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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os astros de ação e seus públicos-alvo


Semana passada, estava conversando com o pessoal que faz oficina de audiovisual comigo no Pontão de Cultura de São Leopoldo -- incluindo o Silvio -- e debatemos mais uma vez um dos nossos assuntos favoritos desde que o curso começou: Steven Seagal. Ou vocês achavam que a gente discute Godard e Antonioni? Bem, de qualquer maneira, o Steven Seagal é um ótimo exemplo para muitas questões acaloradas no mundo da Sétima Arte, que vai desde a legitimidade do cinema autoral até os desejos dos públicos específicos, e por aí vai.

No caso, estávamos reacendendo esta última discussão, a do público-alvo. Semanas antes, eu havia apontado para qual nicho de mercado e para qual o tipo de consumidor que Seagal fazia os seus filmes. A Joelma, mulher do Silvio, comentou que era verdade, o ator (????) tinha de fato uma legião fiel de fãs num determinado segmento da sociedade. Rapidamente, elaboramos em conjunto uma teoria sobre os astros de ação dos anos 80 (os famosos brutamontes) no que tange ao direcionamento dos seus filmes para certas plateias, o que explicaria o seu sucesso. Vamos às nossas conclusões:

1. Astro: Steven Seagal / Público-alvo: as velhinhas - é incrível como as vovós gostam do Steven Seagal. Elas assistem aos filmes do cara com ardor e satisfação sádicos no olhar. Foi este fenômeno que me chamou a atenção para a questão, e a única explicação que me veio (fora alguma fantasia sexual específica das mulheres avançadas na terceira idade) é que Seagal faz filmes absolutamente moralistas. Bandido, terrorista, punguista, valentão, não interessa: todos eles levam porrada na cara e saem com meia dúzia de ossos quebrados. Fora que o cabelo dele não levanta sequer um fio daquela capa de gel e o terno nunca fica sequer esgarçado - o que nos remete à imagem do "orgulho da vovó", do cara eternamente alinhado, mesmo nas situações mais impróprias. Não é à toa que as produções mais recentes dele saem direto no mercado de home video: as senhoras já não curtem mais ir ao cinema, preferem mesmo o dvd.

2. Astro: Sylvester Stallone / Público-alvo: a classe operária - já Stallone achou um poderoso nicho econômico dentro da classe operária norte-americana. Todos os seus personagens são hard workers, vindos do subúrbio ou do interior. Eles pegam no pesado para conquistar seus sonhos ou defender o seu país; são homens de sentimentos e vontades simples (lutar contra Apolo, o Doutrinador, ou vencer a Guerra do Vietnã). Se o interiorano Rambo ou o suburbano Rocky são os melhores casos, temos ainda o excelente exemplo de Falcão, o Campeão dos Campeões - ou este outro que mostra o seu amor pelos esportes de massa, eterna paixão das classes trabalhadoras.

3. Astro: Jean-Claude Van Damme / Público-alvo: garotas recém entradas na adolescência - mais um musculoso que faz filmes para mulheres: se Seagal atrai as vovós, Van Damme vai em cima das pré-adolescentes. Todos os seus filmes fazem questão de mostrá-lo sem camisa em boa parte da trama (poderiam ter sido escritos pelo Carlos Lombardi), além de mostrar suas pernas e, invariavelmente, a sua bunda. Há sempre uma cena (des)necessária nas produções do belga, em que ele abre um espacato em meio à pancadaria (bem, talvez o público-alvo dele seja outro e eu é que estou sendo inocente...). De qualquer maneira, há normalmente um interesse romântico estereotipado: nunca uma mulher independente e decidida, mas sempre o tipo "princesinha doce e indefesa", com um jeitinho meio virginal. Perfeito para as mocinhas.

4. Astro: Arnold Schwarzenegger / Público-alvo: os nerds - nos anos 80, ninguém dos supracitados fez mais sucesso do que Schwarza, e o motivo é simples: ele acertou no público que mais consome cinema e cultura pop, os nerds. Alguns exclamarão: Schwarzenegger nerd? Impossível! Mas é verdade. O cara pode ser um brucutu, mas a sua fama veio com filmes sobre robôs assassinos do futuro, alienígenas malvados que caçam gente ou aventuras de espionagem em Marte. Mesmo quando faz algo épico, é mais RPG do que epopeia. E quando se aventura na praia de Stallone e faz o bom americano que quer resgatar a filha, o resultado é esse. Quer algo mais geek?

