- Palmeiras 1x1 Grêmio (Campeonato Brasileiro)
- Inter 2x1 Oita Trinita (Copa Suruga, Japão)
Acho mais interessante comentar sobre o caso do Fernandão. Além de jogar uma luz sobre os problemas atuais do Inter, acho ele emblemático sobre o jeito que as coisas são feitas "no mundo de hoje", e não só no mundo do futebol.O que aconteceu foi que Fernandão esperava ser tratado como amigo, e foi tratado de forma "friamente profissional".
Ele havia se comprometido a priorizar o Inter na sua volta para o Brasil. Pela sua identificação com o clube, com a cidade, com a torcida. Todas essas coisas que as pessoas sempre dizem que "é tudo papo, jogador hoje em dia só pensa em dinheiro". Lógico, se pensa em dinheiro também. Afinal, quando o Fernandão saiu pra ir pro Qatar foi pela grana (e pela situação das coisas no Inter na época, não vamos esquecer).
Resumindo a história, ele anunciou que estaria deixando o Qatar mais cedo que o previsto e retornando ao futebol brasileiro. A expectativa toda na torcida e na imprensa era uma volta pro Inter (com opiniões contra e a favor). Carvalho reafirmava que o Inter tinha preferência no negócio e Fernandão que ele tinha preferência pelo Inter. Mas quem realmente demonstrava interesse em ter o jogador eram São Paulo, Santos e Palmeiras. Enquanto os paulistas eram abertos e diziam coisas como "o Fernandão tem o perfil do São Paulo" e Vanderlei Luxemburgo dizendo "estamos fortes na briga por Fernandão", em Porto Alegre as manchetes eram de "cautela". Fernandão estava ansioso: "É lógico que a primeira proposta que pretendo ouvir é a do Inter. Mas até agora não recebi nada". Ao que tudo parece, FC não queria Fernandão de volta e fez de tudo pra evitá-lo. Fernandão tentou fazer contato, não conseguiu, entendeu a indireta e surpreendeu a todos pondo de lado propostas do centro do país e voltando à sua primeira casa, o Goiás. Pra mim a atitude seca de Fernando Carvalho ficou evitente quando ele tentou se explicar, dizendo que tinha tentado entrar em contato com Fernandão falando que "Felizmente eu tenho prova documental, mas não quero usar isso." Contrastem com a versão de Fernandão: leiam o relato completo (não consegui selecionar um trecho para postar aqui, vale a pena ler tudo mesmo).
Fernandão anunciou sua ida pro Goiás através de uma ligação pro celular pessoal de Iarley, talvez para simbolizar a sua prioridade pela amizade. Nessa entrevista (vídeo), ele deixa isso bem claro. Futebol lida com emoções. É fácil ser cínico e dizer que "é tudo um grande negócio, todos os envolvidos só se importam com o dinheiro", mas isso não é falar a verdade completa. Sim, o beijo no distintivo de um jogador que é recém apresentado a um clube novo é falso, mas as lágrimas que eu chorei na final da Libertadores de 2006 quando o Fernandão levantou a taça eram verdadeiras. E as dele também.Nesse caso da sua volta ao Brasil, Fernandão pode ter tido uma atitude "emotiva", mas a ida dele pro Goiás deu uma mostra de que existe outro jeito em que as coisas podem ser feitas. E tem ganho elogios pela atitude e ainda mais respeito.
O que aconteceu com Fernando Carvalho? O sucesso lhe subiu à cabeça? Primeiro foi o fiasco de querer criar sozinho um fato de desequilíbrio nas vésperas da final da Copa do Brasil, com o mal-fadado DVD querendo fazer pressão na arbitragem. Agora esse rolo com o Fernandão, ao mesmo tempo que ele faz ouvidos surdos e prefere ficar fazendo picuinha com o Grêmio em função da patética Copa Suruga. Sobre o fiasco, FC continuou sendo meramente político.
E por que não trazer Fernandão? Uns dizem que uma eventual má fase dele por aqui iria "macular a imagem do ídolo". Isso é preferir preservar a marketability do produto "ídolo" do que considerar a pessoa. Outros dizem que está "velho" com 31 anos. Enquanto isso, o Inter acabou de anunciar Edu, de 30. Eu acho que a volta do Fernandão teria sido o "fato novo" que o Inter precisava para dar aquela sacudida e afastar a má fase em que se afundou nos últimos meses, e daria ao Inter uma liderança que às vezes não encontra no Tite.
Fernandão e Iarley -- eu queria esses dois no meu time. F9 de volta ao clube que o formou, o clube que era o seu sonho de criança. De volta a formar dupla com Iarley, que continua metendo gol a cada rodada. Com o técnico com o qual foi campeão da Série B em 1999, maior feito do clube até então. Vários amigos já me ouviram dizendo em outros tempos que o Campeonato Brasileiro é uma competição "jovem" comparada aos campeonatos centenários da Europa e que existirem clubes que sempre brigam mas não têm título nacional é só questão de tempo. E eu sempre dava como exemplo o Goiás. Bom, do Goiás desse ano eu não duvido mais nada. Pois eles estão em boa fase e agora eles têm o "fato novo".
Sábado, 29 de agosto, Fernandão vai se reencontrar com o Beira-Rio e nós vamos nos reencontrar com nosso maior capitão. Mas não era pra ser desse jeito.
