sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Mesa-redonda bola-quadrada: Fernandão

Um post futebolístico diferente essa semana. Mas antes, parafraseando outras modalidades olímpicas, vamos aos "movimentos obrigatórios":
  • Palmeiras 1x1 Grêmio (Campeonato Brasileiro)
  • Inter 2x1 Oita Trinita (Copa Suruga, Japão)
O Chico ficou de falar sobre o jogo do Grêmio na seção de comentários (demais gremistas, sintam-se à vontade também). Do jogo do Inter não tenho muito o que falar. Ganhou a famigerada Copa Suruga. Parabéns.

Acho mais interessante comentar sobre o caso do Fernandão. Além de jogar uma luz sobre os problemas atuais do Inter, acho ele emblemático sobre o jeito que as coisas são feitas "no mundo de hoje", e não só no mundo do futebol.

O que aconteceu foi que Fernandão esperava ser tratado como amigo, e foi tratado de forma "friamente profissional".

Ele havia se comprometido a priorizar o Inter na sua volta para o Brasil. Pela sua identificação com o clube, com a cidade, com a torcida. Todas essas coisas que as pessoas sempre dizem que "é tudo papo, jogador hoje em dia só pensa em dinheiro". Lógico, se pensa em dinheiro também. Afinal, quando o Fernandão saiu pra ir pro Qatar foi pela grana (e pela situação das coisas no Inter na época, não vamos esquecer).

Resumindo a história, ele anunciou que estaria deixando o Qatar mais cedo que o previsto e retornando ao futebol brasileiro. A expectativa toda na torcida e na imprensa era uma volta pro Inter (com opiniões contra e a favor). Carvalho reafirmava que o Inter tinha preferência no negócio e Fernandão que ele tinha preferência pelo Inter. Mas quem realmente demonstrava interesse em ter o jogador eram São Paulo, Santos e Palmeiras. Enquanto os paulistas eram abertos e diziam coisas como "o Fernandão tem o perfil do São Paulo" e Vanderlei Luxemburgo dizendo "estamos fortes na briga por Fernandão", em Porto Alegre as manchetes eram de "cautela". Fernandão estava ansioso: "É lógico que a primeira proposta que pretendo ouvir é a do Inter. Mas até agora não recebi nada". Ao que tudo parece, FC não queria Fernandão de volta e fez de tudo pra evitá-lo. Fernandão tentou fazer contato, não conseguiu, entendeu a indireta e surpreendeu a todos pondo de lado propostas do centro do país e voltando à sua primeira casa, o Goiás. Pra mim a atitude seca de Fernando Carvalho ficou evitente quando ele tentou se explicar, dizendo que tinha tentado entrar em contato com Fernandão falando que "Felizmente eu tenho prova documental, mas não quero usar isso." Contrastem com a versão de Fernandão: leiam o relato completo (não consegui selecionar um trecho para postar aqui, vale a pena ler tudo mesmo).

Fernandão anunciou sua ida pro Goiás através de uma ligação pro celular pessoal de Iarley, talvez para simbolizar a sua prioridade pela amizade. Nessa entrevista (vídeo), ele deixa isso bem claro. Futebol lida com emoções. É fácil ser cínico e dizer que "é tudo um grande negócio, todos os envolvidos só se importam com o dinheiro", mas isso não é falar a verdade completa. Sim, o beijo no distintivo de um jogador que é recém apresentado a um clube novo é falso, mas as lágrimas que eu chorei na final da Libertadores de 2006 quando o Fernandão levantou a taça eram verdadeiras. E as dele também.

Nesse caso da sua volta ao Brasil, Fernandão pode ter tido uma atitude "emotiva", mas a ida dele pro Goiás deu uma mostra de que existe outro jeito em que as coisas podem ser feitas. E tem ganho elogios pela atitude e ainda mais respeito.

O que aconteceu com Fernando Carvalho? O sucesso lhe subiu à cabeça? Primeiro foi o fiasco de querer criar sozinho um fato de desequilíbrio nas vésperas da final da Copa do Brasil, com o mal-fadado DVD querendo fazer pressão na arbitragem. Agora esse rolo com o Fernandão, ao mesmo tempo que ele faz ouvidos surdos e prefere ficar fazendo picuinha com o Grêmio em função da patética Copa Suruga. Sobre o fiasco, FC continuou sendo meramente político.

E por que não trazer Fernandão? Uns dizem que uma eventual má fase dele por aqui iria "macular a imagem do ídolo". Isso é preferir preservar a marketability do produto "ídolo" do que considerar a pessoa. Outros dizem que está "velho" com 31 anos. Enquanto isso, o Inter acabou de anunciar Edu, de 30. Eu acho que a volta do Fernandão teria sido o "fato novo" que o Inter precisava para dar aquela sacudida e afastar a má fase em que se afundou nos últimos meses, e daria ao Inter uma liderança que às vezes não encontra no Tite.