5. Astro: Dolph Lundgren / Público-alvo: os perdedores - o sueco é o seu próprio público-alvo, um perdedor total. O cara só é lembrado por ter sido o vilão em Rocky IV -- ou por ter sido a versão em carne (muita carne) e osso de He-Man. Coitado...

E aí, amigos solistas, vocês me ajudariam na análise mercadológica dos astros de ação dos anos 70, como Charles Bronson e Bruce Lee? O estudo inicial ficou circunscrito apenas aos anos 80...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Top Seven: Filmes Brasileiros Polêmicos


O Emílio sugeriu, mês passado, um post baseado numa lista dos 10
filmes mais controversos e polêmicos do cinema
. Na hora eu pensei: mais legal é fazer uma lista com filmes nacionais. Afinal de contas, qualquer top-alguma-coisa de produções internacionais conterá os mesmos títulos (no caso dos polêmicos, presenças certas de Laranja Mecânica, O Último Tango em Paris e um dos favoritos do Chico, Um Cão Andaluz), com poucas variações. Mas desconheço uma listagem assim para as produções tupiniquins.

Então elaborei a minha própria coletânea de sete filmes polêmicos realizados no Brasil. Por que sete? Bem, porque é mais justo que um "top five" (ao incluir aqueles títulos que a gente sempre gostaria de colocar) e mais objetivo que um "top ten" (ao descartar a necessidade de se tirar filmes da cartola só para preencher os espaços restantes). E porque, enfim, falamos da Sétima Arte:

7. Deus e o Diabo na Terra do Sol (direção de Glauber Rocha, 1964): quem conhece os meus gostos cinematográficos sabe o quanto eu sou crítico ao movimento do Cinema Novo e, acima de tudo, à obra de Glauber Rocha. Este é considerado seu filme mais importante, e causou celeuma à época por conta de uma cena em que um bebê era assassinado durante um sacrifício religioso. Hoje, o debate em torno dele centra-se entre os que defendem seu status de obra-prima e os que dizem que ele é uma grande merda. O que importa é que a polêmica continua.

6. Como era Gostoso o meu Francês (direção de Nelson Pereira dos Santos, 1971): parte do ciclo final do Cinema Novo, esta aventura satírica incomodou o público no início dos 70, ao mostrar o seu elenco nu (lógico, a história se passa numa tribo indígena do século XVI), falando uma língua exótica (tupi) quase sem usar legendas e terminando (para o horror da plateia) num ritual antropofágico onde se devorava o protagonista branco -- tudo devidamente realçado pelo uso de película colorida (de uso esporádico no Brasil àquela época).

5. Bonitinha mas Ordinária (direção de Braz Chediak, 1981): não era a primeira adaptação rodriguiana para o cinema, mas certamente foi uma das mais rumorosas -- graças especialmente à transcrição cinematográfica do estupro coletivo. Tentando soar séria mais com os dois pés no trash, a cena é tão exagerada (com Lucélia Santos berrando "NEGROOOO!") que tu não sabe se ela é perturbadora ou se é hilária. Hoje, o filme é lembrado pela piada do contínuo e por ser, bem, muito ruim mesmo. Esperar o quê de um diretor que fez fitas que atendem por títulos como Eu Dou o que Ela Gosta e Banana Mecânica???

4. Os Cafajestes (direção de Ruy Guerra, 1962): o filme que nasceu para ser polêmico. Os Cafajestes é imensamente conhecido por ser a primeira produção nacional a mostrar uma cena de nu frontal. No caso, a atriz que realizou a proeza foi Norma Bengell (que, apesar de hoje ser um jaburu, já foi musa), contracenando com ninguém menos que Jece Valadão, o deus supremo dos cafajestes (da classe, não só do filme).

