Pois então, falando em shows, aconteceu que Guns 'n' Roses e Dream Theater tocarão em Porto Alegre, satisfazendo velhos desejos dos seus fãs. Maravilha. Beleza. Mas as duas apresentações são no mesmo dia: 16 de março.
O Guns (ou Axl Rose e banda, caso queiram) vai se apresentar no Gigantinho; o Dream tocará no Pepsi On Stage. Não querendo dar uma de chato, mas nenhum dos dois locais me parece conveniente para as bandas. Show no Gigantinho tem acústica ruim e conforto zero, e o Guns tem cacife o suficiente para um espaço ao ar livre; já uma banda de progressivo poderia se dar melhor num teatro.
De qualquer maneira, uma questão se impõe: em qual deles ir? Qual a preferência dos caros solistas desafinados (e nosso fieis leitores)?
Eu posso dizer que já fui num show do Dream Theater (São Paulo, Monsters of Rock de 98, turnê do Falling into Infinity) e que nunca vi o Guns ao vivo. Entretanto, prestigiarei mais uma vez os meus antigos ídolos do metal progressivo (sim, já fui muito fã, um verdadeiro ytsejammer). Este arremedo do GNR eu não pretendo assistir nem mesmo pelo folclore de dizer "ah, eu vi Guns".
E vocês?
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Um solista no AC/DC: epílogo nas arquibancadas
Postado por
Ulisses
às
11:10
Finalizando meus relatos sobre o show bombástico do AC/DC em terras paulistanas, vamos à indiada propriamente dita.
Eu tive muita sorte de poder ir de carona com os meus amigos locais, Joel e Priscila -- porque, como eu já disse, chegar no Morumbi é um problema, e sair de lá é um problema maior ainda. Mas o engraçado é que São Paulo é tão descomunalmente megalópode, que nem mesmo os paulistas a conhecem direito. Meus amigos não tinham certeza de como se chegava ao estádio. Fora isso, já tínhamos saído com um carro quando lembraram que aquela placa não podia circular naquele dia/horário por causa do rodízio.
Após uma troca de veículos (e uma viagem de quase uma hora até chegar no estádio), encontramos o já citado estacionamento de R$ 100,00. Eu me dirigi ao meu setor dentro do estádio (a arqubancada mais próxima do palco). Arquibancada sim, por dois motivos: 1) eu queria assistir ao show, não agitar e 2) não tenho mais idade para a pista.
Estava eu lá, sentadinho num dos assentos da arquibancada, cercado por uma fauna que incluia piás bêbados, tiozões animados e famílias inteiras (ao meu lado estava uma mãe com o pecorrucho de uns 11 anos, que não tinha muita ideia do que estava acontecendo), quando aconteceu. Havia previsão de chuva para aquela noite, e o clima estava muito a fim de tornar a previsão realidade. De súbito, do meu lado do estádio, começaram a assomar-se imensas nuvens negras que, no melhor estilo "filme de fantasia dos anos 80", foram lentamente encobrindo o estádio.
Bem, aquela massa escura ia se deslocando lentamente por cima de nós, causando imenso frenesi. Subitamente, todos os vendedores de cerveja, pipoca e picolés sacaram capas de chuva e começaram a vendê-las para o público. Eu já tive a experiência de ver um show abaixo de um toró (Helloween e Iron Maiden, 1998) e sabia que, se chovesse de fato, aquelas capas baratas feitas com o mesmo plástico das sacolas de supermercado de nada serviriam. Por isso, fiquei sentado, quieto, aguardando.
Foi exatamente quando a nuvem negra pareceia estar indo embora (eu já via umas nesgas de céu por trás dela), a chuva começou: pingos pesados e intermitentes. Quase que imediatemente, o responsável pelo som mecânico dos P.A.s teve a abençoada ideia de pôr para tocar War Pigs, do Black Sabbath. Imediatamente, as tantas mil pessoas que já estavam no estádio naquela hora começaram a agir como se começasse uma apresentação do próprio Sabbath: batiam palmas no ritmo, cantavam a letra, faziam coro no riff.
E, tão logo a música terminou, a chuva também passou, num fim quase uníssono. Parecia ser um tributo que os deuses do rock queriam antes de permitir que assistíssemos aos australianos sexagenários.
