sexta-feira, 14 de maio de 2010

A notícia que não noticia

Vocês também se incomodam quando leem uma longa matéria que simplesmente não explica o assunto central falado no título dela? O exemplo mais recente em que me deparei foi esse:

Lula diz ter 99% de chances de convencer Irã sobre programa nuclear, Estado de São Paulo, 14 de maio de 2010

Lendo a manchete, a primeira coisa que me perguntei foi "convencer o Irã de que?". Lendo a matéria, já é dito no primeiro parágrafo que ele irá tentar "convencer os líderes do Irã a aceitar os acordos propostos pela comuniade internacional sobre o programa nuclear do país persa". A pergunta óbvia que se segue é: "de que consistem esses acordos?". Mas aí não há resposta. Nos 10 parágrafos do texto, produzido "com informações das agências Efe e Reuters", temos basicamente o seguinte:
  1. Lula disse na Rússia que acha que tem 99% de chances de convencer o Irã sobre os acordos propostos sobre seu programa nuclear
  2. Presidente russo Medvedev repete o discurso americano e diz que Lula é a última chance do Irã
  3. Medvedev deseja sorte a Lula
  4. Medvedev chuta que tem "30%" de chances, Lula diz que tem "99%".
  5. Lula diz que vai tentar. Brasil rejeita sanções contra o Irã e quer ser mediador.
  6. Medvedev falou com Obama e disse pra deixar pro Lula.
  7. Medvedev disse que se não rolar, o Conselho de Segurança sabe o que vai acontecer.
  8. Lula está em Moscou e depois vai pro Irã
  9. Rússia diz que só aprova as sanções se não prejudicarem os seus próprios negócios com o Irã. China se opõe às sanções.
  10. Países a favor das sanções dizem que o Irã quer fazer uma bomba atômica e o Irã nega.
Notem quanto espaço é gasto nas "estimativas" (que só servem pra fazer manchete) e em papo diplomático. Explicar quais são os acordos propostos, nada. Ao longo do texto, há 4 links pra outras notícias e 2 links para infográficos, nenhum dos quais explica o que Lula estará tentando convencer o Irã a aceitar. Abaixo da notícia, uma seção de comentários para a tão falada "interação dos internautas", cheia de opiniões fervorosas. Mas aí eu me pergunto: como é que alguém pode ter uma opinião sobre a notícia se ela não explica aquilo que ela se propõe a noticiar?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Por que eu resolvi boicotar a Apple

Ontem, postei duas mensagens no meu Twitter:
I am now officially boycotting Apple: http://bit.ly/cjwkQI - Apple's move is bad for the industry, bad for developers, bad for end users.
Vendo iBook G4 baratinho. Motivo: me livrando dos produtos Apple http://bit.ly/anq8YX
Algumas pessoas ficaram surpresas, incluindo meu primo, que perguntou por que do boicote, e pediu uma explicação "numa linguagem pra leigo". Nas poucas palavras que o Twitter permite, respondi que "a nova licença deles restringe as ferramentas que os programadores podem usar. Se a indústria for por aí, acaba a inovação." Adicionei, pra fazer uma analogia rápida, que é "como se fosse um canal de TV que só aceita vídeos editados com o Final Cut Pro e proíbe o uso de qualquer concorrente." A reação dele resume bem o que senti quando soube dessa notícia.

Ainda assim, em função de outras reações que recebi, achei que valeria a pena explicar melhor o porquê de eu achar isso uma notícia particularmente preocupante.

Na semana passada, a Apple anunciou uma mudança no "iPhone Developer Program License Agreement", a licença que os programadores devem aceitar para que possam desenvolver softwares para a plataforma. Na nova versão, foi adicionada uma nova restrição aos programadores: a Apple agora dita quais linguagens de programação são permitidas para quem quer escrever programas para a sua plataforma. Obviamente, somente aquelas suportadas pelas próprias ferramentas da Apple.

A razão disso foi o iminente lançamento do Flash CS5 da Adobe, que permitiria aos programadores desenvolver aplicações em Flash e convertê-las automaticamente pra que pudessem rodar tanto no iPhone como em outros smartphones, sites web, etc. Permitiria -- se a Apple não tivesse tornado isso agora ilegal. Como era de se esperar, essa jogada deixou furiosos os caras da Adobe que tiveram a trabalheira de fazer esse conversor e estavam prontos para lançá-lo no mercado.