3. À Meia-Noite Levarei sua Alma (direção de José Mojica Marins, 1964): os cineastas do Cinema Novo podiam até achar que estavam revolucionando e contestando a sociedade. Mas transgressão mesmo foi a do heroico José Mojica Marins, na pele de Zé do Caixão. O primeiro filme com o personagem (um agente funerário psicopata ultracético) tem assassinatos, mutilações, suicídios, exposição de cadáver, alucinações, estupro e demais sanguinolências -- tudo isso embebedado pelo discurso antirreligioso e antissocial de Zé do Caixão, uma verdadeira sequência de porradas nos valores cultivados no Brasil da época. Nos anos seguintes, a subversão da obra de Mojica só aumentou (com banquetes canibais, descidas a infernos congelados e sexo explícito). Não é à toa que o homem tem o epíteto de "maldito".

2. Tropa de Elite (direção de José Padilha, 2007): Nenhuma película recente propôs tamanho falatório nos meios de formação de opinião como esta visão do até então documentarista Padilha a respeito da polícia brasileira. Fenômeno popular como nenhum filme conseguiu ser no Brasil, a obra foi tachado de ser fascista (mesmo não sendo esta a intenção do diretor) e, mais incrível ainda, louvada exatamente por este hipotético conteúdo de extrema direita. No fim das contas, as reações a Tropa de Elite mostraram o quanto nosso país ainda recorre à idealização da violência como melhor remédio para nossas mazelas.

1. Rio Babilônia (direção de Neville D'Almeida, 1982): os filmes de Neville D'Almeida poderiam encher quase que esta lista inteira -- ele, que é um dos diretores mais constantes da nossa cinematografia (constantemente ruim, entendam bem). São dele joias do trash erótico (um subgênero?) nacional como Os Sete Gatinhos e A Dama do Lotação. Este Rio Babilônia ajudou a criar o imaginário popular de que "filme brasileiro só tem putaria". A trama mistura violência, consumo de drogas e orgias quase explícitas. A cena símbolo da produção é daquelas que quase todo mundo lembra, mas não admite: um molhado ménage-a-trois (ou seja, sacanagem da braba) numa piscina entre Denise Dumont, atriz icônica do espírito liberal oitentista, e dois sujeitos. Não sabe? Ora, a moça caía de boca no cara sentado na escadinha da piscina, enquanto o outro indivíduo mandava ver na outra ponta -- e não é figura de linguagem: reza a lenda que o ator de fato "entrou" no personagem (o da Denise Dumont, não o dele). No melhor estilo carioca da época, nenhum dos envolvidos desmentiu ou confirmou o acontecido.

Agora... Como diabos deverá ser o tal Banana Mecânica?

Update -- corrigindo injustiças: como toda lista de mais/melhores/piores, esta também tem sua ausência importante, bem lembrada pelo Fábio: Amor Estranho Amor (direção de Walter Hugou Khouri, 1982). Uma das personagens do filme, a prostituta ninfeta Tamara, é representada por Xuxa Meneghel (que, na época da filmagem, tinha 16 anos) e conhecida a sua cena de sexo um ator que na época tinha 12 -- nada demais, já que, no adiante da história, o menino transa com a própria mãe, feita por Vera Fischer.

A controvérsia se instaurou quando o filme foi lançado em VHS em fins daquela década, coincidindo com o ápice de Xuxa como apresentadora infantil. Num ato de censura tola, a "rainha" comprou os direitos do filme após batalha juducial e impediu a sua distribuição. Pessoas foram contratadas para comprar as cópias restantes nas locadoras. O ato apenas gerou mais publicidade gratuita para a produção, e, no fim das contas, foi inócuo: além de ser possível baixá-lo na íntegra pela internet, Amor Estranho Amor foi lançado em DVD nos EUA em 2005, apesar dos esforços de Xuxa de impedi-lo. É possível adquirir o filme em qualquer site de venda de DVDs norte-americano.

Então, Amor Estranho Amor é o "número 0" desta lista. ;)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O valor dos clichês

Esses dias estávamos conversando por email e veio o assunto daqueles rankings bobos de "melhor guitarrista de todos os tempos" e "melhor filme de todos os tempos". Sobre os guitarristas, eu falei meio brincando que fazendo uma lista com Jimi Hendrix em primeiro e Eddie Van Halen em segundo, eles poderiam distribuir as demais posições à vontade. Pouco tempo depois, como eles sempre aparecem, pintou mais um desses rankings de guitarristas. O Chico comentou que Hendrix em primeiro já virou "modinha". O Ulisses fez um comentário interessante:
Jimi Hendrix melhor guitarrista é que nem Cidadão Kane como melhor filme: todo mundo aceita, mas ninguém lembra mais porquê.
Eu concordo com a observação, mas ao mesmo tempo se eu tivesse que fazer uma lista eu realmente colocaria o Hendrix em primeiro, mesmo não sendo nem de longe o meu guitarrista preferido. Motivo: os anos passam e eu não paro de me surpreender da influência que ele teve. De tempos em tempos eu me dou conta de que alguma coisa muito fundamental relativa ao mundo da guitarra se deve a ele (por exemplo: a música Sgt. Pepper's, dos Beatles).

