Esse post é de certa forma uma continuação do anterior, mas focando em outro assunto: as diferenças de set list dos shows das grandes bandas nas diferentes cidades do Brasil.
Tem bandas que fazem a tour inteira com variações mínimas de set, como foi o caso da tour de reunião do Police, e outras que são famosas por variar bastante o set list, como o Dream Theater. Outra que varia bastante o set é o Pearl Jam. Quando eles vieram pro Brasil em 2006, me chamou a atenção a diferença entre os sets do Rio e de São Paulo. O show na Apoteose, que eu assisti, foi um show pra todo mundo cantar junto do início ao fim. O set foi focado nos álbuns mais conhecidos: tocaram cinco músicas do primeiro álbum (Ten) e cinco do segundo (Vs.). Pra minha tristeza, não sobrou espaço pra nenhuma do meu álbum preferido da banda, o No Code, que é um disco mais "lado B". Pra minha surpresa, lendo o set list de São Paulo, vi que várias do No Code foram executadas. Fiquei a ver navios enquanto os paulistanos curtiram "Present Tense" e "Hail Hail"...
No ano seguinte, teve show do Dream Theater no Rio e São Paulo. Eu andava meio afastado da banda desde o Six Degrees of Inner Turbulence (e o Train of Thought me afastou de vez), mas o Octavarium foi um disco interessante então resolvi ir no show (também para compensar ter visto o show deles pela metade nos EUA). Como vários amigos foram pra assistir o show em São Paulo e lá eles tocariam duas noites consecutivas, decidi pegar a ponte-aérea-de-pobre (ônibus overnight Rio-SP, 7 horinhas de viagem) e ver os dois shows. Em se tratando de Dream Theater, não é loucura -- foi praticamente um show de 6 horas de duração dividido em duas noites. Se bem me lembro acho que só 2 ou 3 músicas repetiram. E a indiada pra SP valeu a pena: tocaram o Octavarium inteiro (metade em cada noite) e no final da segunda noite rolou a "surpresa" que eles sempre prometem pra cidades onde fazem 2 shows consecutivos: pro Brasil, foi a íntegra de um dos meus discos preferidos deles, o Scenes From a Memory.
Hoje, novamente, uma história similar se repete. Quinta-feira, show do Metallica em Porto Alegre. Um set list forrado das "confirmadas", focado nos três discos mais populares da banda -- Black Album, Master of Puppets e Ride The Lightning (que surpreendeu com 4 músicas!) -- além de uma de cada um dos discos, por assim dizer, não-renegados. A do meu álbum preferido, ...And Justice For All, foi a obrigatória "One", como já comentei no outro post. Entre as músicas eu gritava simbolicamente pedindo mais músicas do Justice, mas sem nenhuma esperança. E ainda teve o riffzinho de "The Frayed Ends of Sanity" tocado antes do bis, só pra deixar na vontade.
Dois dias depois, show em São Paulo, o primeiro de duas noites. Tenho um amigo que mora do lado do Morumbi e vai no show de domingo. Hoje, ficou ouvindo o show de casa e twitando o set list. E qual a minha surpresa: tocaram três musicas do ...And Justice For All! Pros paulistas rolou "One", "Harvester of Sorrow" e "Blackened" (se essa última tivesse sido tocada em Porto Alegre, não sei se estaria aqui ainda pra escrever isso pra vocês!). Além disso, o bis teve uma música a mais: tocaram duas do Kill 'Em All, "Motorbreath" e "Seek & Destroy", ao invés de apenas a última.
Pois é, estou começando a detectar um padrão aí... nos shows de São Paulo as bandas parecem sair do feijão-com-arroz. Eu sabia que isso acontece nas turnês americanas e europeias quando as bandas passam por algumas cidades chaves como Nova York ou Londres, onde elas já tocaram muitas vezes e por isso procuram dar algo mais pros fãs que não estão indo pela primeira vez. Mas não tinha me dado conta que São Paulo parece estar adquirindo esse status.
Pra nós de Porto Alegre resta ficarmos felizes que a cidade voltou enfim para o circuito de shows internacionais. Afinal, como me disse a recifense Alexandra, eu estou "reclamando de barriga cheia", já que os fãs da maior parte do país não têm shows das suas bandas preferidas vindo pras suas cidades. Mas de qualquer forma, fica a dica: dependendo do nível de fanatismo por uma banda, gastar com o deslocamento e com os preços salgados dos ingressos paulistanos pode até valer a pena.
sábado, 30 de janeiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
A volta do Metallica
Postado por
Hisham
às
14:13
Ontem, no show do Metallica, uma de minhas teorias se confirmou: realmente, a banda acabou depois do Black Album e foi reformada ano passado, com o lançamento do Death Magnetic.
Pra quem insistia em me contradizer, dizendo que o Metallica continuava na ativa, ontem tive a prova: James Hetfield anunciava que ontem era o primeiro show do Metallica em Porto Alegre!
É claro que alguns fãs ficaram confusos, especialmente porque há 11 anos atrás tocou aqui outra banda com o mesmo nome (e há quem diga, praticamente os mesmos integrantes, mas há controvérsias).
Os canastrões do outro "Metallica", que vieram pra cáem 1999 e tomaram uma aula de metal do Sepultura
Mas enfim o verdadeiro Metallica voltou e fez a alegria de seus fãs, tocando músicas dos seus 6 álbuns (Kill 'Em All, Ride The Lightning, Master of Puppets, ...And Justice For All, Metallica (o "Black Album") e Death Magnetic), além de duas covers: "Die, die my darling" do Misfits, e "The Memory Remains", uma música legal de alguma banda que eu não conheço.
No mais, o show foi excelente. James Hetfield simpático e falando aquele inglês-devagar-pra-todo-mundo-entender, marca de um frontman experiente; Kirk Hammett fazendo os seus esperados solos de wah-wah tocando com suas ESPs pintadas com cartazes de filmes de terror; Robert Trujillo empolgadíssimo como sempre, e já tem o meu voto para ser adicionado como personagem no próximo Street Fighter (já tem até o especial!); e o velho Lars Ulrich se matando pra tocar as baterias que deixaram o mundo do som pesado boquiaberto quando ele as gravou quando era guri... esses anos de parada do Metallica devem ter deixado ele destreinado!
Pessoalmente eu gostaria de ter ouvido mais alguma do ...And Justice For All -- só tocaram "One" e testaram o público com a intro de "The Frayed Ends of Sanity" mas infelizmente a maioria não soube acompanhar o canto viking -- mas pelo esforço que já foi pro Lars tocar "One", achei melhor ser compreensivo e achar o suficiente. O Justice é daqueles discos que as bandas gravam no auge da habilidade e que depois se tornam uma pedra no sapato pra tocar ao vivo (mas isso é assunto para um outro post, outro dia). De qualquer forma, estou feliz de ter visto o show de uma das bandas mais relevantes pra minha formação musical. Só por isso, a volta do Metallica depois de quase 20 anos de inatividade já valeu a pena pra mim.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Quem envelheceu: eu ou o Bon Jovi?
Postado por
Chico
às
16:03

Este post é um desabafo de um fã (não tenho vergonha de admitir: EU GOSTO DE ESCUTAR BON JOVI).
Estava animado com as entrevistas pré-lançamento do álbum "The Circle". Estava mesmo. Era, pela primeira vez em 10 anos, a promessa da volta ao hard rock que consagrou a banda.
Bullshit. Cascata. Lorota. Mentira grossa. NON TEM NAAADA QUE VER.
Vamos a uma análise individual:
1) "We Weren't Born to Follow" - O disco já começa pra cima (YES, WE CAN style). E eu já começo... pra baixo. Batera genérica, compressão à toda, guitarras genéricas, nenhuma dinâmica e... cadê o David Bryan? Jon Bongiovi canta: "this one goes out to...". Acho que eu já ouvi isso. Ah, tá aí o teclado, no refrão, fazendo um "clima". Vozes de arena gritando "yeah" por toda a música. Já me sinto desolado.
Pérolas: "Let me hear you say YEAH" e um grito de "GUITAR!" muito do chocho antes do solo... genérico. Sambora já foi MUITO melhor.
2) "When We Were Beautiful" - A coisa melhora um pouco. Um porto seguro da banda: as músicas que falam da época que eles eram jovens, ou, neste caso, "beautiful". Geralmente nessas eles acertam a mão. Aqui, eu confesso que não sei se eles acertaram a mão ou se a anterior era tão ruim que eu achei essa boa. Chegou o solo. Mais melódico, menos "já ouvi isso antes". A música é melhor que a outra mesmo. Mas não é nenhuma "Just Older" (caceta, pra vocês verem como a minha exigência até está baixa, tô comparando com uma música do "Crush", lançado em 2000, um disco medíocre).
Pérolas: "Shalala, shalala, HEY", rufadas militares no primeiro refrão, entre outros clichês bagaceiros.
Pérola positiva: "Back, when we were beautiful, before the world got small, before we knew it all".
3) "Work For The Working Man" - Ó! O DAVID BRYAN TÁ VIVO! Ouço piano nessa música! Mas as surpresas positivas são ofuscadas pelo refrão ESTÚPIDO. De novo, os coros de vozes são ridículos, gritando "WORK!", e "HEY!" como um bando de robôs. Nenhum solo ou trabalho de guitarra inspirado do Sambora ainda. O que, pra mim é uma profunda decepção, já que eu espero algo mais decente dele desde 1995.
Pérolas: ah, desisti de destacar um ou dois pontos a cada música.
4) "Superman Tonight" - Quase pulei a faixa só pelo título. Devia ter pulado. NÃO, PERAÊ! O Jon Bongiovi tá subindo pros agudos no refrão! Não acredito! Desde o "These Days" ele não fazia iss... ah, parou no meio do caminho. Merda. Devia ter pulado mesmo.
Preciso descansar os ouvidos.
... 24 horas depois...