Eu tive muita sorte de poder ir de carona com os meus amigos locais, Joel e Priscila -- porque, como eu já disse, chegar no Morumbi é um problema, e sair de lá é um problema maior ainda. Mas o engraçado é que São Paulo é tão descomunalmente megalópode, que nem mesmo os paulistas a conhecem direito. Meus amigos não tinham certeza de como se chegava ao estádio. Fora isso, já tínhamos saído com um carro quando lembraram que aquela placa não podia circular naquele dia/horário por causa do rodízio.
Após uma troca de veículos (e uma viagem de quase uma hora até chegar no estádio), encontramos o já citado estacionamento de R$ 100,00. Eu me dirigi ao meu setor dentro do estádio (a arqubancada mais próxima do palco). Arquibancada sim, por dois motivos: 1) eu queria assistir ao show, não agitar e 2) não tenho mais idade para a pista.
Estava eu lá, sentadinho num dos assentos da arquibancada, cercado por uma fauna que incluia piás bêbados, tiozões animados e famílias inteiras (ao meu lado estava uma mãe com o pecorrucho de uns 11 anos, que não tinha muita ideia do que estava acontecendo), quando aconteceu. Havia previsão de chuva para aquela noite, e o clima estava muito a fim de tornar a previsão realidade. De súbito, do meu lado do estádio, começaram a assomar-se imensas nuvens negras que, no melhor estilo "filme de fantasia dos anos 80", foram lentamente encobrindo o estádio.
Bem, aquela massa escura ia se deslocando lentamente por cima de nós, causando imenso frenesi. Subitamente, todos os vendedores de cerveja, pipoca e picolés sacaram capas de chuva e começaram a vendê-las para o público. Eu já tive a experiência de ver um show abaixo de um toró (Helloween e Iron Maiden, 1998) e sabia que, se chovesse de fato, aquelas capas baratas feitas com o mesmo plástico das sacolas de supermercado de nada serviriam. Por isso, fiquei sentado, quieto, aguardando.
Foi exatamente quando a nuvem negra pareceia estar indo embora (eu já via umas nesgas de céu por trás dela), a chuva começou: pingos pesados e intermitentes. Quase que imediatemente, o responsável pelo som mecânico dos P.A.s teve a abençoada ideia de pôr para tocar War Pigs, do Black Sabbath. Imediatamente, as tantas mil pessoas que já estavam no estádio naquela hora começaram a agir como se começasse uma apresentação do próprio Sabbath: batiam palmas no ritmo, cantavam a letra, faziam coro no riff.
E, tão logo a música terminou, a chuva também passou, num fim quase uníssono. Parecia ser um tributo que os deuses do rock queriam antes de permitir que assistíssemos aos australianos sexagenários.
sábado, 28 de novembro de 2009
Um Solista no AC/DC: o show em si
Postado por
Ulisses
às
16:56

O sub-título do post poderia ser "megaprodução é questão de detalhe".
De acordo com a divulgação oficial, a Black Ice World Tour foi o show mais visto este ano, batendo Madonna e U2. Em Buenos Aires, por exemplo, teve-se que marcar duas datas extras para dar conta da demanda por ingressos. Em São Paulo, reuniram-se 70 mil pessoas no Panetone (ver post abaixo), o que é o maior público do qual eu já participei.
Tudo no show é estrepitosamente grande. As dimensões do palco, por exemplo são titânicas: 78 metros de comprimento por 21 de pronfundidade, e o pé direito era simplesmente impossível de imaginar de tão alto. O palco era devidamente ornado com um telão atrás da bateria e dois nas laterais, esses na posição vertical. Fora dois imensos bonés com chifres no topo do palco.
A abertura é fora de série: começa com os telões exibindo uma animação de um Angus Young demoníaco perdendo o controle de um trem. Quando a máquina vem em direção ao público, a surpresa: o telão de dentro do palco se divide em dois e uma locomotiva cênica de seis toneladas invade o palco -- no que entra a banda para tocar Rock 'n' Roll Train, do novo disco. A locomotiva, aliás, é parte essencial do show: ela liberta labaredas de fogo em T.N.T., em sincronia com a música, e é montada por uma colossal boneca inflável (outro clássico dos shows da banda) em Whole Lotta Rosie.
O show é repleto de momentos para arrancar o grito do público, reformulando todas as clássicas teatralidades do AC/DC. O clímax é sempre os canhões disparando em For those about to rock (we salute you)? Ok, vamos então usar doze canhões desta vez. O vocalista Brian Johnson sempre toca um imenso sino em Hells Bells? Então vamos fazer aquele velhinho de 62 anos (sim, é a idade do cara) vir correndo por uma passarela de uns 50 metros que vai pista adentro, se jogar e se pendurar na corda do dito sino. Angus Young faz um longo solo no final? Então agora ele atravessa a tal passarela até chegar a uma plataforma giratória no meio do público, onde ele é elevado a uma altura de uns 10 ou 15 metros para ser visto por todo o estádio.
