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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Calou-se a voz

(1940 - 2009)

Me faltam as palavras. Todos que assistiam aos programas da TVS (hoje SBT), conhecem a voz desse cara. Como fica o sorteio da Tele Sena daqui por diante (só pra ficar em uma das principais atividades dele)?

Lombardi é o símbolo de uma era que... já era. Ele era uma espécie de "the last man standing", ícone máximo de uma geração de locutores da escola "vozeirão" do rádio - aqueles que despertavam a imaginação de donas de casa e empregadas solitárias, que imaginavam nele um homem perfeito. Páreo pra ele, só Don LaFontaine. Que não tinha como patrão o Sílvio Santos. Então, sou mais o Lombardi.

Mas esse era um cara que tinha algo a mais. Lombardi não era apenas um locutor. Ele era O locutor. Sílvio Santos, ao tirar ele da Rede Globo e levá-lo para o SBT, disse:

- Vou te transformar no melhor locutor do Brasil.

Alguém ousa duvidar de SS?

domingo, 16 de agosto de 2009

Les Paul (1915-2009)

O Sílvio perguntou se não iríamos comentar nada sobre a morte de Les Paul, ocorrida essa semana. Para muitos fãs de rock não é um nome conhecido; para muitos músicos é o nome de um modelo de guitarra -- aliás, a guitarra que ilustra o pôr-do-sol-desafinado desse blog. Mas antes disso, Les Paul foi um músico que emplacou hits #1 nos anos 40 e que seguia na ativa tocando jazz aos 94 anos de idade.

O legado maior dele foi, mais do que a música, as inovações que ele contribuiu para a música. Graças a pessoas como ele, Adolph Rickenbacker e Leo Fender, a guitarra deixou de ser um "violão amplificado". Um inventor de mão cheia, a quem a gente deve muita coisa -- não necessariamente o design da Gibson Les Paul, que ele aprovou mas não foi o arquiteto principal -- mas outras ainda mais importantes. Em particular, ele foi o primeiro a fazer gravação multi-canal:
"Em 1948, a Capitol Records lançou uma gravação que havia começado como um experimento na garagem de Paul, intitulada "Lover (When You're Near Me)", na qual Paul tocou oito partes diferentes na guitarra, algumas gravadas em meia velocidade, portanto soando no dobro da velocidade quando tocadas normalmente para a produção da gravação master. ("Brazil", similarmente gravada, estava no lado B.)

Esta foi a primeira vez que gravação multi-canal foi realizada. Estas gravações não foram feitas com fita magnética, mas com discos de acetato. Paul gravava uma trilha em um disco e então gravava a si mesmo tocando uma segunda parte junto com o disco em um segundo disco e assim sucessivamente. Ele construiu a gravação multi-canal com trilhas sobrepostas, ao invés de paralelas como ele mesmo fez mais tarde. Até chegar em um resultado com o qual estava satisfeito, ele descartou aproximadamente 500 discos de acetato."
Ouçam e apreciem.

Não tem como não lembrar dos experimentos do Brian May décadas depois. O fato de que Les Paul conseguiu esse resultado fantástico usando um método muito mais rudimentar já em 1948 diz muito... é um nome que ficará gravado não só no headstock das nossas guitarras, mas na história.

Felizes dos que conseguiram assisti-lo ao vivo tocando no clube de jazz em NYC onde ele se apresentava todas as segundas com a sua Gibson Les Paul Recording (talvez a LP mais esquisita de todas, por muitos renegada, mas incrivelmente favorecida pelo próprio guitarrista que deu o nome à série de instrumentos).

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A morte dos anos 80


Muito se falou que a morte de Michael Jackson seria o sinal de que os anos 80 estavam, oficialmente, dizendo adeus. Que aquele clássico revival que acontece a cada dez anos, resgatando os costumes, músicas, moda e filmes de 20 anos atrás, estava terminando para a "década perdida". Errado. A época das polainas ainda teve uma sobrevida de quase dois meses - capenga, trôpega, é verdade, mas ainda vivia firme e forte através da curta e importante obra cinematográfica de John Hughes.

John Hughes poderia ser classificado aqui no Brasil como o "homem da Sessão da Tarde". Ninguém merece mais esse título - honroso, diga-se de passagem - do que ele. Se ele tivesse filmado só um roteiro em toda a carreira, e este fosse o clássico-mor "Ferris Bueller's Day Off" - ou "Curtindo a Vida Adoidado", onde "um garoto apronta muitas confusões" ao matar a aula -, ele já mereceria toda a deferência possível de quem nasceu, cresceu ou viveu nos anos 80. Mas Hughes não fez só isso.

Em cinco anos, de 1984 a 1989, o cara consegui fazer 7 filmes que se tornaram clássicos. Uns mais, outros menos. Mas todos divertidos, despretensiosos, engraçados, emocionantes, com cenas clássicas.

Foi embora com John Hughes ontem uma visão. Uma maneira de encarar a vida. Uma moda. Uma música. Alguns estereótipos. Mas, principalmente, o que John Hughes levou embora com ele foi um estilo de filmar sem medo de ser divertido, e, ao mesmo tempo, muito bem realizado.

Ps: convido os amigos a compartilhar suas lembranças mais remotas dos filmes do mestre Hughes nos comentários. Certamente alguém vai lembrar de algo engraçado.
Ps. II: OLHEM O TÍTULO PORTUGUÊS DE "FERRIS BULLER'S DAY OFF" NA WIKIPEDIA. É impagável.