do campeonato, a Série D é o mais brasileiro dos campeonatos!

Foi muito divertido acompanhar essa disputa e aprender um pouco mais sobre esse outro lado do futebol no Brasil. Muita gente nos perguntava "mas por que diabos cobrir a Série D?", mas além do que o fator insólito da coisa -- que foi, é claro, a motivação inicial -- acho que acabamos todos genuinamente interessados nos resultados e nos divertindo verdadeiramente como torcedores, especialmente pela zoação entre amigos. Afinal de contas, a graça do futebol está na diversão que a gente tira dele, e isso independe de nível: esses dias vi no Youtube os gols de Milan 3x2 Real Madrid e dei risada com o comentário de um torcedor madrilenho que disse algo como "ai, Real, tu só me dá desgosto..." E olha que ele tem Kaká e Cristiano Ronaldo no time dele. E a gente aqui reclamando do Inter e do Grêmio... :)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Mesa-redonda bola-quadrada: Inter x Grêmio

Rodada de Grenal, e mais uma vitória colorada no clássico: a quarta do ano.
  • Inter 1x0 Grêmio
Muito já se falou sobre o jogo, então não vou repetir o que a imprensa já cobriu. Com um gol de D'Alessandro, o Inter se posicionou como franco candidato ao título e o Grêmio disse adeus às ambições de jogar a Libertadores em 2010. Com mais um tropeço do Palmeiras na rodada, está tudo embolado na tabela.

Enquanto isso, na Série D, tivemos o primeiro jogo da final:
  • Macaé 3x2 São Raimundo
O Macaé venceu a primeira partida da final, disputada no estádio Raulino de Oliveira em Volta Redonda (RJ). Segundo o torcedor Chico Pereira, o estádio do Macaé está em reformas, então os jogos mandados pelo clube fluminense vêm sendo disputados em estádios alugados, como foi o caso do Maracanã na semifinal. E dê-lhe Petrobrás pra alimentar o PIB dessa cidade! A decisão será dia 1 de novembro, no Colosso do Tapajós, em Santarém (PA).

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Top Seven: Ficções Futuristas fora de Hollywood


O filme Distrito 9 é um dos sucessos inesperados de 2009. Feito com uma quantia irrisória para uma ficção-científica futurista (30 milhões de dólares, quase que exclusivamente usados nos seus efeitos visuais), o filme chamou a atenção dos fãs do gênero no mundo inteiro, por escapar do padrão de sci-fi produzida normalmente por Hollywood (pelo menos na primeira metade; depois, vira um filme de ação típico), a começar pela ambientação da trama, que se passa em 2010: um gueto em Joanesburgo, na África do Sul, que abriga alienígenas que são distanciados do convívio com os humanos.

Apesar do aspecto de produção estrangeira, porém, Distrito 9 é uma coprodução EUA e Nova Zelândia. De qualquer maneira, o lançamento da obra aqui no Brasil me lembrou que estas visões de futuros sombrios -- um subgênero de sci-fi que atende pela denominação de "ficção futurista" -- são encontradas com certa facilidade em outras cinematografias que não a hollywoodiana. Sempre obedecem, aliás, ao conceito de distopia: o futuro é sempre corrompido, totalitário ou desesperançoso. Cada sociedade vê este contrário da utopia conforme os seus próprios princípios culturais, o que é uma excelente forma de entendermos o imaginário destes países. Então, com vocês, o Top Seven de filmes de ficção futurista feita longe de Hollywood:

7. Mad Max (idem, Austrália, 1979, direção de George Miller): quando pensamos em "futuro pós-apocalíptico", imaginamos a desolação do deserto australiano de Mad Max. Não que fosse particularmente uma revolução -- road movies futuristas pulularam em toda a década de 70. Mas foi esta fita que conseguiu fugir do ar de filme B (ainda que a sua produção tenha sido precária -- até o carro do diretor foi usado nas perseguições), dando profundidade ao drama dos personagens. A sequência de 1981 é considerada melhor -- e, a terceira parte, a mais engraçada.

6. Planeta Selvagem (La Planète Sauvage, Tchecoslováquia e França, 1973, direção de René Laloux): esta animação lisérgica cult fala de uma raça de aliens gigantes, os Draags, que levam seres humanos (aqui chamados de Oms) para servir de animais de estimação em seu planeta. Com um visual absurdamente delirante (daria boas ideias para clipes do Pink Floyd), a produção começou na Tchecoslováquia, mas a equipe teve que levar o trabalho para a França, por conta de pressões políticas -- o filme, afinal, seria uma alegoria à Primavera de Praga, ocorrida pouco tempo antes.