Pra justificar o Hendrix em primeiro, é só ouvir o som da guitarra antes e depois do cara e tentar procurar alguém que promoveu tamanha mudança.

Cidadão Kane é um dos meus filmes preferidos (e preferiria revê-lo a ouvir um disco do Hendrix) e eu sei que nem de longe eu consigo dimensionar o impacto que ele teve na história do cinema, mas só pelo fato de que ele é um dos poucos filmes antigos que quando vi fiquei com a impressão "é um excelente filme" em vez de "é um excelente filme de mil-novecentos-e-guaraná-com-rolha", eu tendo a aceitar vê-lo em primeiro nas listas.

Sim, Hendrix em Kane em primeiro nas listas são dois clichês, mas os clichês não se formam do nada.

Falando em clichês, ontem o Chico me perguntou se eu tinha ouvido as músicas novas do Kiss e do Bon Jovi -- dois veteranos do rock que estão pra lançar discos novos. Não tinha escutado, mas depois parei pra ouvir.

A música nova do Kiss, Modern Day Delilah é um anacronismo intencional total: eles disseram que queriam fazer um disco que soasse como um dos seus álbuns clássicos dos anos 70. Sonoridade, letra e melodia totalmente retrôs, calcadas em cima dos clichês que o Kiss ajudou a construir. Curiosamente o bridge e o refrão (que eu achei a parte mais fraca da música) me soaram mais Kiss 80s do que Kiss 70s. Estou ouvindo agora uma segunda vez e tenho que citar o meu desgosto com o solo: o cara imita os trejeitos do Ace até no estilo da palhetada, pra fazer a música "soar Kiss". Só teve uma coisa que me deixou pensando quando ouvi a música a primeira vez ontem: tudo é clichê e genérico e não posso dizer que "gostei" da música, mas o riff é muito bom. Ouvindo agora a segunda vez, fico me perguntando se não é talvez a única coisa não-datada na música. Ele soa clichê também? Eu não sei, é uma pergunta pros amigos. Será que não soa clichê pra mim só porque eu gostei? Pra mim ele soa como se pudesse estar num disco do Led Zeppelin nos 70s, ou do Tesla nos 80s, ou do Soundgarden nos 90s, ou do Audioslave nos 00s. Por outro lado, talvez o "soar moderno" dele seja porque ele soa parecido com o tema principal de um single do Black Eyed Peas lançado no início desse ano! (Taí uma possibilidade de mashup engraçada!)

Já a música nova do Bon Jovi, We Weren't Born to Follow parece outro tipo de clichê. A música também é toda feita de elementos que a banda já explorou em anos e discos anteriores: a paradinha antes do refrão, a letra esperançosa, a dinâmica, o "jingle-jangle" do andamento mid-tempo... Por um lado ela me soa um pouco mais original que a do Kiss, porque os elementos são característicos da fase recente da banda e não um movimento retrô explícito -- ela é projetada pra tocar na rádio atual junto outras músicas e não soar "velha", enquanto a do Kiss é projetada pra tocar no shuffle dos fãs de Kiss junto com os outros clássicos. Mas não tem nada na música do Bon Jovi que me impressione; me soou como uma música "média" em todos os aspectos, e isso talvez seja pior do que soar datado.