O incrível do espetáculo, contudo, não foi a sua grandiloquência, mas sim as suas sutilezas. O set de iluminação, por exemplo, ia sendo revelado aos poucos, e só lá pela sexta canção é que víamos todas as luzes. No decorrer do show, porém, é que descobríamos que elas ainda se moviam e trocavam de cor, em possibilidades quase infinitas de combinações. Além disso, outras pequenas e inteligentes sacadas traziam o público para dentro do show, como as câmeras buscando as mulheres da plateia durante Shook me all night long e The Jack para mostrá-las nos telões; ou, ainda, a parte do palco cujo chão era de acrílico, onde Angus Young podia reproduzir a clássica cena do clipe de Thunderstruck -- sim, posicionaram um trilho de travelling e uma câmera debaixo do palco somente para este momento. A já citada Rosie inflável, por exemplo, batia o pé no ritmo da música, e por aí vai. Chega, vou demorar demais se citar tudo o que me chamou a atenção.
Ah, sim, tem a parte musical: todo mundo sabe que o AC/DC não é nenhuma agremiação de virtuoses, mas nem por isso são desleixados. A banda executa as suas músicas simples como um relógio, sem erros. O set list impressionou pela inserção de várias músicas do novo disco, alternadas com os clássicos -- bandas sem a mesma antiguidade se rendem à segurança de tocar apenas seus sucessos. Os australianos mostraram que tem o culhão de desafiar a audiência a ouvir seu trabalho recente (muito bom, aliás). Então a banda pulava de faixas do Black Ice, como War machine, Big Jack e a faixa-título, para Back in black, Highway to hell e Let there be rock com a naturalidade de quem gosta do que está fazendo. Brian Johnson não faz mais tudo aquilo que fazia antes com a voz (notadamente em Hells Bells), mas também não tenta esconder este defeito.
Sim, Angus Young, devem estar querendo saber dele. Para quem já se acostumou a guitarristas mais técnicos, mais criativos e mais sofisticados, o solo de vários minutos que o sujeito faz pode ser perto de um suplício. Mas virtuose ou senso estético apurado não é o foco aqui: a ideia é a celebração do guitar hero -- do cara que se entrega como ninguém ao palco, esbanjando simpatia e felicidade. Eu já vi Malmsteen esmerilhar hipnotizantemente o seu instrumento para deixar o palco com um sonoro "fuck" para o público, e me ocorreu que Angus Young não é festejado pela sua grandeza musical, mas sim por representar que o rockstar é nada mais que um sujeito comum que realiza um sonho de adolescência -- tocar guitarra para uma multidão.
Bem-aventurados os simples de espírito, porque serão louvados, certo? Engraçado como isso pode ser apropriado para um cara que toca uma música chamada "estrada para o inferno" para setental mil pessoas enloquecidas, usando dois chifres na cabeça...
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Um Solista no AC/DC: siga o cabeludo de preto
Postado por
Ulisses
às
14:17
Estou em São Paulo para ver o show do AC/DC -- e aproveitar para fazer uma rápida cobertura de poucos posts.
Há uma regra universal no mundo dos show de rock: se tu fica meio perdido, sem saber como exatamente chegar no lugar onde vai acontecer o evento, é muito simples se achar. Basta seguir o cabeludo de preto. Pode ser um muquifo underground ou um megashow, seguir o cabeludo de preto é uma verdade absoluta. Nosso amigo Carlos "Iky" Porto, por exemplo, fez a temeridade de ir assistir ao Iron Maiden sozinho em Buenos Aires. Sem saber como ir da parada de ônibus para o estádio, ele passou a seguir os grupos de hermandos de camisetas pretas e longas melenas e pronto: chegou no local.
Claro que, quanto maior for o evento roqueiro, maior é o alcance do conceito do cabeludo de preto. Embarquei para São Paulo no dia anterior ao show, quinta-feira. Sequer tinha posto os pés no avião, ainda estava no passadiço que leva à aeronave, quando dois gurizões à minha frente se viraram e disseram:
- Cê vai no AC/DC, né?
De tanto ir em shows de rock, em dado momento tu mesmo pode virar um cabeludo de preto...
