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quarta-feira, 15 de julho de 2009

O Brasil que é apresentado aqui fora

Nesta semana foi ao ar aqui na Irlanda um programa chamado Ross Kemp on Gangs, da Sky, e o lugar da vez era o nosso cartão postal, o Rio de Janeiro.
Definitivamente a intenção do repórter era mostrar como REALMENTE a coisa acontece, e não como é documentado pelos "Globo Repórter" da vida...

As entrevistas iniciaram com o taxista do aeroporto, que explicou o era a "Faixa de Gaza", passando pelos moradores das favelas, pelos vigias, que sao os soldados que protegem a comunidade da policia e das facções rivais, chegando ao Dono do Morro, e posteriormente, encontrando em um presídio o ilustre fundador do Comando Vermelho (70's).

O legal é que para cada informação obtida do lado dos bandidos, era buscado o "recontra-puxa" do lado dos policiais, ex:
Ross: "Como os bandidos tem acesso a um armamento tao poderoso?"
Policia: "As armas provem de contrabando da Colômbia e Paraguai..."
Ross: "Como vocês conseguem todo este armamento?"
Tráfico: "As armas vêm diretamente da polícia..."
Ross: "Os criminosos afirmam que as armas são fornecidas pela própria polícia, você confirma?"
Comandante Geral da PM: "ahhhh, erhhh, sim, eles roubam a polícia nos confrontos..."

Agora, o fato que sinceramente me deixou mais assombrado, foi o business que rola no morro entre Facção A x Polícia x Facção B.
Sempre que a polícia invade o morro, a ordem é matar os "soldados" e capturar o Chefe do Tráfico, pois não há vagas nos presídios e somente este segundo tem valor comercial. Tendo a posse do Chefão, a polícia solicita um valor X para o resgate, enquanto ao mesmo tempo o "sequestrado" é oferecido por um valor mais gordinho à facção rival, e quem pagar mais leva! O detalhe é que se a facção rival ganha o leilão, o ex-Chefe (a estas alturas) é entregue literalmente picadinho. Muitas vezes envia-se apenas a cabeça do dito cujo.

Este repórter fez matérias em diversas áreas de risco ao redor do mundo, entrevistando desde os piratas que recentemente andaram sequestrando navios petroleiros americanos até as milícias no Timor Leste e Colômbia. Segundo ele, o RJ foi um dos lugares mais impressionantes, não só pela ousadia dos criminosos, mas pela corrupção impregnada nas instituições policiais.

Ainda bem que o Brasil ainda é associado a coisas boas como futebol e carnaval... mas até quando?

Cheers!