O motivo do meu boicote não é essa rasteira na Adobe, que também não é nenhuma santa (lembram de quando a Adobe conseguiu botar na cadeia um estudante de doutorado que fez uma apresentação mostrando os furos de segurança do formato de eBook deles?). Muito pelo contrário, chega a ser irônico ver essas duas empresas se digladiando hoje, tendo em vista que nos obscuros anos 90 a Apple se manteve viva porque era "a melhor máquina para rodar Adobe Photoshop".

O motivo do meu boicote é que isso abre um precedente inédito na indústria: nunca os programadores foram tão restringidos em sua liberdade de escolha de ferramentas de trabalho em uma plataforma popular como essa. Pior que isso: se fosse só esse o problema, seria um incômodo, mas algo com que os programadores poderiam apenas "se virar e aprender as ferramentas permitidas". O problema maior é que esse movimento da Apple não tem por objetivo "enquadrar os programadores", mas sim impedir o desenvolvimento de programas portáveis.

Um software é "portável" (do inglês portable; deveria ser traduzido "portátil" mas no meio da computação acabou ficou assim) quando ele é feito de modo a poder ser escrito uma vez e poder ser compilado ("empacotado pra rodar") em diferentes ambientes. Exemplos de softwares portáveis são o Firefox (que roda em Windows, Mac, Linux, etc.), o OpenOffice, e os próprios iTunes e Safari, da Apple, que rodam em Mac e Windows. Alguns programas, como o Microsoft Office, têm versões pra Windows e Mac, mas foram efetivamente programados duas vezes, o que, como se pode imaginar, é uma trabalheira.

O que a Adobe tentou fazer com o Flash CS5 foi criar uma ferramenta para programação de "apps" portáveis: programe uma vez e rode seu programa num iPhone, num Motorola, num Nokia, etc. O programador ganha, pois ele tem o trabalho uma vez só e não precisa apostar as fichas em uma só plataforma, e os usuários ganham, por terem mais opção de escolha.

E aí você pensa: e a Apple perde, né? Afinal, os aplicativos da sua plataforma perdem a exclusividade. Foi pensando assim que a Apple fez o que fez. A justificativa que eles parecem ter dado foi que ao proibir camadas de abstração que permitam portabilidade eles estariam prezando pela qualidade dos aplicativos da plataforma. Isso é balela: um sem-número de apps para iPhone têm interfaces totalmente customizadas e look nada "nativo", e também não faltam exemplos de softwares que têm performance excelente mesmo possuindo abstrações para portabilidade.

Mas eles não estão no seu direito de fazer isso para tentar proteger o seu mercado? Legalmente, é claro que sim, tanto que fizeram. Mas vamos tentar dimensionar o precedente que um movimento desses abre para a indústria -- em bom português, "se a moda pega". E se a Microsoft passasse a permitir apenas o uso das suas linguagens preferidas, como C# e VB.NET, para o desenvolvimento de aplicativos para Windows? Claro, ela jamais faria isso com o Windows, plataforma que cresceu e dominou o mercado em grande parte pelo enorme pool de aplicativos disponíveis, desenvolvidos nas mais variadas linguagens. Seria inviável para a própria Apple fazer isso com o Mac OSX -- até porque a viabilidade da plataforma hoje depende de um monte de programas portados de outros lugares.

Mas o que precisa da nossa atenção é que nesses novos ambientes como os smartphones, que vêm fazendo cada vez mais parte da nossa vida e de que somos cada vez mais dependentes, empresas como a Apple estão tentando impor novas regras no jogo. Regras que beneficiam os provedores dessas plataformas, aqueles que vendem o hardware e são os "gatekeepers" das application stores, mas que limitam as escolhas dos desenvolvedores das apps e dos usuários.

Foi graças à liberdade dos programadores de escrever softwares que rodam em múltiplos ambientes que muitos programas hoje são uma realidade, sejam softwares de código aberto ou fechado, do Firefox ao Safari (este último, um programa de código fechado da Apple baseado em código aberto do projeto KDE que foi tornado possível através de uma camada de abstração). Liberdade essa que a Apple agora nega aos programadores que queiram fazer programas para rodar no iPhone.

Será que a Microsoft gostou quando a Apple portou o iTunes para o Windows, e levou embora tantos usuários do Windows Media Player? Bom, é a regra do jogo, não é? Que o usuário escolha e vença o melhor programa. "Afinal, o computador é do usuário e ele instala o que quiser." Pois é, só que agora no novo mundo não é assim. Com as "aprovações" nas App Stores, o fabricante se coloca no direito de dizer o que você pode ou não instalar. E com as restrições de linguagem, o fabricante agora diz pros programadores como eles podem ou não programar.

