Recentemente, um executivo de algum estúdio em Hollywood confessou que o novo foco da indústria cinematográfica americana é investir em filmes que possam desencadear franquias rentáveis – algo do tipo a saga Harry Potter, por exemplo. O novo arquétipo destas novas franquias é a trilogia malenjambrada Piratas do Caribe: o primeiro filme foi feito sem maiores compromissos do que ser uma reciclagem de um subgênero (as fitas de pirata) para o público do novo milênio. O retorno foi tão bom que alguém decidiu arbitrariamente que A Maldição do Pérola Negra nada mais era do que o início de uma história mais longa e forçou-se, assim, a produção de outros dois filmes.Para os próximos anos, podemos esperar o reinício de várias franquias do passado (que, no jargão cinematográfico atual, chamam-se reboots): Robocop e Conan estão previstos para recomeçar do zero (como é o atual Star Trek e como foi uns anos atrás Cassino Royale para James Bond). Fora, é claro, todos os próximos filmes produzidos através da Marvel: o que já era uma saga em si só, o universo X-Men, agora virou uma franquia de spin-offs (outro termo moderno) – ou seja, filmes relacionados com o universo, mas que exploram subtramas e não dão seguimento à história principal.
Outro exemplo da Marvel são as atuais produções que devem, no final, se encaixar uma na outra: Homem de Ferro não só resultou na sua sequência, a ser lançada no ano que vem, mas vai ter relações com filmes previstos para o Capitão América e Os Vingadores. Fora que o novo Hulk (que já tem relação com Homem de Ferro) simplesmente dispensou aquele dirigido por Ang Lee uns anos atrás, como se nunca tivesse existido.
Para acompanhar este imbróglio todo, só sendo muito nerd mesmo...
Mas enfim, o que estes filmes em série, como todos seus reboots, spin-offs, sequências e prequels representam de fato? Um impulso criativo de cineastas, fascinados por universos específicos, ou pura ganância? É fato que os filmes de franquia geram uma receita incrível, que transcende as bilheterias e se materializa na forma de produtos licenciados. Assim também como é fato de que estas grandes sagas de fantasia são responsáveis pela criação das mitologias modernas: aqueles conjuntos de histórias que, por mais irreais que sejam (e por isso mesmo), são representações perfeitas da nossa mentalidade enquanto sociedade.
O que vocês acham?
