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terça-feira, 14 de julho de 2009

O homem por detrás do poder

Tempos atrás, em algum post do Sol Desafinado, o Ulisses havia pedido para eu escrever sobre a crise no Senado. Mas acho que isso tá mais do que falado em todos os meios de comunicação e eu não iria acrescentar em nada na história. Para quem estiver por fora e quiser entender o que está acontecendo, tem um resumo bem legal no G1.

De qualquer forma, não posso ficar alheio aos últimos escândalos políticos ocorridos no nosso país. Assim, resolvi fazer uma rápida pesquisa do pivô de toda a crise. Acabei encontrando uma série de acontecimentos muito interessantes na vida pública de José Sarney, que ajudam a entender porque ele é considerado um dos políticos mais influentes do Brasil pós-Getúlio.

Sarney é um amuleto político da história do Brasil. Quem está com ele, está tranquilo. Quem está contra... tsc, tsc, tsc... coitado!

Sua mística começa nos conturbados anos 60. Jango, sentindo que ia levar ferro, resolveu convidar o pessoal da UDN para dialogar. Tentou a nomeação de José Sarney para ministro afim de acalmar os ânimos da oposição. O PTB não gostou da idéia e pressionou o presidente, que recuou. Menos de um ano depois, este foi deposto e o PTB fechado por conta do regime militar.

Com o golpe, Sarney se bandeou para a ARENA, prestando apoio ao regime. Os milicos mantiveram o poder sem maiores problemas por um bom tempo. Na reabertura política, o MDB virou PMDB e a ARENA se transformou em PDS. A escolha do candidato à Presidência da República pelo PDS gerou brigas internas. Sarney se desentendeu com o partido e acabou mudando para o PMDB, tornando-se vice do Tancredo Neves, que faleceu antes de ser empossado.

Quando o Presidente eleito morreu, houve uma discordância sobre quem deveria assumir a cadeira: o Vice-Presidente ou o Presidente da Câmara dos Deputados, Ulisses Guimarães. Por fim, decidiu-se por Sarney. Alguns anos depois, quando estava se encaminhando para ser o próximo Chefe de Estado, Ulisses Guimarães caiu de helicóptero e nunca mais fora encontrado.

Em 1990, o adversário político de Sarney, Fernando Collor de Mello, assumiu a Presidência. Acabou sofrendo o Impeachment. Itamar então herdou o cargo e rapidamente buscou trazer o agora Senador para seu lado. Terminou o mandato em alta como o presidente do Plano Real e do fusquinha. Fernando Henrique acabou se elegendo e assumindo a presidência com o apoio do Sarney. Conseguiu inclusive se reeleger! Na eleição subsequente, Lula venceu o sucessor do FHC. Quase se meteu em confusão com a história do mensalão. Mas conseguiu superar os problemas no seu governo porque o amuleto estava agora ao seu lado. Seguindo seu antecessor, também se reelegeu facilmente.

No início de 2009 Sarney então se tornou Presidente do Senado com apoio do governo e de boa parte da oposição. Surgiram então as denúncias de atos secretos, esdrúxulas criações de cargos, nomeação de amigos e parentes, desvios de dinheiro para museus particulares, contas no exterior... E mesmo estando no centro de todo o escândalo, ninguém (principalmente o Lula) é bobo de se meter com ele... Se engana quem acha que José Sarney está velho e vai morrer daqui a pouco... pois ele é Imortal!!!

Agora algumas curiosidades sobre este vulto da política nacional:
  • Nasceu no Maranhão em 1930;
  • Seu nome de batismo é José Ribamar Ferreira de Araújo Costa. Ele assumiu o "Sarney" de seu pai, Sarney de Araújo Costa, pois era um nome influente na política do estado;
  • Apesar de ser maranhense, é Senador desde 1990 pelo estado do Amapá;
  • Graças às suas grandes obras literárias, detém a cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras e é Acadêmico Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa;
  • É no momento, o membro mais velho da ABL e do Senado.