5. Stalker (idem, URSS e Alemanha Ocidental, 1979, direção de Andrei Tarkovsky): Tarkovsky é mais conhecido por Solaris (que poderia estar nesta lista), mas Stalker é tão instigante quanto. Um evento catastrófico de origem desconhecida cria uma região onde as leis da física não fazem sentido, conhecido como Zona, no centro da qual fica o Quarto, lugar onde as esperanças secretas se tornam realidade. A Zona é cercada por militares, e os únicos que conseguem entrar são os Stalkers, pessoas com poderes mentais que servem de guias para aqueles que querem chegar ao Quarto. O que parece uma trama de aventura vira um filme contemplativo nas mãos do diretor, que investe na poesia das imagens.

4. Akira (idem, Japão, 1988, direção de Katsuhiro Otomo): na minha opinião, este anime é uma das melhores sci-fi já realizadas. O enredo se desenrola em Neo Tóquio, megalópole erguida sobre os escombros de uma guerra nuclear, misturando motoqueiros vândalos, terroristas messiânicos e um programa militar que usa crianças com poderes sobrenaturais como arma. A paranoia atômica do Japão é o tema de fundo, e a violência brutal, apesar (e talvez por isso mesmo) de se tratar de uma animação, chocou plateias no mundo inteiro. Foi o filme que, de fato, mostrou que a animação japonesa também era coisa para adultos, gerando inúmeros animes de ficção-científica nos anos seguintes.

3. Daqui a Cem Anos (Things to Come, Inglaterra, 1936, direção de William Cameron Menzies): se tem um país com tradição em criar futuros distópicos, esse é a Inglaterra, muito por conta deste filme. Baseado num livro de H.G. Wells -- que, vejam só, também escreveu o roteiro --, Daqui a Cem Anos traça a história da humanidade durante um século após uma hipotética Segunda Guerra Mundial (que não tinha acontecido ainda). A experiência daria fôlego para o cinema inglês produzir mais tarde filmes como Laranja Mecânica, 1984, Brazil - O Filme e, mais recentemente, Filhos da Esperança.

2. Metrópolis (idem, Alemanha, 1927, direção de Fritz Lang): sem dicussão, Metrópolis é um dos mais influentes filmes da História. De Blade Runner a Os Jetsons, de HQs a bandas de rock, é quase impossível mesurar o tamanho do impacto que o filme tem até hoje. Seja pelo brilhantismo técnico dos seus efeitos especiais artesanais, seja pelo gigantismo da sua direção de arte, ou ainda pelo roteiro que criticava tanto o capitalismo como o comunismo, esta obra-prima é quase uma lenda. Tal status é incrível, se levarmos em conta que o filme não é visto pelo público na sua versão original há mais de 80 anos, passando por inúmeros cortes e tentativas de remodernização de sua música. Diz-se, aliás, que era o filme favorito de Hitler (o que me parece lenda urbana). Ver Metrópolis é essencial para a compreensão da cultura pós-moderna.

1. Abrigo Nuclear (Brasil, 1981, direção de Roberto Pires): Se fazer uma ficção futurista fora dos EUA é difícil, o que dirá se ela for feita no terceiro mundo? Sim, amigos, o Brasil também já produziu sci-fi! O diretor Roberto Pires era um sujeito engajado em criticar o uso de energia nuclear (depois deste filme, faria ainda Césio 137 - O Pesadelo de Goiânia, baseado no agora esquecido caso de contaminação ocorrido em Goiás nos anos 80). Este Abrigo Nuclear (se alguém achar o filme, me avise) mostra a humanidade abandonando a superfície, tomada pela radiação, para viver em subterrâneos (Matrix copiou!). O filme é tão obscuro que mal se encontra imagens ou informações dele na Internet.

Mesa Redonda Bola Quadrada: Fluminense x Inter, Grêmio x Coritiba

Com alguns dias de atraso, está aí o MRBQ da 30ª rodada do Campeonato Brasileiro!
O Inter foi ao Maracanã enfrentar o lanterna Fluminense. O Grêmio recebeu em Porto Alegre o centenário Coritiba.
  • Fluminense 2x2 Inter
  • Grêmio 2x0 Coritiba
O Inter enfrentou o Fluminense, esperando um bom resultado, já que o tricolor carioca está segurando a lanterna há algumas rodadas. Alecsandro abriu o placar ainda no primeiro tempo. Mas antes do intervalo, Gum empatou a partida para o Flu. Na volta para a segunda etapa, o colorado esteve melhor e novamente através de Alecsandro retomou a frente do placar. Mas não pôde voltar para Porto Alegre com 3 pontos na bagagem. Gum empatou novamente a partida aos 41min.