E aí? O artista está na prerrogativa de viver à base dos clichês que ele mesmo criou? A tarefa de quem trabalha com processos criativos não seria, bem, continuar criando? Por outro lado, o clichê perde a validade com o passar do tempo? Aliás, ele não se constitui justamente com o passar do tempo? Ou é esse o tempo de vida de uma ideia, que nasce genial, vira clichê e, como disse o Kundera, depois vira kitsch e finalmente é esquecida?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Kikitos de Gramado: melhores frases

Terminou o Festival de Gramado, o filme vencedor, Corumbiara, é incrível e mereceu seus cinco prêmios, a ressaca moral de ter ido à Villa de Caras é maior do que a ressaca tradicional das Stella Artois de graça, vimos a Xuxa e vários "famosos quem?" querendo chamar a atenção. E, como toda boa aglomeração humana, o pendor para o hilário foi maior do que para o sisudo. Abaixo, algumas das melhores frases e diálogos do festival:

Sobre o Discurso de Xuxa:

Xuxa (terminando sua fala no púlpito): Não tenho vergonha de dizer que sou loura, sou povo e vitoriosa.

(não bastou ela dizer que era "suburbana" e que era "povinho". Precisava de um final arrebatador!)

Zé Vítor Castiel (puto da cara, tentando retomar o cerimonial enquanto a imprensa tumultuava o recinto durante a saída de Xuxa): Voltemos ao Cinema!

Anônimo na plateia (apoiando com aplausos Zé Vitor): É isso aí!

Outro anônimo na plateia (ao iniciar um clipe com cenas dos filmes da Xuxa): Amor estranho amor!!!

Eu (durante o mesmo clipe): Fuscão Pretoooooooo!

No debate sobre sobre Canção de Baal:

Um crítico da Rádio CBN: Eu entendi a história. Quer dizer que ela foi mal contada?

O mesmo crítico da Rádio CBN: Você disse que fez um filme para que as pessoas sentissem. Eu não senti nada, ao não ser sono e tédio.

Na entrada da ExpoGramado, onde fica a administração do Festival:

Paulo Baiano (jornalista louco, cinquentão e com dread locks com aparência centenária): Eu precisava de uma tranfusão de sangue. Só que os morcegos fazem transfusão de sangue. Eles mordem uma pessoa aqui (apontando para o pescoço) e, quando morde outra pessoa, passa o sangue pra ela. Eu precisava da transfusão, mas daí um morcego me mordeu e me passou sangue. E estou vivo até hoje.

Eu (em resposta à constatação de Paulo Baiano, de que ele ainda estaria vivo): Tem certeza?

Sobre o clima de Gramado:

Alessandra (membro do júri popular, moradora de Salvador): Oxi... Vou falá lá em Salvador: cê abre o freezer e bota a cara dentro e pronto: isso é Gramado.

Dentro do Palácio dos Festivais:

Max, vencedor do último Big Brother (para um repórter que perguntou o que ele estava achando dos filmes): Não, cara, eu nem gosto muito de cinema.

O prefeito de Gramado (bebaço, reagindo à notícia do fim do chope Stella Artois na noite de terça-feira): Estou baixando um decreto municipal hoje, mandando que não falte mais cerveja!

Durante o churrasco na Villa de Caras:

Eu (para os demais integrantes do júri popular): Com todo este glamour, estas celebridades por perto, com toda essa pompa, não dá em vocês uma baita vontade... de peidar?

Na cerimônia de Premiação, sábado:

Helena Ignez (diretora do bendito Canção de Baal, num momento de total falta de modéstia ao receber um dos prêmios menores, o de melhor filme pelo júri da crítica): Não esperava subir no palco tão cedo.

(detalhe: esse foi o único prêmio do filme...)

Rogério Beretta (um dos Homens de Perto, fazendo uma intervenção cômica e recebendo um Kikito de chocolate): Eu queria dizer que eu sou povo. Eu sou suburbano. Eu sou careca mas sou vitorioso!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Kikitos de Gramado: a Xaga de Xuxa

Para quem não sabe, o que se prenuncia ser o evento maior deste 37o Festival de Gramado será hoje: a entrega de um prêmio especial para Xuxa, por sua "contribuição ao cinema nacional".

Hein? Como assim? Como que filmes (se é que são dignos deste nome) como Xuxa Requebra, Xuxa e os Duendes, Super Xuxa Contra o Baixo Astral podem ser considerados "contribuições" para alguma coisa, além, talvez, da disseminação do mau gosto? Pois é, amigos, a homenagem leva em conta os mais de 30 milhões de ingressos que seus filmes venderam -- um cálculo viciado, já que contabiliza cinco filmes com os Trapalhões, alguns deles com a formação original, sempre sucesso por si sós.