Há uma regra universal no mundo dos show de rock: se tu fica meio perdido, sem saber como exatamente chegar no lugar onde vai acontecer o evento, é muito simples se achar. Basta seguir o cabeludo de preto. Pode ser um muquifo underground ou um megashow, seguir o cabeludo de preto é uma verdade absoluta. Nosso amigo Carlos "Iky" Porto, por exemplo, fez a temeridade de ir assistir ao Iron Maiden sozinho em Buenos Aires. Sem saber como ir da parada de ônibus para o estádio, ele passou a seguir os grupos de hermandos de camisetas pretas e longas melenas e pronto: chegou no local.
Claro que, quanto maior for o evento roqueiro, maior é o alcance do conceito do cabeludo de preto. Embarquei para São Paulo no dia anterior ao show, quinta-feira. Sequer tinha posto os pés no avião, ainda estava no passadiço que leva à aeronave, quando dois gurizões à minha frente se viraram e disseram:
- Cê vai no AC/DC, né?
De tanto ir em shows de rock, em dado momento tu mesmo pode virar um cabeludo de preto...
sábado, 5 de setembro de 2009
Eu também compro CDs: Lifes Rich Pageant do R.E.M.
Postado por
Gustavices
às
10:22
Capa: O baterista Bill Berry na parte de cima, e bisões na parte de baixo.
Faixas:
Lado A – "Jantar"
1. "Begin the Begin" – 3:28
2. "These Days" – 3:24
3. "Fall on Me" – 2:50
4. "Cuyahoga" – 4:19
5. "Hyena" – 2:50
6. "Underneath the Bunker" – 1:25
Lado B – "Ceia"
1. "The Flowers of Guatemala" – 3:55
2. "I Believe" – 3:49
3. "What If We Give It Away?" – 3:33
4. "Just a Touch" – 3:00
5. "Swan Swan H" – 2:42
6. "Superman" – 2:52
Vídeos
Para saber mais:
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Dia Mundial do Rock: celebração cultural ou jogada de marketing?
Postado por
Ulisses
às
11:38
Parabéns a todos os amantes do Rock ‘n’ Roll, porque hoje, dia 13 de julho, é Dia do Rock (engraçado, uma segunda-feira ser Dia do Rock é uma espécie de contrassenso...) De qualquer forma, o dia está aí pra gente fazer o que bem entender com ele.A ideia da estrutura deste post é do Hisham e eu divido com ele a mesma condição: nunca lembro de quando é o tal “Dia do Rock” no meu calendário comemorativo. Nunca me recordaria, não fossem as menções nos portais de notícia.
Para conhecimento geral: o Dia Mundial do Rock surgiu por conta de um festival feito em 1985, simultaneamente em Londres e na Filadélfia (EUA). O motivo do concerto duplo era gerar doações e atenção ao problema crônico de fome na Etiópia, cuja população em estado quase cadavérico é uma das imagens mais marcantes dos anos 1980 (hoje, convenientemente esquecidas em favor do imaginário oitentista colorido e louco de faceiro). O idealizador do evento, chamado de Live Aid, era Bob Geldof e entre os artistas que participaram estavam Queen, Madonna, Dire Straits, U2, B.B. King, Eric Clapton e outros tantos – junto com Phil Collins, que conseguiu tocar nas duas cidades, voando rapidamente de uma para a outra.
Mas por que este evento criou o Dia Mundial do Rock? Aparentemente, pelo simplório fato de que alguém o quis (não encontrei menção na Internet de detalhes sobre esta escolha). Afinal de contas, o gênero já existia há algumas décadas e ainda não possuía nenhuma data oficializada. Como provavelmente pensar num Dia do Rock envolvendo os primórdios do estilo viraria um inútil debate, recheado de polêmicas de “quem fez o quê antes”, decidiu-se pela data do Live Aid e pronto – pelo menos é o que me parece.
O importante de perguntar é: por que institucionalizar um dia para o Rock? O rock precisa de um dia para si, ou tudo é uma esperta sacada de marketing? Vocês, com a palavra nos comentários!
terça-feira, 16 de junho de 2009
Rock x Drugs
Postado por
Silvio Moser
às
23:50
Quem de vocês já teve, como eu, associações na sua vida, principalmente profissional, entre curtir rock x uso de drogas? Eu tive, sobretudo quando sabiam da minha fissura por Pink Floyd, pois parece que para os leigos, quem curte PF é drogado. "Viajando hein?" foi um dos comentários que ouvi quando ouvia PF enquanto trabalhava.
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