Fernandão e Iarley -- eu queria esses dois no meu time. F9 de volta ao clube que o formou, o clube que era o seu sonho de criança. De volta a formar dupla com Iarley, que continua metendo gol a cada rodada. Com o técnico com o qual foi campeão da Série B em 1999, maior feito do clube até então. Vários amigos já me ouviram dizendo em outros tempos que o Campeonato Brasileiro é uma competição "jovem" comparada aos campeonatos centenários da Europa e que existirem clubes que sempre brigam mas não têm título nacional é só questão de tempo. E eu sempre dava como exemplo o Goiás. Bom, do Goiás desse ano eu não duvido mais nada. Pois eles estão em boa fase e agora eles têm o "fato novo".

Sábado, 29 de agosto, Fernandão vai se reencontrar com o Beira-Rio e nós vamos nos reencontrar com nosso maior capitão. Mas não era pra ser desse jeito.

8 comentários:

  1. Dilermando Cattaneo7 de agosto de 2009 23:24

    Cara, parabéns pelo texto.
    Concordo com quase tudo...
    E a resposta do Fernandão, no Arena Sportv, sobre "macular a imagem de ídolo" caso voltasse, foi sensacional, demonstra o jogador diferenciado que ele é: tem cérebro...

    Só acrescentaria o fato de que o Fernando Carvalho e cia. esqueceram do futebol e só pensam do vista empresarial dos negócios do futebol. Acho triste isso, já que não torço para uma "empresa" (cujo objetivo maior é ter lucros), mas sim para um CLUBE que, através do seu TIME, busca vitórias e títulos, coisa que o Fernandão sabe fazer muito bem...

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  2. Já que o Hisham não fez comentários sobre a série D, aí vai uma notícia de extrema importância para o futebol brasileiro!!!

    Equipe desiste do campeonato e clássico da Série D é cancelado

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  3. Desculpem o atraso pra postar.

    O Grêmio saiu do jogo no Palestra Itália com um resultado bom. Mas não tão bom quanto poderia ser. Mais uma vez os gols perdidos fizeram a diferença, e o Tricolor poderia ter conquistado - de novo - a primeira vitória fora de casa. Se continuar com essa rotina, vai ter que ganhar TODAS as partidas no Olímpico para pensar no G4. Blecaute total nos primeiros 30 minutos, quando o placar de 1 a 0 pro Palmeiras foi pouco. O time gremista parecia ter contraído a "gripe do porco". O ponto positivo foi Douglas Costa ter começado como titular, o que deu uma dinâmica interessante pro ataque gremista - ao meu ver, mais opções de jogadas ofensivas. E Maxi López mais uma vez mostrou a importância de se ter um centroavante de ofício no time, com sequência de jogos e melhor servido pelo esquema.

    Agora, sobre a notícia muito bem apurada pelo Roberto lá da Europa. Uma pena pra série D, já que o campeonato vinha numa dinâmica muito interessante. Espero que isso não prejudique o andamento do certame.

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  4. Lamento muito pelo ocorrido com o Fernandão. Foi totalmente inverso do que vimos no DVD do Inter sobre a conquista do Mundial: logo no início tem a declaração do Fernandão dizendo "Pô, o Fernando Carvalho veio até Goiás só pra falar comigo e apresentar qual era a proposta do clube e os títulos que pretendia conquistar... ali que eu vi que era um clube sério!"

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  5. Sim, o próprio F9 fez em entrevistas essa comparação dizendo algo do tipo "da outra vez voaram do sul até Goiás pra conversar 2 horas comigo pessoalmente e dessa vez não se dignaram a me ligar".

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  6. Será que eu comento? Estou na dúvida, tenho uma opinião muito discordante e futebol é a maior das Éris que existem... ;)

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  7. Manda bala, Ulisses!

    "Sua opinião é muito importante para nós!"

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  8. Olá, ainda sobre este assunto do F9: Vale lembrar que Fernandão "fechou as portas" ao INTER quando foi para o Catar GANHAR DINHEIRO e não se preocupou nenhum pouquinho em como ficaria o INTER sem sua liderança. Simplesmente foi. Quanto ao tratamento recebido de parte de Fernando Carvalho, perguntem ao Clemer ( ele e o FC davam como certa a contratação), goleiro do INTER, pois, pelo que se via, Fernando Carvalho e Fernandão se tornaram amigos e, acredito, que no pensamento de FC não existia qualquer intenção de formalidades, mas certeza de que o negócio estava fechado. Acho que Fernandão atropelou, interpretou mal e falou antes do tempo, causando todo este mal estar, de forma carente e infantil ( pq será que ele chegou de helicóptero no Serra dourada?? ), querendo notoriedade ao invés de amizade.

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