O interessante é que a filmografia de Xuxa que consta na programação oficial e no material de imprensa omite as produções prévias à fase familiar dos filmes de Maria da Graça Meneghel. O mais conhecido, lógico, é Amor Estranho Amor, de 1982, célebre por uma cena em que ela transa com um menor de idade (daí ela ser a "Rainha dos Baixinhos", por supuesto). Mas há algo infinitamente mais vergonhoso, uma obra anterior, chamada Fuscão Preto.

Também realizado no início da década de 80, o filme tinha um Fuca com personalidade, aos moldes do familiar Herbie, só que com intenções infinitamente mais escusas, como sua cor indica. E sim, é baseado na música "crássica" de Almir Rogério.

No filme, Xuxa transa com o carro (isso mesmo), enquanto se apaixona por ele. Neste vídeo do Youtube (o número musical do filme -- atentem para a cena a 2min30m) dá para ter uma ideia do tipo de passado Xuxa quer se desvincilhar. A tosqueira e o mau gosto são os mesmos. Só mudou o lado pudico.

Esta é só a introdução para um texto do Chico, que vai dar um relato de bastidores -- incluindo a chegada triunfal de Xuxa num helicóptero. Aguardem.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Risadas em diferentes idiomas

Uma coisa que é praticamente igual no mundo inteiro, independente de idioma, é o som da risada. Salvo variações pessoais, sempre soa de maneira geral como um "hahahahaha"... mas vocês já pararam pra pensar que em várias línguas não se escreve esse som com essas letras? Aqui vão alguns exemplos, com links para vídeos do Youtube onde usuários de diferentes lugares deixaram suas risadas por escrito:

Espanhol:
jajajajajajajajajajajaja

Russo:
хахахахахахахахахаха
(parece xis mas não é -- é um kha cirílico)

Grego:
χαχαχαχαχαχαχαχαχαχα
(a maioria dos gregos no Youtube digita usando o alfabeto latino,
usando "xaxaxa" ou "hahaha", mas dá pra ver a risada com alfabeto grego
na descrição desse vídeo)


Árabe:
هههههههههههههههههههههههه
(em árabe de maneira geral não se escrevem vogais,
então a risada é apenas a letra he -- sim, a mesma de Hisham -- repetida;
as letras "diferentes" nas pontas são a forma inicial e final da mesma letra.)


Hebraico:
חחחחחחחחחחחחחחח
(idem ao árabe -- e não, isso não é um ene :-) )

Japonês:
wwwwww
(esse é o único da lista que não é fonético:
eles usam o "w" latino -- vem de warau, que significa risada)



sexta-feira, 24 de julho de 2009

O Ministério da Saúde adverte...



...fumar é prejudicial à saúde. Dos humanos e das aves.

Aproveitando: quem aqui fuma ou já fumou cigarro?

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ora, Rrrrrrobin... é lógico...


Meu trabalho proporciona alguns prazeres às vezes inenarráveis. Um deles é fazer a agenda, um quadro onde eu cato no IMDB e na Wikipedia quem são as figuras do mundo cinematográfico que estão de aniversário durante a semana. Eis que, nesta semana, me deparo com uma surpresa: 6 de julho, aniversário de Burt Ward.
Burt Ward, cujo nome de batismo é Herbert John Gervis Jr., interpretou o personagem Robin na clássica série de TV “Batman”, dos anos 60 (que ainda contava com GÊNIOS como Adam West e Cesar Romero no elenco). Acontece que esta figuraça tem um site oficial onde ele, entre outras coisas, conta detalhes de sua carreira, responde a perguntas dos fãs e, claro, conta curiosidades sobre a própria vida.
Só pra deixar todos com vontade de entrar no site, aí vão três coisas que eu duvido que alguém saiba sobre o tio:
  1. Burt Ward, durante os 120 episódios da série, falou 352 “holy words”, segundo o site (os famosos "santa aventura, Bátima!", ou "santa sacanagem, Bátima!");
  2. Ele era vizinho e muito amigo de Bruce Lee;
  3. Esta é a mais bizarra: BURT WARD GRAVOU UM DISCO COM FRANK ZAPPA, chamado "Orange Colored Sky & Boy Wonder I Love You".

