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sábado, 11 de julho de 2009

Transformers: entretenimento sadio ou preconceito retrógrado?

Para não deixar a semana sem post sobre cinema, vale uma reciclagem? Este é um texto do meu outro blog, Sétima das Artes, que aqui eu acho que cabe melhor para uma boa discussão - por mais que o pessoal não tenha visto o filme em questão.

Alguém pode imaginar que eu estou fazendo campanha contra Transformers: a Vingança dos Derrotados, em cartaz nos cinemas. Pois podem deixar de imaginar e tenham certeza: estou mesmo fazendo o máximo possível para que o filme seja visto de maneira mais crítica (já que não dá para impedir que ele seja um sucesso de bilheteria). Inveja? De forma alguma. O filme é ruim de doer mesmo – e, para completar, seu conteúdo é absolutamente questionável.

Transformers tem recebido críticas pesadas de alguns setores da sociedade internacional, devido a elementos de caráter preconceituoso na história e na realização. Na verdade, fazia tempo que eu não assistia a um desfile tão acintoso de pré-concepções das mais variadas cepas. Dá pra fazer uma lista:

1. Transformers é racista: este é o elemento mais visível e mais polêmico. No filme, há dois robôs gêmeos que são caricaturas grotescas dos negros americanos. Ambos falam com coloquialismos típicos do gueto e são retratados como totais imbecis – a ponto de não terem nenhuma utilidade na trama, exceto a de serem um discutível alívio cômico. Em dado momento da história, o diretor Michael Bay pega pesado e mostra que os robôs gêmeos não fazem questão de ler – numa incrível demonstração de racismo (os negros, aqui, seriam burros e desinteressados).

2. Transformers é antidemocratas: Barack Obama também ganha a sua parcela de ridicularização por parte de Michael Bay. Seu nome é citado apenas no meio do filme e de maneira humilhante: quando se instaura uma crise mundial, ele se refugia num bunker no interior dos EUA – deixando, assim, Washington a mercê de qualquer perigo. Além da covardia (será por ele ser negro também?), Obama é muito mal aconselhado. O “vilão humano” da história é um assessor do presidente, que, dentro da filosofia do atual governo democrata, tenta acabar e moralizar as operações secretas envolvendo tropas americanas e robôs bonzinhos em outros países. O personagem é retratado como um inepto, uma ameaça à verdadeira segurança nacional, melhor protegida pelo zelosos soldados que lutavam no Iraque do que por burocratas.

3. Transformers é machista: um dos maiores atrativos do filme é a presença da belíssima Megan Fox – que não tem peso nenhum nas decisões da trama e nada mais é do que a sombra do seu namorado. Ah, sim, ela tem um papel muito importante: aparecer gostosa em todos os enquadramentos. Sempre que começa uma cena de ação na tela, alguém a pega pela mão e a arrasta, como se ela não tivesse a mínima condição de sair dali sozinha e precisasse da ajuda de um macho para se proteger. Fora ela, as outras mulheres que aparecem (uma robô fatal e a mãe do personagem principal) são igualmente estereotipadas – a robô como uma vadia universitária e a mãe como uma neurótica incontrolável.

4. Transformers ridiculariza o Terceiro Mundo: além do fato de que as tropas americanas simplesmente entram livremente nas fronteiras de qualquer país – ainda que seja a China ou o Egito –, os habitantes de qualquer país pobre são simplesmente ridículos. Por que o guarda da fronteira egípcia é um dos Oompa Loompas da Fantástica Fábrica de Chocolate, por exemplo? Isso sem contar que as tropas locais são um total fracasso na batalha contra os robôs: os helicópteros do Exército da Jordânia aparecem na tela por três segundos antes de serem imediatamente abatidos (aliás, o que fazem aeronaves da Jordânia em território estrangeiro?).

Querem mais? Então tá... 5. Transformers ridiculariza o próprio público-alvo: os nerds universitários que aparecem no filme estão entre as figuras mais desprezíveis da história. Um deles é covarde e, por mais que tente tomar uma decisão corajosa, sempre acaba berrando desesperadamente e irritantemente reclamando de tudo. Curiosamente, é este o público-alvo da produção, os adolescentes ligados em alta tecnologia – o que me faz crer que Michael Bay, mergulhado na sua montanha de doletas, esta rindo incontrolavelmente da cara de quem lhe pagou um ingresso para ver a sim mesmo como um idiota.

Pensando bem, o certo é ele. Somos idiotas mesmo.