5) "Bullet" - Cheguei ao absurdo de ficar com saudades de ouvir "Have A Nice Day". Desliguei o mp3 player e liguei a Last FM. "Have a nice day", a música é um belo dum rock. Excluindo esse último disco, daria pra fazer um belo e digno álbum do Bon Jovi com as melhores músicas desde o "Crush" (alguém me disse isso uma vez, e é realmente verdade mesmo).
6) "Thorn In My Side" - Não dá mais pra comentar. Desculpa aí. O disco é muito chato.
Desisto. Juro pra vocês que não ouvi até o final. E se as músicas finais forem boas, bom, perdão, mas se uma banda é tão BURRA a ponto de colocar no "lado B" as ÚNICAS músicas do disco que valem uma audição, não merece a atenção de ninguém mesmo (o Hisham se deu conta dessa, e tem o meu aval). E então, quem envelheceu: eu ou o Bon Jovi?
Preferia ter ido ver o filme do Pelé.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Performance capture: mecanização ou liberdade para os atores?
Postado por
Hisham
às
14:33
Um termo relativamente novo é a buzzword do momento no mundo do cinema: performance capture. Basicamente é um nome novo para a conhecida técnica de motion capture, que visa enfatizar o impacto artístico que o avanço tecnológico da técnica proporcionou.
O motion capture, a técnica de gerar uma representação digital movimentos para aplicá-los sobre modelos 3D, começou como um meio de gerar movimentações mais realistas para personagens animados por computador, já que traçar manualmente o movimento de cada parte do corpo é muito trabalhoso e demanda um grande talento de "puppeteer" dos animadores. Ao longo da evolução do motion capture, a técnica veio sendo usada em conjunto com a animação manual, já que a tecnologia permitia capturar grandes movimentos, como braços e pernas, mas apresentava dificuldades com a sutileza de um rosto. Essa dificuldade com as sutilezas foi em grande parte o motivo da técnica encontrar mais uso em comédias de animação, como os filmes da Pixar, onde não há problemas em se ter movimentações caricatas e expressões faciais pouco realistas.
A primeira grande tentativa de fazer um filme 3D usando inteiramente motion capture visando resultados realísticos foi em Final Fantasy, produzido pela Square (que não é um estúdio tradicional de cinema, mas sim uma empresa de games). Os resultados foram impressionantes para a época, mas mesmo assim todos sabíamos que a tecnologia ainda estava longe de "chegar lá".
Com o passar dos anos, o processo foi evoluindo e os filmes lançados ficam como retratos do avanço da técnica: basta comparar os filmes The Polar Express (2004) e Beowulf (2007), ambos do diretor Robert Zemeckis.
O exemplo de hoje, claro, é Avatar de James Cameron. Mas e aí, ele é só mais um passo em um processo gradual ou o avanço na técnica de motion capture deu um salto que justifica um novo nome?
Assistindo ao "making of" das cenas com os na'vis em Avatar, tendo a acreditar na segunda opção. Mais do que o avanço tecnológico, é notável a diferença no processo no que tange o trabalho dos atores. Provavelmente em cinco anos acharemos o resultado visual de Avatar ultrapassado, mas o mapeamento que existe entre a performance emotiva dos atores e o que aparece no resultado final é muito mais direto. O simples fato de que a performance corporal e as expressões faciais são capturadas em conjunto permitem compor no modelo 3D uma representação consistente do trabalho do ator. Compare isto com o processo tradicional e a diferença é gritante: no motion capture os atores capturando movimentos são quase como "dublês" dos modelos 3D.
O interessante disso tudo, muito mais do que a "graça hi-tech", é o potencial que essa técnica tem ao proporcionar novos graus de liberdade artística. No "making of" de Avatar, vemos o diretor filmando as cenas do voo dos ikrans capturando o movimento de miniaturas, como uma criança que brinca com um aviãozinho de brinquedo, ao invés de traçar curvas na tela de um computador. Mais impressionante ainda, vemos Cameron controlando o ângulo da cena movendo fisicamente uma câmera virtual no set que reage a uma performance previamente capturada, como se estivesse navegando no ambiente 3D de um jogo. Hoje um ator pode dar uma performance emotiva única e o diretor tem a chance de mover a câmera e testar outros ângulos depois do "corta!". É análogo ao salto que a música deu quando a gravação multi-pista foi criada.
A técnica ainda está na infância, claro, mas já podemos visualizar qual será o passo seguinte: a renderização de personagens humanos realmente indistinguíveis de uma pessoa filmada por uma câmera tradicional. Cruzar essa barreira é o grande desafio, pois envolve não apenas tecnologia mas superar uma resistência psicológica dos espectadores, o chamado "uncanny valley": foi observado que de maneira geral a reação das pessoas a figuras humanóides é particularmente negativa quando a figura é quase-quase humana.
Ainda não chegamos no ponto onde se pode fazer um filme plenamente realista renderizado totalmente por computador, mas estamos mais perto do que a maioria pensa. As duas partes do quebra-cabeças são a captura dos movimentos e a renderização das imagens. Na captura dos movimentos tivemos um belo show com Avatar, e pesquisas recentes mostram como a tecnologia pode simplificar bastante, como podemos ver nesse vídeo apresentado no SIGGRAPH de 2007. Na parte de renderização das imagens, fiquei realmente impressionado com estes resultados apresentados no SIGGRAPH de 2008. (E isso que ainda nem parei pra ver os vídeos do SIGGRAPH de 2009, e já estamos em 2010! :) )
Mas e aí, quais os resultados práticos disso? Eu acredito que, quando chegarmos nesse ponto, uma nova era vai se abrir na maneira como se produz cinema. Os diretores terão um grau de controle sobre o resultado final muito maior que o de hoje. E principalmente, os atores não serão mais limitados pela sua idade ou aparência, somente pelo seu talento: poderemos ver uma performance magistral de um jovem Hamlet produzida pela experiência de um ator de 70 anos.
Enquanto não temos o pleno realismo, podemos experimentar um pouco disso com personagens fantásticos como os na'vi ou desenhos animados. O já citado Robert Zemeckis anunciou que fará um remake do desenho Yellow Submarine usando performance capture, e anunciou os atores que interpretarão os Beatles: surpresa nenhuma que eles não se parecem nem um pouco com os Fab Four. O importante é o talento pra interpretação e o trabalho de voz. Inclusive, as cenas de performance musical serão capturadas por músicos: ou seja, as pessoas mais indicadas para fazer cada parte, sem a velha esquisitice de ter que evitar filmar o rosto dos dublês nas cenas de ação.
O motion capture, a técnica de gerar uma representação digital movimentos para aplicá-los sobre modelos 3D, começou como um meio de gerar movimentações mais realistas para personagens animados por computador, já que traçar manualmente o movimento de cada parte do corpo é muito trabalhoso e demanda um grande talento de "puppeteer" dos animadores. Ao longo da evolução do motion capture, a técnica veio sendo usada em conjunto com a animação manual, já que a tecnologia permitia capturar grandes movimentos, como braços e pernas, mas apresentava dificuldades com a sutileza de um rosto. Essa dificuldade com as sutilezas foi em grande parte o motivo da técnica encontrar mais uso em comédias de animação, como os filmes da Pixar, onde não há problemas em se ter movimentações caricatas e expressões faciais pouco realistas.
A primeira grande tentativa de fazer um filme 3D usando inteiramente motion capture visando resultados realísticos foi em Final Fantasy, produzido pela Square (que não é um estúdio tradicional de cinema, mas sim uma empresa de games). Os resultados foram impressionantes para a época, mas mesmo assim todos sabíamos que a tecnologia ainda estava longe de "chegar lá".
Com o passar dos anos, o processo foi evoluindo e os filmes lançados ficam como retratos do avanço da técnica: basta comparar os filmes The Polar Express (2004) e Beowulf (2007), ambos do diretor Robert Zemeckis.
O exemplo de hoje, claro, é Avatar de James Cameron. Mas e aí, ele é só mais um passo em um processo gradual ou o avanço na técnica de motion capture deu um salto que justifica um novo nome?
O interessante disso tudo, muito mais do que a "graça hi-tech", é o potencial que essa técnica tem ao proporcionar novos graus de liberdade artística. No "making of" de Avatar, vemos o diretor filmando as cenas do voo dos ikrans capturando o movimento de miniaturas, como uma criança que brinca com um aviãozinho de brinquedo, ao invés de traçar curvas na tela de um computador. Mais impressionante ainda, vemos Cameron controlando o ângulo da cena movendo fisicamente uma câmera virtual no set que reage a uma performance previamente capturada, como se estivesse navegando no ambiente 3D de um jogo. Hoje um ator pode dar uma performance emotiva única e o diretor tem a chance de mover a câmera e testar outros ângulos depois do "corta!". É análogo ao salto que a música deu quando a gravação multi-pista foi criada.
A técnica ainda está na infância, claro, mas já podemos visualizar qual será o passo seguinte: a renderização de personagens humanos realmente indistinguíveis de uma pessoa filmada por uma câmera tradicional. Cruzar essa barreira é o grande desafio, pois envolve não apenas tecnologia mas superar uma resistência psicológica dos espectadores, o chamado "uncanny valley": foi observado que de maneira geral a reação das pessoas a figuras humanóides é particularmente negativa quando a figura é quase-quase humana.
Ainda não chegamos no ponto onde se pode fazer um filme plenamente realista renderizado totalmente por computador, mas estamos mais perto do que a maioria pensa. As duas partes do quebra-cabeças são a captura dos movimentos e a renderização das imagens. Na captura dos movimentos tivemos um belo show com Avatar, e pesquisas recentes mostram como a tecnologia pode simplificar bastante, como podemos ver nesse vídeo apresentado no SIGGRAPH de 2007. Na parte de renderização das imagens, fiquei realmente impressionado com estes resultados apresentados no SIGGRAPH de 2008. (E isso que ainda nem parei pra ver os vídeos do SIGGRAPH de 2009, e já estamos em 2010! :) )
Mas e aí, quais os resultados práticos disso? Eu acredito que, quando chegarmos nesse ponto, uma nova era vai se abrir na maneira como se produz cinema. Os diretores terão um grau de controle sobre o resultado final muito maior que o de hoje. E principalmente, os atores não serão mais limitados pela sua idade ou aparência, somente pelo seu talento: poderemos ver uma performance magistral de um jovem Hamlet produzida pela experiência de um ator de 70 anos.