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Quinze anos do Plano Real, acreditam?

Pessoal, vocês creem que nossa moeda debutou esta semana? Pois é, o Real fez 15 na quarta-feira. Para os que tem por volta dos 30 (como eu) devem lembrar bem da euforia da época. Eu tinha 15 anos e foi um evento ir até o banco para pegar as primeiras notas do novo dinheiro. Era muito legal ver as notas de R$ 1, 5, 10 e 50 (as de R$ 2 e 20 ainda não existiam, e a de R$ 100 sempre foi lendariamente rara), com os animais da fauna nacional.

Isso porque ninguém aguentava mais as constantes trocas de moeda (num espaço de dez anos, foi de Cruzeiro para Cruzado para Cruzado Novo para voltar ao Cruzeiro para Cruzeiro Real para, enfim, Real), as notas de valores estapafúrdios (quem lembra que existiam notas de dez mil cruzados?) e as homenagens a vultos públicos duvidosos.

A forma engenhosa que a moeda foi trocada é algo que eu acho brilhante até hoje. Como a pura e simples troca de denominação da moeda já não surtia efeito nenhum na hiperinflação (cara, que tempo diferente era aquele!), precisava-se de algo mais inteligente. Eram os tempos do governo Itamar Franco, vice de Collor que assumiu após o impeachment. Aliás, na minha opinião, Itamar foi um melhores e mais divertidos presidentes da nossa história: em apenas dois anos e meio de mandato, ele controlou a inflação, estabilizou a economia, realizou um plebiscito sobre o retorno da Monarquia, relançou o Fusca e agarrou modelos sem calcinha no Carnaval carioca.

O ano de 1994 foi de uma euforia que superou 2002, com a festejada eleição de Lula e o Pentacampeonato: ganhamos uma Copa desacreditada com uma seleção empolgante, o Real surgiu valendo o mesmo que o Dólar e, para completar a comoção nacional, foi quando morreu Ayrton Senna, o heroi nacional que faltava desde sabe-se lá quando. Parecia que, depois de uma década perdida, seríamos novamente o país do futuro.

Por enquanto, ainda vivemos na promessa.

domingo, 28 de junho de 2009

Mais uma de Montenegro

Há um mês atrás, o Moser escreveu uma curiosidade sobre o município de Montenegro durante o Censo Nacional de 2001. Na ocasião, comentei que a cidade (que, por acaso do destino, é onde eu nasci e me criei) era uma bela duma Sucupira, só que real — ou não.

Para confirmar a minha declarção, eis que Montenegro volta aos noticiários: a primeira morte por vírus da Gripe Suína no Rio Grande do Sul e do Brasil pode ter acontecido dentro dos limites montenegrinos. A vítima seria um engenheiro norte-americano — que teve a infelicidade imbecil de sair do mundo civilizado para morrer logo adivinhem onde.

Só que a cidade é tão estapafúrdia que, quando parece que vai acontecer algo inédito, que Montenegro será conhecida pelo mundo todo, vem alguém e rouba a primazia — no caso, Passo Fundo, outro município onde só acontecem coisas esdrúxulas, como o caso da gata que deu à luz uma ninhada de cachorrinhos.

O que esperar de uma cidade que teve um maníaco estuprador conhecido como Tarado Mascarado à solta por 18 anos e que elegeu um deputado que quer fazer um trem-bala ligando Porto Alegre à praia?

Eu disse: daqui um pouco Montenegro vai precisar de uma seção para si no Sol Desafinado...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Qual filme eles queriam ter feito?

A revista britânica Empire teve uma ideia genial para a sua edição comemorativa de vigésimo aniversário: chamar ninguém menos que Steven Spielberg para ser o editor do número.

O conteúdo da revista perece mesmo fora de série: uma série de fotos muito legais, um perfil de Clint Eastwood falando dos seus mentores Don Siegel e Sergio Leone, Jack Nicholson relatando suas memórias de O Iluminado, uma lista de projetos de Stanley Kubrick que não saíram do papel (incluindo uma adaptação de O Pêndulo de Focault, de Umberto Eco), e por aí vai.