Você pode se perguntar: "Mas peraí -- esse lance de aprovações já não era assim, por exemplo, no mundo dos videogames? Todo jogo precisa ser licenciado para ser lançado para um console, e afinal de contas, um telefone não é um computador." O problema é que o telefone é o primeiro passo. Hoje em dia os telefones são sim computadores e cada vez mais surgem "gadgets" que tomam o lugar dos computadores pessoais para um número cada vez maior de tarefas. Acaba que o computador é disfarçado de algo que não parece um computador para que os usuários aceitem ter menos liberdade de escolha do que esperariam de um computador. E mesmo no draconiano mundo do licenciamento de videogames, a liberdade de escolha de linguagens de programação e de desenvolvimento de games portáveis pra múltiplas plataformas sempre foi mantida.

Aquilo que a Apple fez ao portar o iTunes para o Windows, ela agora não permite que os programadores façam. Sob o pretexto de manter a qualidade da plataforma, ela impõe mais e mais restrições, mesmo a própria Apple tendo mostrado com o OSX que se pode fazer uma plataforma de qualidade sem restrições desse tipo. Como disse lá no tweet inicial, isso é ruim para a indústria, ruim para os desenvolvedores, ruim para os usuários finais. Nesse iMundo da Apple, as pessoas têm cada vez menos liberdade de escolha.

Que fique claro: não sou daqueles que simplesmente "odeiam a Apple". Meu primeiro computador foi um clone nacional de Apple II, em 1986. Meu irmão xerocava na tabacaria perto de casa páginas e páginas da revista Nibble (muito cara pra comprar!) com listagens de programas em AppleSoft BASIC. Nos anos 90, quando estava desistindo de tentar conseguir trazer dos EUA um Commodore Amiga, meu sonho de consumo era um Macintosh Performa. Isso tudo antes do primeiro iMac colorido sequer existir. Quando fui pros EUA em 2005 finalmente pude ter um Apple de novo, e comprei um iBook G4, o último modelo com chip PowerPC, logo depois que a Apple anunciou a transição para o chipset Intel (que fez com que os Macs se tornassem, basicamente, PCs bonitos e caros -- que o diga meu amigo Fabio que roda Mac OSX num netbook Dell). É com tristeza que eu vejo uma empresa que já brilhou tanto na indústria promovendo inovação tecnológica agora recorrer a táticas como essa para brigar por mercado.

sábado, 10 de abril de 2010

Os 40 anos do fim dos Beatles

Há 40 anos atrás, Paul McCartney anunciou oficialmente o fim dos Beatles. Nunca mais os quatro tocariam juntos novamente, apesar de uma combinação de três deles juntos ter ocorrido.

Na única gravação que se conhece de Lennon junto com Mccartney depois do término dos Beatles, McCartney toca bateria e Lennon está tão cheirado que nem consegue tocar mas Stevie Wonder, que participa da gravação, e em entrevista posterior disse que não tinha visto nada disso.

Em 1976, num dos primeiros episódios do famoso programa Saturday Night Live, o produtor Lorne Michaels apresentou um cheque de U$ 3.000,00 aos Beatles para que se apresentassem no programa. Paul McCartney depois disse que tinha falado no telefone com John Lennon - ambos estavam assistindo ao programa - e que quase foram, só de sacanagem.

E talvez a ocasião mais oportuna dos Fab Four terem tocado juntos novamente está relatada na biografia do Eric Clapton - que recomendo fortemente a qualquer músico. Nela, Eric Clapton confessa sobre o que ocorreu na festa de casamento com Patty Boyd em 1979, na página 220:

"George, Paul e Ringo também tocaram, faltando apenas John, que depois telefonou para dizer que também teria ido lá se tivesse sabido. Jamais saberei como isso aconteceu; basta dizer que não tive muito a ver com os convites. mas perdeu-se uma grande oportunidade de reagrupar os Beatles para uma última apresentação."

Senti uma dor ao ler este parágrafo...

Numa entrevista do filme póstumo Imagine, John Lennon declara pouco antes de sua morte que tinha vontade de tocar junto com os outros três novamente. Não relatou detalhes, mas deu a entender que não queria voltar com a banda - apenas rolou uma saudade dos velhos tempos, queria se divertir um pouco.