Enquanto não temos o pleno realismo, podemos experimentar um pouco disso com personagens fantásticos como os na'vi ou desenhos animados. O já citado Robert Zemeckis anunciou que fará um remake do desenho Yellow Submarine usando performance capture, e anunciou os atores que interpretarão os Beatles: surpresa nenhuma que eles não se parecem nem um pouco com os Fab Four. O importante é o talento pra interpretação e o trabalho de voz. Inclusive, as cenas de performance musical serão capturadas por músicos: ou seja, as pessoas mais indicadas para fazer cada parte, sem a velha esquisitice de ter que evitar filmar o rosto dos dublês nas cenas de ação.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Já estamos em 2010...
Postado por
Daniel Coutinho
às
20:57
Dizem que em ano eleitoral a gente sente que o ano passa mais rápido. Mas bem sinceramente. Todos os anos estão passando cada vez mais rápido. É o que muita gente tem sentido.
Será que agora além de anos de eleição, anos de tentativas de impeachment de governadores e escândalos de políticos no senado também vão fazer sentirmos que o ano está passando mais rápido?
Se for assim, infelizmente envelheceremos logo. Como se já não fosse suficiente o estresse da correria diária, da insegurança de sair de casa, ou até mesmo dentro de casa. Ainda mais essa.
O que antes era um ano sim outro não, está sendo um ano sim, o outro também. Chega um ponto que cansa. E não dá nem tempo para descansar. Alias, dá sim. No carnaval. E viva as mulatas seminuas e as festas. Afinal de contas, brasileiro adora festa. E as mulatas seminuas são como um bola de futebol para um menino. Falando em bola de futebol, em 2014 tem Copa do Mundo no Brasil. Sabemos que a arbitragem brasileira não está lá essas coisas. Seria influência da política? Só esperemos que para essa Copa não haja muita roubalheira. O que infelizmente certamente vai acontecer.
Claro, errar é humano. E juízes de futebol erram, jogadores erram, treinadores erram, políticos erram, aliás, e como erram! Mas tudo bem. Não adianta a gente gritar "vamo invadir!", ou "juiz ladrão, porrada é a solução", porque quem invade são eles, os políticos. Invadem nossos porquinhos com seus leiões e quem leva porrada é o povo.
Mas nem tudo está perdido, no Natal podemos ganhar panetones. Para quem não conseguir ser previlegiado dos panetones da capital, todo interior tem uma pizzaria. Não me recordo nenhum sabor que inclua pepino, e não seria por falta. Mas enfim. Tudo sempre acaba em pizza.
É... Viver é difícil. Mas que fiquemos tranquilos por um lado. Do jeito que vai, essa dificuldade vai passar rapidinho. Mas infelizmente nossa vida também.
Será que agora além de anos de eleição, anos de tentativas de impeachment de governadores e escândalos de políticos no senado também vão fazer sentirmos que o ano está passando mais rápido?
Se for assim, infelizmente envelheceremos logo. Como se já não fosse suficiente o estresse da correria diária, da insegurança de sair de casa, ou até mesmo dentro de casa. Ainda mais essa.
O que antes era um ano sim outro não, está sendo um ano sim, o outro também. Chega um ponto que cansa. E não dá nem tempo para descansar. Alias, dá sim. No carnaval. E viva as mulatas seminuas e as festas. Afinal de contas, brasileiro adora festa. E as mulatas seminuas são como um bola de futebol para um menino. Falando em bola de futebol, em 2014 tem Copa do Mundo no Brasil. Sabemos que a arbitragem brasileira não está lá essas coisas. Seria influência da política? Só esperemos que para essa Copa não haja muita roubalheira. O que infelizmente certamente vai acontecer.
Claro, errar é humano. E juízes de futebol erram, jogadores erram, treinadores erram, políticos erram, aliás, e como erram! Mas tudo bem. Não adianta a gente gritar "vamo invadir!", ou "juiz ladrão, porrada é a solução", porque quem invade são eles, os políticos. Invadem nossos porquinhos com seus leiões e quem leva porrada é o povo.
Mas nem tudo está perdido, no Natal podemos ganhar panetones. Para quem não conseguir ser previlegiado dos panetones da capital, todo interior tem uma pizzaria. Não me recordo nenhum sabor que inclua pepino, e não seria por falta. Mas enfim. Tudo sempre acaba em pizza.
É... Viver é difícil. Mas que fiquemos tranquilos por um lado. Do jeito que vai, essa dificuldade vai passar rapidinho. Mas infelizmente nossa vida também.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Por que não verei o filme do Lula
Postado por
Ulisses
às
12:17

Para retomar as postagens do blog com força total (e a pedido do Jean):
Lula, o Filho do Brasil, o longa brasileiro mais comentado do ano passado, chegou às telas dia 1º de janeiro, com pretensões de bater todos os recordes de bilheteria no país. Há uma intensa campanha do seu produtor, a raposa velha Luiz Carlos Barreto, para exibir a obra a preços populares (leiam este link, é exemplo de clientelismo puro) e em cidades que não possuem cinemas.
A discussão a respeito do uso político que seria feito de Lula, o Filho do Brasil é muito forte, especialmente sendo 2010 ano eleitoral. Produtor e atores usam extensamente o batido argumento de que "o filme não é político", o que obviamente é uma balela. Não se faz uma obra sobre uma liderança política sem tomar partido, e fosse o filme uma crítica a Lula (o que não é) ou uma elegia (o que é), de qualquer maneira estaria se posicionando contra ou favor de algo.
Então sim, Lula, o Filho do Brasil é político (até porque, como diriam os especialistas, "toda ação humana é política"), e isso se nota tanto na data do seu lançamento quanto na já referida campanha de divulgação para as massas. Há que se ressaltar, claro, que o orçamento de 17 milhões de reais (o maior registrado na nossa cinematografia) foi todo conseguido com patrocínio direto, sem o uso de leis de incentivo à cultura – portanto, sem dinheiro público. Foi uma tentativa de Barreto para diminuir a celeuma negativa em torno da obra.
Mas não é por nenhum destes motivos que eu não pagarei ingresso para ver o filme.
O motivo pelo qual não assistirei à Lula, o Filho do Brasil cabe em duas palavras: Fábio Barreto.
O diretor do filme, filho de Luiz Carlos e que sofreu um grave acidente na semana passada, é um dos piores cineastas nacionais. Ele é nascido numa família que sempre trabalhou com cinema: a mãe, Lucy, também é produtora e o irmão, Bruno Barreto, dirigiu sucessos como Dona Flor e seus Dois Maridos e O Que é isso, Companheiro?. Mas pode ser considerado o seu membro menos talentoso. Enquanto o irmão Bruno tem uma filmografia interessante e até realizações em Hollywood (ainda que fracas), Fábio tem em suas costas uma penca de filmes que transitam entre o ruim e o pavoroso.
É de sua responsabilidade o terrível A Paixão de Jacobina, uma verdadeira aula de como fazer mau cinema, além de outras drogas, como Bela Donna e Índia, a Filha do Sol. Seu único bom filme é o interessante O Quatrilho, e só.
Se Lula, o Filho do Brasil fosse dirigido por um cineasta mais talentoso ou mesmo por um estreante, confesso que as suas intenções políticas seriam o de menos na minha avaliação. Mas pagar para assistir a um filme conduzido por um diretor ruim (ainda mais quando a duração ultrapassa duas horas) não costuma fazer parte dos meus planos de férias.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Tony da Gatorra e a arte do instrumento improvisado
Postado por
Hisham
às
14:10
É verão e o Sol Desafinado está em marcha lenta, praticamente em ritmo de férias. Isto porém não quer dizer que os solistas não continuem em suas intermináveis discussões sobre a vida, o universo e tudo mais: na virada do ano, nos encontramos na praia onde os assuntos iam passando por Nikita Khrushchev, Ivan O Terrível, Avatar, Lady Gaga, Glauber Rocha, Samwell (percebam que a função descrita pelo fluxo da conversa é y = -x, onde felizmente x era limitado pelo sono das pessoas ou pelo nascer do sol) e chegou até um peculiar personagem do universo musical gaúcho que ainda não havíamos comentado aqui: Tony da Gatorra.
Para quem não conhece a figura, o seu artigo na Wikipedia dá uma introdução informativa, mas nada dá uma ideia melhor da natureza desse ser do que ser apresentado ao seu maior clássico, "Assassino".
Evidentemente, o que faz Tony se sobressair dos demais hippies malucos que tocam pelas ruas é a gatorra, o instrumento musical que ele inventou. A gatorra é, no fim das contas, uma bateria eletrônica em forma de guitarra de plástico cheia de botõezinhos. Vale notar que qualquer semelhança com um controle de Guitar Hero é mera coincidência: Tony está por aí com sua gatorra desde os anos 90.
Instrumentos malucos, aliás, foi outro tema recorrente no final de semana, com os experimentos do Daniel na recriação artesanal de instrumentos antigos da música folk americana, como o washtub bass, um contrabaixo feito com um balde, e o popular washboard, uma tábua de lavar roupas usada como instrumento de percussão (interessante o foco em itens da lavanderia...). Esta cultura de instrumentos improvisados era muito forte entre os escravos americanos, cuja tradição musical podemos traçar como origem do blues e por consequência do próprio rock and roll.
Não seria Tony da Gatorra então, com seu instrumento de percussão improvisado e suas canções de protesto, um herdeiro legítimo dessa cultura? De certa forma, não seria a gatorra uma espécie de washboard digital?
E finalmente... o Tony da Gatorra não é a cara do ex-guitarrista do Scorpions, Uli Jon Roth? (Aliás, este também adepto dos instrumentos esquisitos.)

(Créditos da montagem ao Daniel, autor da pertinente observação.)