Talvez o mais interessante, porém, esteja nas entrevistas com 12 diretores contemporâneos, de diferentes gostos e procedências. Entre perguntas úteis e inúteis, foram questionados com a seguinte sentença: “Que filme gostaria de ter feito?”. As respostas são surpreendentes:
  • Catherine Hardwicke (a diretora da série de vampiros adolescentes Crepúsculo) queria ter dirigido Blade Runner (de Ridley Scott, 1982).
  • Danny Boyle (o oscarizado inglês que fez Quem Quer Ser um Milionário) queria ter feito nada menos que Apocalypse Now (de Francis Ford Coppola, 1979). Nada mau para quem já fez Trainspotting...
  • J. J. Abrams (criador da série Lost e responsável por uma das fitas que integram a Santíssima Trindade dos Filmes Ruins do Hisham, Missão Impossível 3) queria ter feito... Hum, algum filme obscuro de mistério? Não, uma comédia romântica dos anos 40, Núpcias do Escândalo (George Cukor, 1940)!
  • James Cameron (o gigante de O Exterminador do Futuro e Titanic) foi incrivelmente humilde (ou espertamente político) e prestou reverência ao próprio Spielberg, ao afirmar que queria ter feito Parque dos Dinossauros (de 1993). Aliás, me deu água na boca imaginar este filme nas mãos de Cameron...
  • Paul Greengrass (de Vôo United 93 e O Ultimato Bourne, baita diretor inglês) queria ter feito uma co-produção sessentista entre Itália e Argélia, o clássico A Batalha de Argel (de Gillo Pontecorvo, 1966).
  • O cultuado espanhol Pedro Almodóvar (Tudo Sobre Minha Mãe) preferia ter estado no lugar do genioso Orson Welles dirigindo A Dama de Shangai (de 1947).
  • O japonês Hayao Miyazaki (especialista em animações fantásticas, como A Viagem de Chihiro) não queria ter dirigido... Nenhum. Sujeito sem graça.
  • Sam Mendes (de Beleza Americana e Estrada para a Perdição) iria contra a sua própria realização esteticamente limpa fazendo Taxi Driver (de Martin Scorsese, 1976).
  • David Fincher (o brilhante diretor de Clube da Luta, Seven e do recente O Curioso Caso de Benjamin Button) lembrou do gênio Alfred Hitchcock: queria ter feito Janela Indiscreta (de 1954) – ou a comédia dramática Muito Além do Jardim (de Hal Ashby, 1979).
  • Andrew Stanton, outro diretor de animação (Procurando Nemo, Wall-E) faria uma homenagem à sétima arte com o italiano Cinema Paradiso (de Giuseppe Tornatore, 1988).
  • M. Night Shyamalan (o projeto indiano de “Hitchcock do Novo Milênio”, com seus filmes O Sexto Sentido e A Vila) faria A Última Sessão de Cinema (Peter Bogdanovich, 1971), que não tem muito a ver com a sua obra...
  • Por fim, o mexicano doido Guillermo Del Toro (O Labirinto do Fauno e Hellboy) faria dois filmes extravagantes como os seus: O Fantasma do Paraíso (de Brian De Palma, 1974) e A Noiva de Frankenstein (de James Whale, 1935).
Como a maior parte dos queridos Solistas Desafinados é composta de músicos, eu lhes pergunto: que música vocês gostariam de ter composto? E o pessoal que vem aqui nos prestigiar, qual obra de arte gostaria de ter feito?

(Claro que podem responder que filme vocês queriam ter feito, se quiserem, hehehehehe).

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pergunta cretina do dia


...por que o filme "O Náufrago" foi chamado assim em português, se o Tom Hanks cai de um avião?...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Meia lua + soco, understende?




http://www.rollingstone.com.br/secoes/novas/noticias/5409/

Estou tomando a responsabilidade dos posts com a tag "cultura inútil" (o que nada impede que outros o façam, lógico...). 

Sem mais,

Chico

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Modificações de guitarra "inusitadas"


Caros,


Como guitarrista que sou (e tem vários da minha espécie colaborando por aqui), compartilho com vocês um link pra dar umas risadas:


O título do post original é "20 modificações ridículas de guitarra". Não concordo com o "ridículas", acho algumas bem criativas até... trocaria o "ridículas" por um "inusitadas"...

Alguém arriscaria fazer isso com seus próprios instrumentos?