Pois bem, alguns dizem que eles nunca deveriam ter voltado mesmo. A morte de John em 1980 se mostrou o grande catalisador do "Beatles Revival". As vendas de discos dos Fab Four aumentavam progressivamente. Vale lembrar que até aquela época não existiam bandas de "idosos", o tempo passava e as bandas eram simplesmente esquecidas. Ficou cada vez mais publicamente reconhecido o impacto dos Beatles na música, mais especificamente na transformação do rock em arte.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Eventualmente vs. Eventually

Esses dias estava conversando sobre o significado da palavra "eventualmente". Vejo hoje em dia pessoas usando-a como sinônimo da palavra inglesa "eventually", que significa algo como a expressão "mais cedo ou mais tarde":
We'll keep on trying, and eventually we'll get it right.
Vamos seguir tentando, e mais cedo ou mais tarde iremos acertar.
Há alguns anos atrás eu via isso sendo feito de forma informal e com uma intonação de voz que deixava claro que se estava fazendo uma brincadeira linguística entre o português e o inglês (lá no laboratório, na graduação, fazíamos muito disso). Mas hoje eu vejo algumas pessoas fazendo isso com certa naturalidade.

O significado que aprendi quando era criança era outro, "ocasionalmente", como mostra o exemplo do UOL Educação:
Mr. Hughes smokes a cigar occasionally.
O sr. Hughes fuma um charuto eventualmente.
Os "defensores da língua" apontam o uso "anglicizado" da palavra como sendo um erro, e de fato muito desse uso pode advir de coisas que parecem erros de tradução: mas como saber se o tradutor não é uma das pessoas que "adotou o novo significado" e o está fazendo conscientemente?

O caso de "eventualmente" eu acho especialmente interessante porque não há uma palavra única em português para o sentido de "eventually", apenas expressões mais longas com sentido similar, ao passo que para o sentido tradicional, "ocasionalmente" é um sinônimo perfeito, e na prática é mais rápido e coloquial dizer simplesmente "às vezes". Talvez seja por isso que as pessoas que entram em contato com "eventually" passam a sentir falta no português de uma palavra que ocupe um campo semântico equivalente: é uma palavra realmente útil.

Talvez algumas palavras sejam mais propensas a isto que outras. Os sentidos em italiano e espanhol de "eventualmente" parecem ser também diferentes do sentido tradicional em português.

Na minha opinião, talvez em função do contato mais constante das pessoas com a língua inglesa desde a popularização da internet (hoje em dia um percentual maior de pessoas fala inglês ou é impressão minha?), essa palavra está sim adquirindo o significado de "eventually". Ao menos no meu círculo de convívio, eu já vejo hoje mais gente usando "eventualmente" como "eventually" do que como "ocasionalmente". E eu lembro bem que quando eu era criança não era assim, porque eu precisei aprender o significado de "eventually" no inglês e era diferente do que eu já sabia no português.

Acho inevitável que este novo significado acabe entrando nos dicionários nos próximos anos. É interessante perceber em um espaço tão curto de tempo a língua da gente mudando ante os olhos.

Agora, o confuso é quando ambos os sentidos são possíveis na frase...
Não sou sócio do clube, mas eventualmente eu apareço por lá.
Na sua primeira leitura, você interpretou que o sujeito está dizendo que uma hora dessas vai acabar aparecendo, ou que ele costuma aparecer lá de vez em quando? Deixe um comentário!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Combo metal/hard/progressivo: DT e Guns - show 2 - final

CONTINUANDO.

Saindo do Pepsi, recebemos uma mensagem do André, que dizia exatamente o seguinte:

“Descolamos um terreno DO LADO do palco pagando 25 pila pra tiazinha dona do pico. Venham pra ca depois do DT!”

E agora, José?

Eu topei na hora. O restante da gurizada que tava junto também topou. Nossos instintos indígenas afloraram na hora. Sentimos cheiro (forte) de indiada no ar, e nos jogamos na aventura, sem medo de sermos felizes.

Em dez minutos, estávamos em direção ao estacionamento da Fiergs para ver o Guns’n’fckn’Roses. Ou pelo menos dois sextos da banda (tem o Dizzy Reed, lembram?). Liguei pra Bárbara pra avisar que chegaria tarde. BEM TARDE. E expliquei toda a situação. E ela: “putz, vou junto!”. Fomos até a minha casa busca-la, e ainda comemos alguma coisa antes de ir pro show, tamanha era a nossa certeza de que o negócio todo começaria muito atrasado (o show do DT terminou às 23h45, ainda tínhamos no mínimo uma hora pra ir até a Zona Norte). O Ulisses e os Maciel Brothers foram antes pro local.