Para quem não conhece a figura, o seu artigo na Wikipedia dá uma introdução informativa, mas nada dá uma ideia melhor da natureza desse ser do que ser apresentado ao seu maior clássico, "Assassino".
Evidentemente, o que faz Tony se sobressair dos demais hippies malucos que tocam pelas ruas é a gatorra, o instrumento musical que ele inventou. A gatorra é, no fim das contas, uma bateria eletrônica em forma de guitarra de plástico cheia de botõezinhos. Vale notar que qualquer semelhança com um controle de Guitar Hero é mera coincidência: Tony está por aí com sua gatorra desde os anos 90.
Instrumentos malucos, aliás, foi outro tema recorrente no final de semana, com os experimentos do Daniel na recriação artesanal de instrumentos antigos da música folk americana, como o washtub bass, um contrabaixo feito com um balde, e o popular washboard, uma tábua de lavar roupas usada como instrumento de percussão (interessante o foco em itens da lavanderia...). Esta cultura de instrumentos improvisados era muito forte entre os escravos americanos, cuja tradição musical podemos traçar como origem do blues e por consequência do próprio rock and roll.
Não seria Tony da Gatorra então, com seu instrumento de percussão improvisado e suas canções de protesto, um herdeiro legítimo dessa cultura? De certa forma, não seria a gatorra uma espécie de washboard digital?
E finalmente... o Tony da Gatorra não é a cara do ex-guitarrista do Scorpions, Uli Jon Roth? (Aliás, este também adepto dos instrumentos esquisitos.)

(Créditos da montagem ao Daniel, autor da pertinente observação.)
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
COP15: o resumo da ópera
Postado por
Roberto Coutinho
às
00:10
Sexta-feira passada acabou o COP15 em Copenhagen. Como era de se esperar, nossos políticos discutiram, discutiram e não concluiram nada.Primeiro, só foram os representantes dos chefes-de-estado. Como não tinham autonomia para resolver muita coisa, só brigaram e falaram bobagens. As ONGs ficaram de fora da discussão, já que sua presença resultaria em uma pressão dentro da sala de conferência e os representantes mundiais iriam se sentir forçados a fazer algo útil.
Os americanos querem decretar uma política intervencionsta nos países emergentes e acham uma besteira essa coisa de efeito estufa. Os chineses não querem saber de mostrar como são as coisas por lá. Os outros emergentes não aceitam ter seu crescimento econômico capado pelos ricos, maiores responsáveis pelo estado como as coisas estão. Os europeus estão se fazendo de salame, como se não tivessem falando com eles. Os fanfarrões só querem avacalhar o negócio. Nas últimas 48h do evento, os "manda-chuva" chegaram na Dinamarca. Lula e Sarkozy ainda tentaram discutir seriamente a questão. Mas Obama, que está sofrendo uma forte pressão do congresso, recuou e preferiu deixar tudo como está.
No fim um acordo tapa-buraco foi proposto. Os países ricos fariam uma "vaquinha" juntando 100 bilhões de dólares para ajudar os emergentes e pobres na questão ambiental. Porém, não haveria nenhuma ação imediata e objetiva para resolver o problema do efeito estufa. Assim, nenhum acordo foi assinado e nada de muito interessante saiu desta reunião. O Protocolo de Kyoto perde sua validade em 2012. Até o momento não existem mais políticas para melhorar a situação a partir desta data. A ONU mostra mais uma vez ser um fantoche sem poder nenhum para resolver as coisas.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Experimento Milgram: obediência ou perversidade?
Postado por
Ulisses
às
14:26

Esses tempos, encontrei um texto delicioso na Internet -- na verdade, um trecho de um livro lançado nos EUA em 2007 chamado Elephants on Acid, que lista os mais bizarros experimentos científicos que já produzimos. No caso, as tais experiências foram levadas a cabo por cientistas sérios, com verbas governamentais e resultados verificáveis.Talvez alguns achem, à primeira vista, que o livro é uma chacota com a ciência, mas bem pelo contrário: o autor Alex Boese apenas brinca com a imagem do "cientista louco" para falar de ciência de verdade.
Neste site aqui, temos listados os 20 melhores casos dos quase 100 cotejados pelo autor. Vale a pena ler, é entretenimento e informação puros (como LSD injetado em elefantes, o médico que bebia vômito, experiências com cabeças de cachorro e de macacos, e tentativas de desestimular sexualmente os perus -- a ave, não aquele outro peru). Mas teve um que me assombrou e que eu achei genial, especialmente porque a conclusão da experiência é assustadoramente válida.
É o experimento da obediência, realizado em Yale, EUA, anos 1960, e coordenado por Stanley Milgram. O cientista afirmava aos participantes voluntários que a sua intenção era "determinar o efeito da punição no aprendizado". Para tanto, eles tinham que acionar um choque elétrico toda a vez que a "cobaia" (um outro voluntário que deveria decorar uma sequência de palavras) errasse o que estava no gabarito. Detalhe: a cada erro, o choque aumentava 15 volts.
O dado impactante da experiência é que, mesmo tendo a consciência que estavam infligindo dor crescente a alguém, os voluntários continuavam a desferir choques cada vez mais potentes, mesmo com os gritos de angústia da "cobaia". Para os que perguntavam se aquilo não era demais, a resposta era a mesma: “O experimento requer que você continue”. No fim das contas, nada menos que dois terços dos voluntários continuaram apertando o botão de choque até a voltagem máxima, 450 volts, e aparentemente matavam a "cobaia". A porcentagem era ainda maior se os gritos não pudessem ser ouvidos nem vistas as reações de quem estava sendo torturado: a totalidade dos voluntários chegavam a desferir o choque máximo.
Só que a experiência, na verdade, era outra: Stanley Milgram estava interessado em ver até que ponto as pessoas estariam dispostas a seguir uma autoridade de comando. A "cobaia" era um ator que fingia estar levando choques, mas que não estava de fato sofrendo. Os voluntários, obviamente, não sabiam disso. As conclusões foram ditas de maneira assombrosa pelo cientista, que afirmou:
“Eu diria, com base em milhares de pessoas que observei durante os experimentos e na minha própria intuição, que se um sistema de campos de extermínio como os da Alemanha nazista fosse implantando nos Estados Unidos, seria possível encontrar trabalhadores e encarregados pelo seu funcionamento em qualquer cidade de médio porte do país”.
O "Experimento Milgram" acabou revelando uma das nossas facetas mais negras enquanto espécie, aquela que nos faz sentir aliviados quando não nos consideramos responsáveis por nossos próprios atos perversos -- por mais que os tenhamos praticado de maneira consciente, e sabendo das suas consequências. Isso explica desde a fácil massa de manobra que podemos ser até nossas atitudes sociais mais triviais.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Os astros de ação e seus públicos-alvo
Postado por
Ulisses
às
12:02

Semana passada, estava conversando com o pessoal que faz oficina de audiovisual comigo no Pontão de Cultura de São Leopoldo -- incluindo o Silvio -- e debatemos mais uma vez um dos nossos assuntos favoritos desde que o curso começou: Steven Seagal. Ou vocês achavam que a gente discute Godard e Antonioni? Bem, de qualquer maneira, o Steven Seagal é um ótimo exemplo para muitas questões acaloradas no mundo da Sétima Arte, que vai desde a legitimidade do cinema autoral até os desejos dos públicos específicos, e por aí vai.
No caso, estávamos reacendendo esta última discussão, a do público-alvo. Semanas antes, eu havia apontado para qual nicho de mercado e para qual o tipo de consumidor que Seagal fazia os seus filmes. A Joelma, mulher do Silvio, comentou que era verdade, o ator (????) tinha de fato uma legião fiel de fãs num determinado segmento da sociedade. Rapidamente, elaboramos em conjunto uma teoria sobre os astros de ação dos anos 80 (os famosos brutamontes) no que tange ao direcionamento dos seus filmes para certas plateias, o que explicaria o seu sucesso. Vamos às nossas conclusões:
1. Astro: Steven Seagal / Público-alvo: as velhinhas - é incrível como as vovós gostam do Steven Seagal. Elas assistem aos filmes do cara com ardor e satisfação sádicos no olhar. Foi este fenômeno que me chamou a atenção para a questão, e a única explicação que me veio (fora alguma fantasia sexual específica das mulheres avançadas na terceira idade) é que Seagal faz filmes absolutamente moralistas. Bandido, terrorista, punguista, valentão, não interessa: todos eles levam porrada na cara e saem com meia dúzia de ossos quebrados. Fora que o cabelo dele não levanta sequer um fio daquela capa de gel e o terno nunca fica sequer esgarçado - o que nos remete à imagem do "orgulho da vovó", do cara eternamente alinhado, mesmo nas situações mais impróprias. Não é à toa que as produções mais recentes dele saem direto no mercado de home video: as senhoras já não curtem mais ir ao cinema, preferem mesmo o dvd.
2. Astro: Sylvester Stallone / Público-alvo: a classe operária - já Stallone achou um poderoso nicho econômico dentro da classe operária norte-americana. Todos os seus personagens são hard workers, vindos do subúrbio ou do interior. Eles pegam no pesado para conquistar seus sonhos ou defender o seu país; são homens de sentimentos e vontades simples (lutar contra Apolo, o Doutrinador, ou vencer a Guerra do Vietnã). Se o interiorano Rambo ou o suburbano Rocky são os melhores casos, temos ainda o excelente exemplo de Falcão, o Campeão dos Campeões - ou este outro que mostra o seu amor pelos esportes de massa, eterna paixão das classes trabalhadoras.