O Grêmio, que só venceu uma fora, para alívio da torcida jogou no Olímpico este domingo. Mas o Coxa começou melhor, pressionando o Grêmio. O jogo se equilibrou no meio da etapa inicial. E a partir daí o mandante começou a jogar melhor. Aos 45min Perea fez uma linda jogada pela esquerda e quase sem ângulo tocou para dentro das redes alviverdes. No início do segundo tempo Renatinho foi expulso, deixando o jogo mais fácil para o Grêmio, que ainda ampliou aos 37min com um gol de Souza.

As equipes que estava na frente não se deram bem na rodada. Atletico-MG e Flamengo venceram São Paulo e Palmeiras e embolaram tudo. E hoje o líder Palmeiras foi para Santo André tentar ampliar a vantagem e espantar a crise. Mas jogou mal e sofreu a terceira derrota seguida. E a disputa pelo título está aberta novamente. Logo atrás está o Altético-MG, São Paulo e Inter. O Flamengo está pagando os salários em dia e o time está em ascensão.


Série D

E esse fim de semana as grandes equipes da estreante Série D mostraram sua cara.
  • Chapecoense 3x2 Macaé
  • Alecrim 2x2 São Raimundo
O Macaé perdeu para o Chapecoense em Santa Catarina. Mas como havia vencido o primeiro jogo por 2x0, passou para a grande e esperada final. Já o São Raimundo, que havia vencido a primeira partida em casa, conseguiu segurar o empate contra o Alecrim e triunfou na casa adversária. No próximo fim de semana teremos uma batalha para ver quem será o histórico primeiro campeão da Série D do Campeonato Brasileiro!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Retrato do artista enquanto jovem











Mondrian, 1908Mondrian, 1944

A Dog's Life (vídeo no link)

Limelight (vídeo no link)
Chaplin, 1918Chaplin, 1952




Portinari, 1920Portinari, 1958
The wide playgrounds were swarming with boys. All were shouting and the prefects urged them on with strong cries. The evening air was pale and chilly and after every charge and thud of the footballers the greasy leather orb flew like a heavy bird through the grey light. He kept on the fringe of his line, out of sight of his prefect, out of the reach of the rude feet, feigning to run now and then. He felt his body small and weak amid the throng of the players and his eyes were weak and watery. Rody Kickham was not like that: he would be captain of the third line all the fellows said. ...
Sir Tristram, violer d'amores, fr'over the short sea, had passencore rearrived from North Armorica on this side the scraggy isthmus of Europe Minor to wielderfight his penisolate war: nor had topsawyer's rocks by the stream Oconee exaggerated themselse to Laurens County's gorgios while they went doublin their mumper all the time: nor avoice from afire bellowsed mishe mishe to tauftauf thuartpeatrick: not yet, though venissoon after, had a kidscad buttended a bland old isaac: not yet, though all's fair in vanessy, were sosie sesthers wroth with twone nathandjoe. Rot a peck of pa's malt had Jhem or Shen brewed by arclight and rory end to the regginbrow was to be seen ringsome on the aquaface. ...
Joyce, 1916Joyce, 1939




Picasso, 1897Picasso, 1969

Piano Concerto No. 1, Opus 15 (vídeo no link)

Sinfonia no. 9, Opus 125 (vídeo no link)
Beethoven, 1797Beethoven, 1824

Mesa-redonda bola-quadrada: Inter x Atlético-PR, Corinthians x Grêmio

Bom, embora o colega blogueiro gremista do MRBQ pareça estar desinteressado no Campeonato Brasileiro e tenha resolvido acompanhar as aventuras da seleção argentina nas Eliminatórias ( ;-) ), tivemos nesse final de semana mais uma rodada do Brasileirão, que segue emocionante.
  • Inter 1x1 Atlético-PR
  • Corinthians 2x1 Grêmio
O Inter jogou melhor a partida toda, mas parecia pouco objetivo. Mário Sérgio havia dito que não faria o 3-5-2 sem Kléber, mas na hora H aplicou o esquema colocando Marcelo Cordeiro na ala. Este, impiedosamente marcado pela torcida(!), foi substituído no segundo tempo por Andrezinho (que depois de jogar de ala nesse jogo acho que só não atuou no Inter como goleiro ainda!). Perto do fim do jogo, quando tudo estava naquele clima de "é só questão de tempo", o Atlético-PR marcou um gol. O Inter então acordou e com cruzamento de Glaydson e cabeçada de Alecsandro, buscou o empate. Depois do jogo o interessante foi uma entrevista de um jogador do Atlético, dizendo algo como "fizemos o gol, mas aí então o Inter impôs um ritmo para empatar a partida". Não tem como não ficar pensando: "pô, por que então não impuseram esse ritmo antes de tomar o gol???"