Pequeno flashback: na saída do DT, o Roberto recebe uma ligação de um telefone com o final 5150. O Jean matou a charada: “é o Jorginho, certo!”. E era mesmo. Esse louco (irmão do Hisham, by the way) é tão fanático pelo Van Halen que o final do fone dele é... 5150 (para quem não conhece Van Halen... ah, joga no Google). O Jorginho queria carona pra voltar pra São Leo, mas ele não contava que a nossa noite “rrrrock” estava recém na metade. Aliás, porque será que o Jorginho não foi no Guns? Fiquei com essa pulga na orelha.

Devidamente alimentada, nossa trupe dirigiu-se à Freeway, contando com as estranhas indicações do André de como chegar ao local “secreto” de onde assistiríamos ao show. Mas não contavam com a minha falta de astúcia: consegui errar a entrada pra Assis Brasil. Fui salvo pelo Jean e o Roberto, que me indicaram um retorno curto pra Freeway. E eis que... engarrafamento. Só porque todo mundo passava devagar pra ver os estragos e possíveis corpos de um acidente. Nunca vou entender essa curiosidade mórbida.

Chegamos à rua indicada quando tocava “Welcome to The Jungle”, segunda música do set list (manjadíssimo, ao contrário do DT: foi exatamente igual em todos os shows brasileiros). Avistamos o Ulisses e estacionamos onde ele estava, uma biboca muito estranha, uma espécie de ferro velho ou algo parecido. O local fica nas imediações da Fiergs. Ali já percebemos que dava pra ver tudo do show dali mesmo, na rua.

Mas a coisa ia melhorar! O Ulisses nos levou até o nosso “camarote”: um caminhão (?!?!??? - 4) lotado de gente, com alguns buracos no chão e uns bancos pra enxergar melhor. Juntamo-nos aos amigos que já estavam ali e fomos curtir “Mr. Brownstone”, bem felizes e nos divertindo MUITO com a situação. Encontramos o André e ele ainda nos disse que tinha pastel, enroladinho e refri, oferecidos pela dona do local. Tratamento VIP. Se soubéssemos, não tínhamos jantado antes de ir.

Depois de Mr. Brownstone, confesso que dispersei MUITO, porque, cara... como é chato esse “Chinese Democracy”! Só ouvi UMA música do disco que funciona ao vivo, que, pelo que me lembro, é “Sorry”. As outras eram uma ducha de água gelada no público. E o Axl Rose fez a burrada de botar quase todas elas juntas, num bloco. Fora isso, a encheção de saco de 3, TRÊS solos de guitarra dos TRÊS guitarristas da banda – olha o Iron Maiden fazendo escola. De legalzinho, só o do Bumblefoot, que fez o solo em cima do tema da Pantera Cor-de-Rosa. Destaque também para a guitarra de dois braços do cara, onde a peça de cima é fretless (coisa que ele não aproveita muito, muita firula e pouca exploração das interessantes possibilidades do instrumento). E ainda tiveram DOIS solos de teclado e piano (Dizzy Reed, citando “Ziggy Stardust”, do David Bowie, bem bacana) e do próprio Axl Rose, uma já manjada introdução à November Rain, judiada pelos guitarristas da banda.

Pontos altos: Axl Rose está muito bem de voz. Fiquei surpreso com o que ouvi, apesar de perceber que em vários momentos ele era ajudado pelos colegas de banda nos famosos agudos rasgadaços típicos – detalhes de lucidez que só um show à longa distância pode te proporcionar. Além disso, a produção de palco foi primorosa. E Sweet Child O' Mine ficou na cabeça também.

Pontos negativos: as músicas de Chinese Democracy, e a enrolação beirando o amadorismo no intervalo das músicas (numa das vezes, a banda, esperando Axl Rose trocar de figurino pela enésima vez, chegou ao ponto – pra nossa sorte – de tocar um GRANDE trecho de “Another Brick In The Wall – pt. II”).

Pontos engraçados: no estacionamento logo à frente, um fã solitário fazendo “air drums”, empolgadíssimo com as músicas e fazendo a alegria da galera do “camarote truck”.