3. Astro: Jean-Claude Van Damme / Público-alvo: garotas recém entradas na adolescência - mais um musculoso que faz filmes para mulheres: se Seagal atrai as vovós, Van Damme vai em cima das pré-adolescentes. Todos os seus filmes fazem questão de mostrá-lo sem camisa em boa parte da trama (poderiam ter sido escritos pelo Carlos Lombardi), além de mostrar suas pernas e, invariavelmente, a sua bunda. Há sempre uma cena (des)necessária nas produções do belga, em que ele abre um espacato em meio à pancadaria (bem, talvez o público-alvo dele seja outro e eu é que estou sendo inocente...). De qualquer maneira, há normalmente um interesse romântico estereotipado: nunca uma mulher independente e decidida, mas sempre o tipo "princesinha doce e indefesa", com um jeitinho meio virginal. Perfeito para as mocinhas.
4. Astro: Arnold Schwarzenegger / Público-alvo: os nerds - nos anos 80, ninguém dos supracitados fez mais sucesso do que Schwarza, e o motivo é simples: ele acertou no público que mais consome cinema e cultura pop, os nerds. Alguns exclamarão: Schwarzenegger nerd? Impossível! Mas é verdade. O cara pode ser um brucutu, mas a sua fama veio com filmes sobre robôs assassinos do futuro, alienígenas malvados que caçam gente ou aventuras de espionagem em Marte. Mesmo quando faz algo épico, é mais RPG do que epopeia. E quando se aventura na praia de Stallone e faz o bom americano que quer resgatar a filha, o resultado é esse. Quer algo mais geek?
5. Astro: Dolph Lundgren / Público-alvo: os perdedores - o sueco é o seu próprio público-alvo, um perdedor total. O cara só é lembrado por ter sido o vilão em Rocky IV -- ou por ter sido a versão em carne (muita carne) e osso de He-Man. Coitado...
E aí, amigos solistas, vocês me ajudariam na análise mercadológica dos astros de ação dos anos 70, como Charles Bronson e Bruce Lee? O estudo inicial ficou circunscrito apenas aos anos 80...
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Mesa redonda, bola quadrada: Inter x Santo André, Flamengo x Grêmio
Postado por
Roberto Coutinho
às
02:45
E neste domingo terminou a 39a. edição do Campeonato Brasileiro. Esta foi a mais emocionante e inusitada no sistema de pontos corridos, com as disputas todas em aberto. Porém, conforme o previsto, o Flamengo sagrou-se campeão pela sexta vez, igualando o feito do São Paulo F.C. e deixando o Inter com o vice-campeonato. O Grêmio terminou na oitava posição.
Todos os outros jogos eram coadjuvantes frente ao tão esperado embate entre o rubronegro carioca e o tricolor gaúcho. O que interessava para os torcedores das equipes que disputavam o título (Inter, São Paulo e Palmeiras) era o resultado deste jogo. O Grêmio entrou desacreditado depois de tudo que se falou durante a semana e com uma escalação reserva que incluía diversas estreias na equipe titular. Ao entrar em campo, a torcida rubronegra gritava freneticamente o nome do adversário. Mas ao contrário dos prognósticos, o time gaúcho não se deixou humilhar para ver ser maior rival sem a taça. Começou o jogo melhor que o nervoso Flamengo. Para espanto geral da nação futebolística, aos 21min o garoto Roberson numa jogada oportunista típica de centroavante, adiantou-se ao marcador no cruzamento de Douglas Costa e desviou a bola para o fundo das redes de Bruno, que pouco teve o que fazer. Estava aberto o placar no Maracanã. E incrivelmente era o Grêmio que o fazia, calando a massa flamenguista que esperava um jogo fácil. No resto do Brasil, a festa se deu nas torcidas que ainda sonhavam com o tropeço do clube carioca.
O Flamengo, que já havia entrado nervoso em campo, ficou mais perdido ainda. Errava passes e gols. Quando as coisas pareciam complicadas, David empatou a partida aos 29min do primeiro tempo. Mas o resultado não bastava, já que a essas alturas o Inter fazia 2x0 em Porto Alegre e botava a mão na taça. O primeiro tempo terminou empatado, mas com uma sutil melhora do mengão. A segunda etapa começou morna e ruim de assistir. Os 2 times não jogavam bem. O Grêmio recuou e o Flamengo errava muitos passes no meio de campo. Adriano até tentou, mas a bola ficava nas mãos de Marcelo Grohe. O tempo passava e o jogo ficava mais nervoso. A torcida calada; a equipe da casa perdida; o visitante recuado saíndo em contra-ataques perigosos com Douglas Costa e Mario Fernandes. Tudo parecia conspirar para um fim de jogo dramático. Até que aos 24min Petkovic, que havia tido sua substituição já requisitada pelo técnico, bateu um escanteio com precisão e Ronaldo Angelin completou de cabeça, virando a partida. Pet saiu logo após o gol e ficou auxiliando o técnico Andrade à beira do gramado. O minutos que se passaram deixaram o jogo mais dramático. Ainda mais com o gol que Maylson perdeu, quase empatando novamente a partida. Quando o juiz Eber Roberto Lopes apontou para os céus e logo após para o centro do gramado, trouxe uma explosão de alegria para o Maracanã e um alívio para a torcida tricolor, que até para ver seu time perder tem que sofrer. Fica para a História um campeão com todos os méritos, que jogou contra um adversário honrado. O resto agora faz parte do anedotário futebolístico.
- Inter 4x1 Santo André
- Flamengo 2x1 Grêmio
Todos os outros jogos eram coadjuvantes frente ao tão esperado embate entre o rubronegro carioca e o tricolor gaúcho. O que interessava para os torcedores das equipes que disputavam o título (Inter, São Paulo e Palmeiras) era o resultado deste jogo. O Grêmio entrou desacreditado depois de tudo que se falou durante a semana e com uma escalação reserva que incluía diversas estreias na equipe titular. Ao entrar em campo, a torcida rubronegra gritava freneticamente o nome do adversário. Mas ao contrário dos prognósticos, o time gaúcho não se deixou humilhar para ver ser maior rival sem a taça. Começou o jogo melhor que o nervoso Flamengo. Para espanto geral da nação futebolística, aos 21min o garoto Roberson numa jogada oportunista típica de centroavante, adiantou-se ao marcador no cruzamento de Douglas Costa e desviou a bola para o fundo das redes de Bruno, que pouco teve o que fazer. Estava aberto o placar no Maracanã. E incrivelmente era o Grêmio que o fazia, calando a massa flamenguista que esperava um jogo fácil. No resto do Brasil, a festa se deu nas torcidas que ainda sonhavam com o tropeço do clube carioca.
O Flamengo, que já havia entrado nervoso em campo, ficou mais perdido ainda. Errava passes e gols. Quando as coisas pareciam complicadas, David empatou a partida aos 29min do primeiro tempo. Mas o resultado não bastava, já que a essas alturas o Inter fazia 2x0 em Porto Alegre e botava a mão na taça. O primeiro tempo terminou empatado, mas com uma sutil melhora do mengão. A segunda etapa começou morna e ruim de assistir. Os 2 times não jogavam bem. O Grêmio recuou e o Flamengo errava muitos passes no meio de campo. Adriano até tentou, mas a bola ficava nas mãos de Marcelo Grohe. O tempo passava e o jogo ficava mais nervoso. A torcida calada; a equipe da casa perdida; o visitante recuado saíndo em contra-ataques perigosos com Douglas Costa e Mario Fernandes. Tudo parecia conspirar para um fim de jogo dramático. Até que aos 24min Petkovic, que havia tido sua substituição já requisitada pelo técnico, bateu um escanteio com precisão e Ronaldo Angelin completou de cabeça, virando a partida. Pet saiu logo após o gol e ficou auxiliando o técnico Andrade à beira do gramado. O minutos que se passaram deixaram o jogo mais dramático. Ainda mais com o gol que Maylson perdeu, quase empatando novamente a partida. Quando o juiz Eber Roberto Lopes apontou para os céus e logo após para o centro do gramado, trouxe uma explosão de alegria para o Maracanã e um alívio para a torcida tricolor, que até para ver seu time perder tem que sofrer. Fica para a História um campeão com todos os méritos, que jogou contra um adversário honrado. O resto agora faz parte do anedotário futebolístico.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Um solista no AC/DC: epílogo nas arquibancadas
Postado por
Ulisses
às
11:10
Finalizando meus relatos sobre o show bombástico do AC/DC em terras paulistanas, vamos à indiada propriamente dita.
Eu tive muita sorte de poder ir de carona com os meus amigos locais, Joel e Priscila -- porque, como eu já disse, chegar no Morumbi é um problema, e sair de lá é um problema maior ainda. Mas o engraçado é que São Paulo é tão descomunalmente megalópode, que nem mesmo os paulistas a conhecem direito. Meus amigos não tinham certeza de como se chegava ao estádio. Fora isso, já tínhamos saído com um carro quando lembraram que aquela placa não podia circular naquele dia/horário por causa do rodízio.
Após uma troca de veículos (e uma viagem de quase uma hora até chegar no estádio), encontramos o já citado estacionamento de R$ 100,00. Eu me dirigi ao meu setor dentro do estádio (a arqubancada mais próxima do palco). Arquibancada sim, por dois motivos: 1) eu queria assistir ao show, não agitar e 2) não tenho mais idade para a pista.
Estava eu lá, sentadinho num dos assentos da arquibancada, cercado por uma fauna que incluia piás bêbados, tiozões animados e famílias inteiras (ao meu lado estava uma mãe com o pecorrucho de uns 11 anos, que não tinha muita ideia do que estava acontecendo), quando aconteceu. Havia previsão de chuva para aquela noite, e o clima estava muito a fim de tornar a previsão realidade. De súbito, do meu lado do estádio, começaram a assomar-se imensas nuvens negras que, no melhor estilo "filme de fantasia dos anos 80", foram lentamente encobrindo o estádio.
Bem, aquela massa escura ia se deslocando lentamente por cima de nós, causando imenso frenesi. Subitamente, todos os vendedores de cerveja, pipoca e picolés sacaram capas de chuva e começaram a vendê-las para o público. Eu já tive a experiência de ver um show abaixo de um toró (Helloween e Iron Maiden, 1998) e sabia que, se chovesse de fato, aquelas capas baratas feitas com o mesmo plástico das sacolas de supermercado de nada serviriam. Por isso, fiquei sentado, quieto, aguardando.