O Grêmio perdeu em São Paulo para o Corinthians, que com esse jogo ultrapassou o tricolor na tabela. Os paulistas vinham de cinco rodadas sem vitória e garantiram a vitória no primeiro tempo, com gols de Ronaldo, logo aos dez minutos, e Elias. O Grêmio descontou no tempo complementar com Réver e era isso -- esgotei todos os clichês de jornalismo esportivo que eu conheço para descrever uma partida que eu não assisti e só sei o placar. :-)

A situação do campeonato é a seguinte. Faltam 9 rodadas; o Palmeiras é líder com 54 pontos, seguido por São Paulo, Inter, Atlético-MG, Goiás e Flamengo, com 49, 48, 47, 46 e 45. Nesta rodada, nenhum dos cinco primeiros venceu, o que ajudou a embolar a tabela. Em especial, São Paulo e Inter empataram enquanto o Palmeiras incrivelmente perdeu de 3x0 para o Náutico, o que diminuiu em um ponto a folga do verdão. Depois do Flamengo, todos os 7 times da zona da Sul-Americana estão espremidos em uma diferença de 2 pontos; do Cruzeiro que é sétimo com 42, ao Santos que é décimo-terceiro com 40. É interessante notar que a maior diferença de pontos entre duas posições consecutivas da tabela é a do Palmeiras em relação ao vice São Paulo. "Já ganhou?" Eu tenho minhas dúvidas.

Mesa-redonda bola-quadrada: Eliminatórias da Copa

Nesta quarta-feira de outubro encerraram-se as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. Já estavam classificados Brasil, Paraguai e Chile. A última vaga ficou em uma disputa acirrada entre Argentina, Uruguai e Equador. Mas a equipe de Maradona levou a melhor:
  • Uruguai 0x1 Argentina
  • Chile 1x0 Equador
  • Brasil 0x0 Venezuela
O clássico da Prata era o jogo mais esperado da última rodada. Além da rivalidade histórica, o resultado diria quem iria ocupar a última vaga para a Copa do Mundo. E o jogo seguiu os moldes de um grenal, com muita marcação e jogadas duras de ambos os lados. O primeiro tempo terminou como começou. A equipe cisplatina jogou melhor, mas não teve chances claras de gol. O segundo tempo não mudou muito. Porém, quase aos 40min do segundo tempo o uruguaio Cáceres foi expulso. Logo após, a Argentina abriu o placar numa cobrança de falta de Messi que Verón completou para dentro das redes. E o jogo terminou assim, para alegria dos argentinos que conseguiram a vaga depois das eliminatórias mais dramaticas dos últimos tempos. Com a derrota do Equador, o Uruguai ficou em quinto lugar e disputa a repescagem contra a Costa Rica.

O jogo do Brasil não valia mais nada. Os jogadores da seleção não estavam afim de se cansar e a Venezuela não estava afim de ser goleada. E o blogueiro também não está afim de descrever este jogo horroroso. Só para constar, a partida terminou empatada sem gols. Mas com a derrota do Paraguai diante da Colômbia, o Brasil garantiu o primeiro lugar.

A seleções que estarão na África do Sul, além da anfitriã, são:
  • Brasil, Chile,Paraguai e Argentina;
  • Estados Unidos, México e Honduras;
  • Camarões, Tunísia, Argélia, Gana e Costa do Marfim;
  • Austrália, Japão, Coréia do Sul e Coréia do Norte;
  • Dinamarca, Suiça, Eslováquia, Alemanha, Espanha, Inglaterra, Sérvia, Itália e Holanda
As outras vagas serão disputadas nos jogos de repescagem.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Mesa-redonda bola-quadrada: Inter x Náutico, Atlético-PR x Grêmio

Rodada de bons resultados para a dupla Grenal. A cobertura só saiu hoje porque resolvi esperar o resto da rodada.
  • Inter 3x1 Náutico
  • Atlético-PR 0x0 Grêmio
Técnico novo, adversário fácil, jogo em casa, D'Alessandro de bom humor. Tudo conspirava para uma vitória e o Inter não decepcionou. Três a um, dois gols de Alecsandro e o Inter está de volta ao G-4. Pro Grêmio, o empate fora de casa não foi um mau resultado, especialmente considerando os resultados paralelos: Flamengo, Goiás, Atlético-MG, São Paulo e Palmeiras perderam pontos nessa rodada. Poderia ter sido melhor: o Palmeiras chegou a estar perdendo em casa de 2x0 pro Avaí, mas buscou o empate. O São Paulo também ficou no 2x2 com o Coritiba.