Bem, amigos, é isto. Foi o que a minha memória permitiu escrever. Devo ter esquecido muita coisa, mas os comentários estão aí pra isto, afinal, tive testemunhas com tanto ou mais cacife que eu para relatar o que vimos. Estou com a sincera sensação de que fui um dos poucos privilegiados que viveu um dia histórico em Porto Alegre ontem.

Combo metal/hard/progressivo: DT e Guns - show 1

DE VOLTA.

Em seguida, começa a tocar uma espécie de versão acústica de “Erotomania”, um dos instrumentais mais legais do DT, tocada em um violão com cordas de náilon (?!?!??? - 2). Logo depois, vieram “As I Am” e “Pull Me Under”, todas tocadas com certa displicência, o que nos fez concluir que aquilo que ouvíamos era o próprio John Petrucci aquecendo e rindo da nossa cara.

Pequeno flashback: eu, o Roberto e o Jean resolvemos ir de táxi para o show, pra não nos incomodarmos com estacionamento. Passamos a pé bem em frente ao Sheraton, e percebemos uma pequena movimentação de motos da polícia. Como a conversa estava animada, nem demos bola. Dentro do táxi, passa uma van pela gente e várias motos da polícia em volta. As mesmas que havíamos visto uns cinco minutos antes na frente do hotel. O taxista foi quem nos alertou: os caras que estavam na van eram uns cabeludos que estavam dando autógrafos pra algumas meninas na frente do Sheraton. Passamos a pé pelos caras do Dream Theater e não vimos.

Voltamos ao show. Depois do Petrucci fazendo piada no backstage, entra no playback a trilha de Psicose. Lá vem eles. Começam com um pequeno #fail: quando inicia a primeira música do show (a abertura do último disco, “Black Clouds and Silver Linings”), cai a cortina, totalmente fora do tempo, e aparece a banda. Fora isso, tranquilo, já que “A Nightmare to Remember” é uma boa composição, com vários climas e poucos momentos de virtuose vazia - o aspecto que realmente me incomoda no som deles.

Em seguida, o show seguiria com belos momentos de Jordan Rudess e Mike Portnoy, definitivamente os grandes destaques da banda. Portnoy é um monstro. Sem palavras. Vê-lo ao vivo chega a ser assustador, tamanha a naturalidade que ele imprime no estilo de tocar. E Rudess... bom, além de ser grande instrumentista, destacou-se por mais duas coisas: seu teclado giratório e seu teclado “canivete”, no estilo Dominó e Polegar. E menção honrosa para James LaBrie, que está no auge da sua capacidade vocal.

Pontos altos: seqüência que começou com “Erotomania” e seguiu com “Voices”, “As I Am”, “The Spirit Carries On” e “Pull Me Under” (não lembro se nessa ordem exatamente, mas com certeza todas no mesmo bloco). De tirar o fôlego.

Pontos baixos: John Petrucci, que continua fazendo solos vazios e chatos, e o encerramento com uma música de 20 minutos (apesar de mostrar alguns bons momentos), “The Count of Tuscany”.

Pontos engraçados: John Petrucci tocando as seis primeiras notas do riff de “Sweet Child O’Mine”, recebendo uma sonora vaia e se divertindo com isso. Uma menina fã da banda (cantava todas as músicas) tentando enxergar alguma coisa do palco, já que não tinha mais que um metro e meio.

Pontos BIZARROS: Durante “Hollow Years” (uma balada bem “Roberto Carlos”, segundo o Roberto... Coutinho e bem “Alejandro Sanz”, segundo o Daniel Coutinho), um casal ao nosso lado trocava juras de amor (?!?!??? - 3), enquanto o homem cantava os versos da música olhando nos olhos da amada. A cena não recomendada para diabéticos terminou com um beijo digno de “A Pícara Sonhadora”.

Pontos chatos: bem do nosso lado (e, até onde pudemos ver, somente ali), uma turma resolveu fazer "roda punk etílica" durante várias músicas.

Terminado o show. Ces’t fini. The night is over. Ou não.

CONTINUA.

Combo metal/hard/progressivo: DT e Guns - prólogo

Foi um dia atípico o dia de ontem.

Quando soube, há cerca de dois meses, que haveria dois shows internacionais, de bandas que eu gosto muito (não sou fã, mas gosto bastante), NO MESMO DIA, tive momentos de dúvida. Em qual deles ir? Não sei bem o que me fez decidir por um e não pelo outro. Sei que em nenhum momento me arrependi da escolha.