Foi exatamente quando a nuvem negra pareceia estar indo embora (eu já via umas nesgas de céu por trás dela), a chuva começou: pingos pesados e intermitentes. Quase que imediatemente, o responsável pelo som mecânico dos P.A.s teve a abençoada ideia de pôr para tocar War Pigs, do Black Sabbath. Imediatamente, as tantas mil pessoas que já estavam no estádio naquela hora começaram a agir como se começasse uma apresentação do próprio Sabbath: batiam palmas no ritmo, cantavam a letra, faziam coro no riff.
E, tão logo a música terminou, a chuva também passou, num fim quase uníssono. Parecia ser um tributo que os deuses do rock queriam antes de permitir que assistíssemos aos australianos sexagenários.
Eu tive muita sorte de poder ir de carona com os meus amigos locais, Joel e Priscila -- porque, como eu já disse, chegar no Morumbi é um problema, e sair de lá é um problema maior ainda. Mas o engraçado é que São Paulo é tão descomunalmente megalópode, que nem mesmo os paulistas a conhecem direito. Meus amigos não tinham certeza de como se chegava ao estádio. Fora isso, já tínhamos saído com um carro quando lembraram que aquela placa não podia circular naquele dia/horário por causa do rodízio.
Após uma troca de veículos (e uma viagem de quase uma hora até chegar no estádio), encontramos o já citado estacionamento de R$ 100,00. Eu me dirigi ao meu setor dentro do estádio (a arqubancada mais próxima do palco). Arquibancada sim, por dois motivos: 1) eu queria assistir ao show, não agitar e 2) não tenho mais idade para a pista.
Estava eu lá, sentadinho num dos assentos da arquibancada, cercado por uma fauna que incluia piás bêbados, tiozões animados e famílias inteiras (ao meu lado estava uma mãe com o pecorrucho de uns 11 anos, que não tinha muita ideia do que estava acontecendo), quando aconteceu. Havia previsão de chuva para aquela noite, e o clima estava muito a fim de tornar a previsão realidade. De súbito, do meu lado do estádio, começaram a assomar-se imensas nuvens negras que, no melhor estilo "filme de fantasia dos anos 80", foram lentamente encobrindo o estádio.
Bem, aquela massa escura ia se deslocando lentamente por cima de nós, causando imenso frenesi. Subitamente, todos os vendedores de cerveja, pipoca e picolés sacaram capas de chuva e começaram a vendê-las para o público. Eu já tive a experiência de ver um show abaixo de um toró (Helloween e Iron Maiden, 1998) e sabia que, se chovesse de fato, aquelas capas baratas feitas com o mesmo plástico das sacolas de supermercado de nada serviriam. Por isso, fiquei sentado, quieto, aguardando.
Foi exatamente quando a nuvem negra pareceia estar indo embora (eu já via umas nesgas de céu por trás dela), a chuva começou: pingos pesados e intermitentes. Quase que imediatemente, o responsável pelo som mecânico dos P.A.s teve a abençoada ideia de pôr para tocar War Pigs, do Black Sabbath. Imediatamente, as tantas mil pessoas que já estavam no estádio naquela hora começaram a agir como se começasse uma apresentação do próprio Sabbath: batiam palmas no ritmo, cantavam a letra, faziam coro no riff.
E, tão logo a música terminou, a chuva também passou, num fim quase uníssono. Parecia ser um tributo que os deuses do rock queriam antes de permitir que assistíssemos aos australianos sexagenários.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Calou-se a voz
Postado por
Chico
às
15:00

(1940 - 2009)
Me faltam as palavras. Todos que assistiam aos programas da TVS (hoje SBT), conhecem a voz desse cara. Como fica o sorteio da Tele Sena daqui por diante (só pra ficar em uma das principais atividades dele)?
Lombardi é o símbolo de uma era que... já era. Ele era uma espécie de "the last man standing", ícone máximo de uma geração de locutores da escola "vozeirão" do rádio - aqueles que despertavam a imaginação de donas de casa e empregadas solitárias, que imaginavam nele um homem perfeito. Páreo pra ele, só Don LaFontaine. Que não tinha como patrão o Sílvio Santos. Então, sou mais o Lombardi.
Mas esse era um cara que tinha algo a mais. Lombardi não era apenas um locutor. Ele era O locutor. Sílvio Santos, ao tirar ele da Rede Globo e levá-lo para o SBT, disse:
- Vou te transformar no melhor locutor do Brasil.
Alguém ousa duvidar de SS?
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Mesa-redonda bola-quadrada: Grêmio x Barueri, Sport x Inter
Postado por
Hisham
às
13:48
Nesse domingo, tivemos a penúltima rodada do Campeonato Brasileiro:
A velha máxima diz que o futebol é uma caixinha de surpresas, mas como colorado, estou conformado: a lógica é que o Flamengo será campeão esse ano.
A situação que se desenhou é pitoresca, já que matematicamente, pro Inter ser campeão, é preciso que o Flamengo não vença o Grêmio. A torcida do Grêmio, então, está se divertindo essa semana com a noção de que o título colorado está nas mãos do tricolor. O papo é que o Grêmio deve entregar o jogo, para dar o "troco" ao Inter que supostamente teria "entregue" o jogo contra o São Paulo no ano passado -- uma acusação séria, quando na verdade o que o Inter fez foi escalar reservas por estar priorizando uma competição internacional, a Copa Sul-Americana, da qual aliás foi campeão, mostrando que a priorização foi correta. Nessa mesma Sul-Americana, o Grêmio escalou reservas contra o Inter: o tricolor então "entregou" pro Inter o título da Sul-Americana? Claro que não.
Sim, torcedores disseram torcer para que o Inter perdesse aquele jogo, assim como torcedores gremistas hoje dizem que querem que o Grêmio perca para o Flamengo. Na prática, entretanto, é difícil imaginar um grande clube dando a ordem para os jogadores entrarem em campo para perder. Se algum jogador fizer corpo mole, como insinuou Souza, é uma questão de falta de ética profissional de cada um. Por outro lado, escalar reservas em um jogo que não interessa é parte da prerrogativa que os times têm, e não me surpreende (e nem enraivece) se o Grêmio fizer isso. E parece que é o que vão fazer.
Mas e daí? A real é que não faz diferença: nem que o Grêmio fosse com força máxima, não ganharia no Maracanã. Se o Grêmio não ganha de ninguém fora de casa, do líder Flamengo é que não iam ganhar mesmo. Nenhum torcedor colorado iria perder o seu tempo torcendo pro Grêmio fora de casa. É sem futuro -- o Grêmio simplesmente não é capaz de ganhar. Esse papo da torcida de que o Grêmio vai entregar o jogo e tirar o título do Inter não cola. Os gremistas vão cornetear por o Inter não ser campeão? Vão claro, e com direito. Mas é a corneta básica de quem vê o rival chegar tão perto de um título e deixá-lo escapar -- a participação do Grêmio na última rodada não terá nada a ver com isso.
O único cenário em que os torcedores gremistas poderão realmente tirar com os colorados em função da última rodada seria se o Grêmio ganhasse do Flamengo e o Inter perdesse do Santo André. Aí realmente ficaria chato pro Inter.
Se os gremistas insistem em dar ao Inter o mérito de eles terem perdido o título de 2008, eu posso até concordar -- mas foi no 4x1 do Grenal do returno, jogo no qual eles perderam a liderança do campeonato (depois de ter uma margem de 8 pontos, diga-se de passagem) e não conseguiram mais se recuperar do baque. O mérito de ganhar um título ou demérito de perdê-lo está nas mãos do próprio time, e de mais ninguém.
Aproveito para me despedir das coberturas futebolísticas de 2009, já que pelo rodízio o MRBQ da última rodada será feito pelo Coutinho. Foi muito divertido fazer essa série aqui esse ano e a participação da galera nos comentários é o que fez disso uma verdadeira mesa-redonda. Até o ano que vem, na cobertura das peleias do Internacional na Copa Libertadores da América!
- Sport 1x2 Inter
- Grêmio 4x2 Barueri
A velha máxima diz que o futebol é uma caixinha de surpresas, mas como colorado, estou conformado: a lógica é que o Flamengo será campeão esse ano.
A situação que se desenhou é pitoresca, já que matematicamente, pro Inter ser campeão, é preciso que o Flamengo não vença o Grêmio. A torcida do Grêmio, então, está se divertindo essa semana com a noção de que o título colorado está nas mãos do tricolor. O papo é que o Grêmio deve entregar o jogo, para dar o "troco" ao Inter que supostamente teria "entregue" o jogo contra o São Paulo no ano passado -- uma acusação séria, quando na verdade o que o Inter fez foi escalar reservas por estar priorizando uma competição internacional, a Copa Sul-Americana, da qual aliás foi campeão, mostrando que a priorização foi correta. Nessa mesma Sul-Americana, o Grêmio escalou reservas contra o Inter: o tricolor então "entregou" pro Inter o título da Sul-Americana? Claro que não.
Sim, torcedores disseram torcer para que o Inter perdesse aquele jogo, assim como torcedores gremistas hoje dizem que querem que o Grêmio perca para o Flamengo. Na prática, entretanto, é difícil imaginar um grande clube dando a ordem para os jogadores entrarem em campo para perder. Se algum jogador fizer corpo mole, como insinuou Souza, é uma questão de falta de ética profissional de cada um. Por outro lado, escalar reservas em um jogo que não interessa é parte da prerrogativa que os times têm, e não me surpreende (e nem enraivece) se o Grêmio fizer isso. E parece que é o que vão fazer.
Mas e daí? A real é que não faz diferença: nem que o Grêmio fosse com força máxima, não ganharia no Maracanã. Se o Grêmio não ganha de ninguém fora de casa, do líder Flamengo é que não iam ganhar mesmo. Nenhum torcedor colorado iria perder o seu tempo torcendo pro Grêmio fora de casa. É sem futuro -- o Grêmio simplesmente não é capaz de ganhar. Esse papo da torcida de que o Grêmio vai entregar o jogo e tirar o título do Inter não cola. Os gremistas vão cornetear por o Inter não ser campeão? Vão claro, e com direito. Mas é a corneta básica de quem vê o rival chegar tão perto de um título e deixá-lo escapar -- a participação do Grêmio na última rodada não terá nada a ver com isso.