O Grêmio segue a 6 pontos do G-4; o Inter a 7 pontos da liderança, e a dois do vice São Paulo, que pega o Flamengo no Rio enquanto o Inter joga com o Atlético-PR no Gigante. Já o Grêmio vai pra São Paulo enfrentar o Corinthians, que está 5 posições atrás do tricolor na tabela... mas a apenas dois pontos. Aliás, o meio da tabela está extremamente embolado: temos Flamengo, Grêmio e Vitória com 42, 41 e 40, e então Cruzeiro, Avaí, Santos e Corinthians com 39 pontos. Faltando 10 rodadas no campeonato, qualquer um deles tem chances reais de chegar ao G-4.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Curioso Caso de Roman Polanski

Um post meio fora de timing, mas ainda atual: o cineasta franco-polonês Roman Polanski finalmente foi preso por conta de um rumoroso caso de estupro ocorrido na década de 70 nos EUA. Ele foi detido na Suíça semana passada pela polícia local, quando ia receber um prêmio no Festival de Zurique, a pedido da Justiça norte-americana. O fato desencadeou uma série de reações nos meios artísticos e jurídicos internacionais, variando entre o apoio à prisão e um movimento chamado de Free Polanski.

O caso é daqueles bem complicados: Polanski, no auge da fama por conta da sua obra-prima Chinatown, levou uma modelo adolescente de 13 anos à casa de Jack Nicholson (sempre metido em safadeza...), e teria chapado e abusado da moça. A vítima, Samantha Gailey, afirmou na época que a relação não foi consentida; hoje, é uma das principais defensoras do fim do processo. Como Roman era uma celebridade à época, o caso virou circo, com juízes propondo acordos escusos e a boa e velha exploração sensacionalista da imprensa correndo solta.

Durante o imbrólio judicial, Polanski fugiu da América do Norte (onde não pode entrar, nem para receber um Oscar, por exemplo -- que ele ganhou por O Pianista) e se refugiou na França. Como o caso já fez aniversário de três décadas, as versões sobre o caso se multiplicaram. Deixo para vocês textos de dois "iguais" (críticos de cinema brasileiros) que têm visões discordandes: Isabela Boscov, da revista Veja, condenando o diretor; e o ótimo Pablo Villaça, do site Cinema Em Cena, que o defende (ainda que critique a relação com uma menor tão nova). Vale a pena, eles explicitam todos os detalhes do caso.

Polanski tem uma trajetória atribulada, a começar pela morte de seus pais num campo de concentração na Segunda Guerra. Um certo grau de violência e sexualidade são uma constante em seus filmes: a primeira obra sua a chamar a atenção internacional foi o thriller Repulsa ao Sexo, bastante polêmico à época. A ele, seguiram-se os sucesso de bilheteria Dança dos Vampiros (1967), comédia de costumes que flertava com elementos fantásticos, e o clássico Bebê de Rosemary (1968) -- que, nas palavras de José Mojica Marins, é o "melhor filme de horror da história". Nos anos 1970, já estabelecido nos EUA, Polanski passou por um momento dramático: sua mulher, a atriz Sharon Tate, grávida de oito meses, foi brutalmente morta pela "família Mason", na série de assassínios que consagrou o termo serial killer. Ainda nesta década (e antes do abuso de Samantha Gailey), o diretor se envolveria com a atriz adolescente Nastassja Kinski, num affair bastante rumoroso.

Os casos de estupro -- e demais denominações que os crimes de violência sexual possam ter -- são, de longe, os mais complexos. Ao passo que é, talvez, o ato criminoso mais abominado pela sociedade (sendo aquele envolvendo menores considerado a mais escabrosa das possibilidades), é também um dos mais incertos para a Justiça. Nos meus gloriosos dias de repórter policial em Montenegro, acompanhei casos de estupro em que a vítima retirava a acusação ou, ainda, em que o inquérito policial indicava que o delator tinha mentido ou sido condicionado a mentir. Casos escabrosos, como mães acusando filhos de as terem violentado, ou de crianças relatando abusos por parte de maiores, não raro se revelavam invenções de falsas vítimas, na tentativa de prejudicar alguém. Por outro lado, conheci histórias de mulheres violentadas que deixavam muito claro o quão difícil era ter que continuar a viver depois do estupro. Podem ter certeza: é um crime que destroi a vítima em todos os sentidos.

As diferentes noções que têm feito as pessoas condenarem ou louvarem Polanski é só o caso mais famoso desta terrível complexidade.