E então, chega o dia 16. E desde já peço desculpas por esta não ser uma resenha comum de show. Mas o dia de ontem não teve nada de comum.

À tarde, fico sabendo da previsão – que mais tarde revelou-se um pouco exagerada – que Axl Rose e sua banda que ainda chama-se Guns’n’Roses entrariam no palco somente por volta das 3 da manhã. O motivo seria o equipamento da banda, ainda trancado no Rio de Janeiro, depois da desastrosa “não-passagem” pela cidade maravilhosa. De imediato, avisei o André e o Daniel, que iam ao show. E mantive a informação na cabeça. O Dream Theater subiria ao palco do Pepsi on Stage às 21h30. Se a previsão de atraso do Guns fosse no mínimo aproximada, daria até pra ir aos dois shows. O problema seria a grana. Um grande problema.

Fomos de turma ao Dream Theater. Da turma de solistas, estavam, além de mim, o Roberto, o Daniel (que desanimou com a notícia do atraso do Guns), o Jean e o Ulisses. O André optou pela aventura de encarar o provável e gigantesco atraso do Axl Rose.

ATENÇÃO: a partir de agora, o relato contém fatos inusitados, verídicos e improváveis, mas verdadeiros. Sério mesmo.

Eu, Jean e Roberto chegamos alguns minutos antes da banda de abertura subir ao palco. Passamos pelos portões do local sem pegar nenhum tipo de fila, experiência inédita e prazerosa pra mim. Lá dentro encontramos o Ulisses e os irmãos Maciel, amigos nossos e fãs de DT. Demoramos mais de meia hora pra achar o Daniel, que estava a uns 10 metros da gente. E o local não estava mais do que “meio lotado”. Começou a indiada, pensei.

Eis que entra a banda de abertura. Ao som da Marcha Imperial, de Star Wars. Conseguiram muitos simpatizantes de cara. Nossa turma inclusa. Os quatro integrantes do Bigelf adentram o ambiente, parecendo 4 clones do vocalista do “Quase Famosos”, com a exceção do próprio vocal e tecladista da banda, que trajava uma capa roxa (“Yes” feelings) e uma cartola (teve muita piada relacionando o cara ao Slash). E o baixista era canhoto e tinha dreadlocks, o que despertou a simpatia do Roberto. Entendam como quiserem.

(Pequeno parênteses: palavras do nosso amigo Coutinho: “essa era a banda que eu queria ter: um guitarrista que usa Gibson SG, um baixista canhoto que nem eu, e que usa um Rickembacker, e um tecladista frontman, que coloca dois teclados NO MEIO DO PALCO!”)

Mas a simpatia foi embora depois da segunda música, quando tudo o que eles tocavam parecia igual, uma mistura de (ótima definição dos Coutinho Brothers) Deep Purple e Silverchair (?!?!??). Uma bosta, na verdade. Pra não dizer que tudo tava ruim, tinha um Yoda em cima do teclado. Bem simpático, apesar de clichê. Mas o som tava horrível e a banda não ajuda.

Pontos altos: ... Oi?

Queríamos mesmo era ver o Dream Theater. E então começa a movimentação de roadies no palco, testando o som, afinando instrumentos. Puxamos o coro “roadie, roadie, roadie!”. Coro este logicamente imitado logo depois. Os shows são divertidos por causa deste tipo de coisa.

CONTINUA.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Top Seven: clássicos que ficariam fantásticos em 3D


O cinema pós-Avatar será totalmente em 3D? Esta "revolução" seria tão impactante como a do som, como alguns apregoam? Saberemos no devido tempo. Enquanto quase todo o blockbuster daqui por diante será lançado/realizado no formato de 3D estereoscópico, fiquei imaginando que filmes do passado ficariam fenomenais se fosse fossem exibidos nesta nova tecnologia.

Não me preocupei, ao fazer a lista, em dificuldades técnicas e nem estou propondo que estas obras deveriam ser refilmadas, que fique claro. É só um exercício de imaginação, usando como base os filmes exatamente como eles são, sem mudar nada.

7. Tubarão (Jaws, EUA, 1977, direção de Steven Spielberg): imagine o trabalho de câmera bolado por Spielberg para este filme com a profundidade de campo que o novo 3D proporciona. As câmeras subaquáticas que se aproximam por baixo dos banhistas teriam um efeito dramático estupendo. Fora que o tubarão propriamente dito ficaria mais aterrador.
Cena que valeria a pena em 3D: todas em que a câmera fica no nível da água. Fariam o espectador ter uma verdadeira "imersão" no filme (sacaram o trocadilho infame?).