O único cenário em que os torcedores gremistas poderão realmente tirar com os colorados em função da última rodada seria se o Grêmio ganhasse do Flamengo e o Inter perdesse do Santo André. Aí realmente ficaria chato pro Inter.
Se os gremistas insistem em dar ao Inter o mérito de eles terem perdido o título de 2008, eu posso até concordar -- mas foi no 4x1 do Grenal do returno, jogo no qual eles perderam a liderança do campeonato (depois de ter uma margem de 8 pontos, diga-se de passagem) e não conseguiram mais se recuperar do baque. O mérito de ganhar um título ou demérito de perdê-lo está nas mãos do próprio time, e de mais ninguém.
Aproveito para me despedir das coberturas futebolísticas de 2009, já que pelo rodízio o MRBQ da última rodada será feito pelo Coutinho. Foi muito divertido fazer essa série aqui esse ano e a participação da galera nos comentários é o que fez disso uma verdadeira mesa-redonda. Até o ano que vem, na cobertura das peleias do Internacional na Copa Libertadores da América!
sábado, 28 de novembro de 2009
Um Solista no AC/DC: o show em si
Postado por
Ulisses
às
16:56

O sub-título do post poderia ser "megaprodução é questão de detalhe".
De acordo com a divulgação oficial, a Black Ice World Tour foi o show mais visto este ano, batendo Madonna e U2. Em Buenos Aires, por exemplo, teve-se que marcar duas datas extras para dar conta da demanda por ingressos. Em São Paulo, reuniram-se 70 mil pessoas no Panetone (ver post abaixo), o que é o maior público do qual eu já participei.
Tudo no show é estrepitosamente grande. As dimensões do palco, por exemplo são titânicas: 78 metros de comprimento por 21 de pronfundidade, e o pé direito era simplesmente impossível de imaginar de tão alto. O palco era devidamente ornado com um telão atrás da bateria e dois nas laterais, esses na posição vertical. Fora dois imensos bonés com chifres no topo do palco.
A abertura é fora de série: começa com os telões exibindo uma animação de um Angus Young demoníaco perdendo o controle de um trem. Quando a máquina vem em direção ao público, a surpresa: o telão de dentro do palco se divide em dois e uma locomotiva cênica de seis toneladas invade o palco -- no que entra a banda para tocar Rock 'n' Roll Train, do novo disco. A locomotiva, aliás, é parte essencial do show: ela liberta labaredas de fogo em T.N.T., em sincronia com a música, e é montada por uma colossal boneca inflável (outro clássico dos shows da banda) em Whole Lotta Rosie.
O show é repleto de momentos para arrancar o grito do público, reformulando todas as clássicas teatralidades do AC/DC. O clímax é sempre os canhões disparando em For those about to rock (we salute you)? Ok, vamos então usar doze canhões desta vez. O vocalista Brian Johnson sempre toca um imenso sino em Hells Bells? Então vamos fazer aquele velhinho de 62 anos (sim, é a idade do cara) vir correndo por uma passarela de uns 50 metros que vai pista adentro, se jogar e se pendurar na corda do dito sino. Angus Young faz um longo solo no final? Então agora ele atravessa a tal passarela até chegar a uma plataforma giratória no meio do público, onde ele é elevado a uma altura de uns 10 ou 15 metros para ser visto por todo o estádio.
O incrível do espetáculo, contudo, não foi a sua grandiloquência, mas sim as suas sutilezas. O set de iluminação, por exemplo, ia sendo revelado aos poucos, e só lá pela sexta canção é que víamos todas as luzes. No decorrer do show, porém, é que descobríamos que elas ainda se moviam e trocavam de cor, em possibilidades quase infinitas de combinações. Além disso, outras pequenas e inteligentes sacadas traziam o público para dentro do show, como as câmeras buscando as mulheres da plateia durante Shook me all night long e The Jack para mostrá-las nos telões; ou, ainda, a parte do palco cujo chão era de acrílico, onde Angus Young podia reproduzir a clássica cena do clipe de Thunderstruck -- sim, posicionaram um trilho de travelling e uma câmera debaixo do palco somente para este momento. A já citada Rosie inflável, por exemplo, batia o pé no ritmo da música, e por aí vai. Chega, vou demorar demais se citar tudo o que me chamou a atenção.
Ah, sim, tem a parte musical: todo mundo sabe que o AC/DC não é nenhuma agremiação de virtuoses, mas nem por isso são desleixados. A banda executa as suas músicas simples como um relógio, sem erros. O set list impressionou pela inserção de várias músicas do novo disco, alternadas com os clássicos -- bandas sem a mesma antiguidade se rendem à segurança de tocar apenas seus sucessos. Os australianos mostraram que tem o culhão de desafiar a audiência a ouvir seu trabalho recente (muito bom, aliás). Então a banda pulava de faixas do Black Ice, como War machine, Big Jack e a faixa-título, para Back in black, Highway to hell e Let there be rock com a naturalidade de quem gosta do que está fazendo. Brian Johnson não faz mais tudo aquilo que fazia antes com a voz (notadamente em Hells Bells), mas também não tenta esconder este defeito.
Sim, Angus Young, devem estar querendo saber dele. Para quem já se acostumou a guitarristas mais técnicos, mais criativos e mais sofisticados, o solo de vários minutos que o sujeito faz pode ser perto de um suplício. Mas virtuose ou senso estético apurado não é o foco aqui: a ideia é a celebração do guitar hero -- do cara que se entrega como ninguém ao palco, esbanjando simpatia e felicidade. Eu já vi Malmsteen esmerilhar hipnotizantemente o seu instrumento para deixar o palco com um sonoro "fuck" para o público, e me ocorreu que Angus Young não é festejado pela sua grandeza musical, mas sim por representar que o rockstar é nada mais que um sujeito comum que realiza um sonho de adolescência -- tocar guitarra para uma multidão.
Bem-aventurados os simples de espírito, porque serão louvados, certo? Engraçado como isso pode ser apropriado para um cara que toca uma música chamada "estrada para o inferno" para setental mil pessoas enloquecidas, usando dois chifres na cabeça...
Um Solista no AC/DC: Morumbi como estádio da Copa
Postado por
Ulisses
às
12:34
O show do AC/DC foi no Morumbi, estádio do São Paulo e uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. O Local tem pretensões de ser a casa do jogo de abertura do certame, e de abrigar jogos decisivos. Na minha rápida passagem por lá, vi que isso é completamene impossível.
Nós, colorados e gremistas, provavelmente já reclamamos em algum momento dos acessos ao Beira-Rio ou ao Olímpico: Porém, estamos muito bem servidos: o Morumbi é uma tragédia de acessibilidade. Enquanto os nossos estádios estão a poucos minutos de distância da região central de Porto Alegre, próximo a vias largas, o do São Paulo é cercado por ruelas estreitas e, de carro, leva-se uma hora e tanto para chegar saindo das áeras próximas ao centro.
Deixar o carro em segurança também é engraçado: qualquer terreno baldio ou construção abandonada vira um estacionamento caríssimo. No que conseguimos, a duas quadras do estádio, eu e os meus amigos paulistanos pagamos a bagatela de R$ 100,00 por pouco mais de quatro horas. Na rua, os flanelinhas também enfiaram a faca: de R$ 40,00 a R$ 50,00 para ouvir o famoso "bem cuidado, senhor" e deixar o veículo a céu aberto. Nada da estrutura de estacionamento que vemos no Beira-Rio, por exemplo,
Mas engraçado mesmo é como os palmeirenses e corintianos se referem ao Morumbi: chamam carinhosamente o estádio de panetone -- grande, redondo e cheio de frutinhas dentro.
Nós, colorados e gremistas, provavelmente já reclamamos em algum momento dos acessos ao Beira-Rio ou ao Olímpico: Porém, estamos muito bem servidos: o Morumbi é uma tragédia de acessibilidade. Enquanto os nossos estádios estão a poucos minutos de distância da região central de Porto Alegre, próximo a vias largas, o do São Paulo é cercado por ruelas estreitas e, de carro, leva-se uma hora e tanto para chegar saindo das áeras próximas ao centro.
Deixar o carro em segurança também é engraçado: qualquer terreno baldio ou construção abandonada vira um estacionamento caríssimo. No que conseguimos, a duas quadras do estádio, eu e os meus amigos paulistanos pagamos a bagatela de R$ 100,00 por pouco mais de quatro horas. Na rua, os flanelinhas também enfiaram a faca: de R$ 40,00 a R$ 50,00 para ouvir o famoso "bem cuidado, senhor" e deixar o veículo a céu aberto. Nada da estrutura de estacionamento que vemos no Beira-Rio, por exemplo,
Mas engraçado mesmo é como os palmeirenses e corintianos se referem ao Morumbi: chamam carinhosamente o estádio de panetone -- grande, redondo e cheio de frutinhas dentro.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Um Solista no AC/DC: siga o cabeludo de preto
Postado por
Ulisses
às
14:17
Estou em São Paulo para ver o show do AC/DC -- e aproveitar para fazer uma rápida cobertura de poucos posts.
Há uma regra universal no mundo dos show de rock: se tu fica meio perdido, sem saber como exatamente chegar no lugar onde vai acontecer o evento, é muito simples se achar. Basta seguir o cabeludo de preto. Pode ser um muquifo underground ou um megashow, seguir o cabeludo de preto é uma verdade absoluta. Nosso amigo Carlos "Iky" Porto, por exemplo, fez a temeridade de ir assistir ao Iron Maiden sozinho em Buenos Aires. Sem saber como ir da parada de ônibus para o estádio, ele passou a seguir os grupos de hermandos de camisetas pretas e longas melenas e pronto: chegou no local.
Claro que, quanto maior for o evento roqueiro, maior é o alcance do conceito do cabeludo de preto. Embarquei para São Paulo no dia anterior ao show, quinta-feira. Sequer tinha posto os pés no avião, ainda estava no passadiço que leva à aeronave, quando dois gurizões à minha frente se viraram e disseram:
- Cê vai no AC/DC, né?
De tanto ir em shows de rock, em dado momento tu mesmo pode virar um cabeludo de preto...
Há uma regra universal no mundo dos show de rock: se tu fica meio perdido, sem saber como exatamente chegar no lugar onde vai acontecer o evento, é muito simples se achar. Basta seguir o cabeludo de preto. Pode ser um muquifo underground ou um megashow, seguir o cabeludo de preto é uma verdade absoluta. Nosso amigo Carlos "Iky" Porto, por exemplo, fez a temeridade de ir assistir ao Iron Maiden sozinho em Buenos Aires. Sem saber como ir da parada de ônibus para o estádio, ele passou a seguir os grupos de hermandos de camisetas pretas e longas melenas e pronto: chegou no local.
Claro que, quanto maior for o evento roqueiro, maior é o alcance do conceito do cabeludo de preto. Embarquei para São Paulo no dia anterior ao show, quinta-feira. Sequer tinha posto os pés no avião, ainda estava no passadiço que leva à aeronave, quando dois gurizões à minha frente se viraram e disseram:
- Cê vai no AC/DC, né?
De tanto ir em shows de rock, em dado momento tu mesmo pode virar um cabeludo de preto...
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Mesa redonda, bola quadrada: Grêmio x Palmeiras, Altético-MG x Inter
Postado por
Roberto Coutinho
às
23:47
Na reta final do Campeonato Brasileiro 2009, emoções não faltam. Restam apenas 2 jogos para teminar o ano futebolístico para a maioria das grandes equipes brasileiras. O Grêmio está jogando só para manter a forma de seus atletas. Já o Inter renasceu e está novamente no G4, próximo aos líderes. E assim foi a rodada para a dupla grenal:
O Inter, beneficiado pelo resultado de quarta-feira, foi mobilizado ao mineirão enfrentar o adversário direto pela vaga no G4. Como do outro lado estava o técnico Celso Roth, a missão do colorado ficou mais fácil. Bem armada e marcando em cima o adversário, a equipe gaúcha fez o gol ainda aos 15min do primeiro tempo, depois do chute na trave de Alecsandro e do rebote que Giuliano não disperdiçou. O tempo foi passando e o galo não conseguia chegar com grande perigo, deixando a equipe nervosa em campo. No final, a pressão ainda aumentou, mas o Atlético-MG não arrancou nem o empate. Com isto, o Inter pulou para o terceiro lugar, ficando a 3 pontos do líder São Paulo e praticamente classificado para a Libertadores 2010.
Mas o maior destaque dos últimos jogos é o Fluminense. Esteve na lanterna praticamente toda a segunda rodada do campeonato. Mas engrenou no final e conseguiu sua quinta vitória seguida, tendo boas chances de escapar do rebaixamento. Além disso, está na final da Copa Sul-Americana. Porém, no momento que estou escrevendo o post, está tomando o quinto gol da LDU na primeira partida da decisão, terminando a partida 5x1 para os equatorianos.
- Grêmio 2x0 Palmeiras
- Atletico-MG 0x1 Inter
O Inter, beneficiado pelo resultado de quarta-feira, foi mobilizado ao mineirão enfrentar o adversário direto pela vaga no G4. Como do outro lado estava o técnico Celso Roth, a missão do colorado ficou mais fácil. Bem armada e marcando em cima o adversário, a equipe gaúcha fez o gol ainda aos 15min do primeiro tempo, depois do chute na trave de Alecsandro e do rebote que Giuliano não disperdiçou. O tempo foi passando e o galo não conseguia chegar com grande perigo, deixando a equipe nervosa em campo. No final, a pressão ainda aumentou, mas o Atlético-MG não arrancou nem o empate. Com isto, o Inter pulou para o terceiro lugar, ficando a 3 pontos do líder São Paulo e praticamente classificado para a Libertadores 2010.
Mas o maior destaque dos últimos jogos é o Fluminense. Esteve na lanterna praticamente toda a segunda rodada do campeonato. Mas engrenou no final e conseguiu sua quinta vitória seguida, tendo boas chances de escapar do rebaixamento. Além disso, está na final da Copa Sul-Americana. Porém, no momento que estou escrevendo o post, está tomando o quinto gol da LDU na primeira partida da decisão, terminando a partida 5x1 para os equatorianos.
sábado, 21 de novembro de 2009
Feliz aniversário atrasado, República
Postado por
Ulisses
às
10:19

No último dia 15, o sistema republicano no Brasil estava aniversariando. Lá se vão 120 anos desde quando o marechal Deodoro foi acordado por um grupo de militares revoltosos e, de pijama, assinou a proclmação da República -- ou pelo menos assim reza a lenda.
O interessante é que, no caso brasileiro, "república" não foi sinônimo de "democracia". Quando se fala que o nosso sistema democrático é jovem, não estamos brincando: liberdade política real tivemos poucas vezes na nossa história, e de maneira não contínua. A democracia a valer, aliás, também está de aniversário. Muito mais jovem, ela fez apenas 20 anos neste último 15 de novembro.
Mas chega de divagações. Que tal alguns dados concretos sobre a República no Brasil?
O número de presidentes: é uma polêmica. Afinal, teve presidente eleito que não assumiu, teve junta militar provisória e presidente da Câmara como presidente em exercício. Na conta oficial, são 35. Mas, contabilizando apenas os que receberam a faixa, são 32.
A melhor profissão para virar presidente: advogados do Brasil, candidatai-vos, já que 16 (ou seja, a metade) dos nossos presidentes se formaram em Direito (incluindo o Sarney). Era um ótimo negócio na República Velha (1889-1930), onde quase todos os 13 mandatários máximos eram magistrados. Mas também não é ruim ser militar (nove presidentes de farda, 10 se contarmos o Getúlio -- que também era advogado).
Outras profissões que geraram presidentes: alguns tiveram como profissão a metalurgia, a sociologia, a engenharia civil (Itamar Franco!). Alguns tinham uma segunda ocupação, como romancista (de novo o Sarney), historiador, estancieiro, professor (Jânio Quadros, que era considerado excelente em sala de aula), futebolista (Café Filho, goleiro do Alecrim! -- JK jogou como amador no Atlético Mineiro) ou jornalista (Collor, o que reclama da imprensa, fez até estágio no JB). Também era legal chefiar o Serviço Nacional de Informações, o serviço secreto brazuca, na época da Ditadura: dois chefes do SNI ganharam a presidência.
Origens étnicas dos presidentes: até que reflete a nossa mistura cultural. Já tivemos descendentes de imigrantes italianos e alemães. E tivemos um presidente mulato há 100 anos atrás, Nilo Peçanha, que escondia a sua origem afro até nas fotos oficiais. Aliás, Nilo também era pobre, sendo o primeiro presidente a ter ascendido da classe mais baixa para a mais alta, bem antes de Lula. JK, por outro lado, é o único presidente conhecido no mundo a ser de descendêmcia cigana.
A religião dos presidentes: a esmagadora maioria é católica de batismo, mas Ernesto Geisel era luterano. E FHC é ateu.
Maior tempo na Presidência: Getúlio é imbatível nessa. Foram 18 anos, 6 meses e 25 dias (se minhas contas estão certas). Sei lá, ele deve ser também o presidente que mais usou de diferentes maneiras para chegar ao poder: por voto indireto, por voto direto, por revolução e, mais incrível, dando um golpe de Estado em si mesmo.
Menor tempo na Presidência: Carlos Luz, que ficou no poder entre os dias 8 e 11 de novembro de 1955 (quatro dias, portanto), após o afastamento de Café Filho.
Quantos golpes aconteceram: os golpes de Estado bem-sucedidos foram cinco -- a própria Proclamação da República, a Revolução de 30, o golpe do Estado Novo em 1937, o golpe preventivo de 1955 e o golpe de 1964. Outros tantos foram fomentados mas não deram certo.
Quantos ditadores tivemos: excluindo-se as juntas militares, tivemos sete governos totalitários. Além dos cinco presidentes militares pós-64 e de Getúlio durante o Estado Novo, Floriano Peixoto é considerado por alguns especialistas como ditador. Se o contabilizarmos, a República teve 31 anos de "governo de exceção".
Quantos vices assumiram: em sete ocasiões, os vices foram empossados por conta de renúncias, falecimentos ou afastamento por doença. Em outras quatro vezes, a presidência foi ocupada pelo presidente da Câmara ou do STF.
Quantos presidentes foram eleitos democraticamente: contando que as eleições na República Velha não eram democráticas, tivemos apenas SETE mandatários escolhidos livremente pela população. Sete de 32! Os números ficam ainda mais impressionantes quando notados que apenas QUATRO chegaram ao fim do mandato, e que somente TRÊS eram civis (JK, FHC e Lula).
Então, somos uma república que, nos seus 120 anos de história, teve apenas três presidentes civis eleitos democraticamente que conseguiram terminar o mandato. Somos ou não somos uma democracia jovem demais?
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Tcheco: JÁ VAI TARDE
Postado por
Chico
às
14:19

O capitão reclamão, símbolo de uma era de derrotas, desequilíbrios emocionais e políticos, de quase-conquistas e, principalmente, de FUTEBOL RUIM, rescindiu o contrato com o Grêmio.
Espero realmente que, com ele, caia também a venda que cega a grande maioria da torcida tricolor, que enxerga nele um líder e jogador imprescindível pro time, por causa de uma tão falada "identificação" com o clube. Pra um time que já teve Hugo de Leon e Dinho como capitães, é melhor nem comentar mais nada.
Nós tínhamos o Tcheco. Eles tinham o Fernandão. Eles têm o Guiñazu.
Nós temos agora o Victor. Não é bem melhor?
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