6. Jasão e os Argonautas (Jason and the Argonauts, Inglaterra, 1963, direção de Don Chaffey e efeitos criados por Ray Harryhausen): está na lista só para ver as criaturas elaboradas pelo maior mago da sétima arte, Harryhausen, ganharem vida em três dimensões.
Cena que valeria a pena em 3D: quem conhece o filme sabe muito bem qual é.

5. Ben-Hur (idem, EUA, 1959, direção de William Wyler): a duração seria um especilho, mas a grandiosidade do filme seria acentuada com o 3D. E quem não ia querer ver a antológica disputa de quadrigas com os cavalos saltando da tela?
Cena que valeria a pena em 3D: a já citada corrida no circo.

4. Fantasia (idem, EUA, 1940, produção de Walt Disney): o trabalho mais ambicioso de Disney tem delírios visuais que ficaram impressionantes com a tecnologia -- como os segmentos dos dinossauros, dos demônios ou mesmo o dos jacarés e hipopótamos bailarinos.
Cena que valeria a pena em 3D: a tomada no episódio O Aprendiz de Feiticeiro em que o mago dispersa as águas do alto das escadas.

3. Guerra nas Estrelas (Star Wars, EUA, 1977, direção de George Lucas): ainda bem que a fraca trilogia recente (Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith) foram feitos antes de Avatar, senão teríamos que aturá-los em 3D. Já a trilogia original ficaria incrível.
Cena que valeria a pena em 3D: a batalha em torno da primeira Estrela da Morte ficaria ainda mais aluncinante (com destaque também para o combate que abre O Império Contra-ataca).

2. Cidadão Kane (Citzen Kane, EUA, 1941, direção de Orson Welles): se esta obra-prima não oferece o espetáculo que os anteriores propõem, tem um visual tão ou mais refinado que qualquer um deles. O trabalho genial do diretor de fotografia Gregg Toland, em buscar profundidades de campo inéditas, como toda a extensão da cena em foco, iria se ressaltar de maneira magnífica no 3D.
Cena que valeria a pena em 3D: todas que exploram a profundidade de campo.

1. 2001 - Uma Odisseia no Espaço (2001, A Space Odissey, EUA e Inglaterra, 1968, direção de Stanley Kubrick): não poderia faltar Kubrick à lista -- um diretor que, se estivesse vivo, teria estado à frente do pioneirismo de James Cameron na área. Ver as naves e os astronautas de fato flutuando à nossa frente, ou ter a impressão de poder tocar a superfície do monolito (naquela tomada de câmera icônica, em que o vemos de baixo para cima) seria algo que me deixaria simplesmente enlouquecido.
Cena que valeria a pena em 3D: cinco palavras: Júpiter e Além do Infinito.

E então, galera, o que eu esqueci?

segunda-feira, 8 de março de 2010

Focus - A banda, não o carro.

Porto Alegre - 07/03/2010 - Teatro do CIEE

Gostei do show. Superou as minhas expectativas. Excelente banda instrumental que mostrou ao vivo o que eu já conhecia dos discos, e não decepcionou nem um pouco. O quarteto está muito bem ensaiado e os músicos são todos muito bons, executam as músicas com "folga".

A banda apresentou todos seus clássicos, como o esperado. O show teve um formato que normalmente vejo nos shows de Jazz. 1 hora, 15 minutos de intervalo, mais uma hora de show. Na primeira parte, como era de se esperar, a idéia era deixar o público eufórico. Conseguiram. Na segunda parte do show rolou um seção onde cada músico mostrou suas habilidades. Ficou claro o momento de cada um. E foi aqui que eu conclui: "É, eles executam com MUITA folga!". Fecharam o show com Hocus Pocus (clássico absoluto, e no dobro da velocidade) com um cara na minha frente quase dando com a cabeça no chão de tão maluco que estava.

O tecladista e flautista é um show a parte. Extremamente simpático e o tempo todo interagindo com o público. Falando bobagens, fazendo gestos e comemorando as passagens difíceis. O mais engraçado era a sua semelhança com o Chacrinha (vejam no site, www.focustheband.com), ainda mais quando em umas das musicas ele usou uma Buzina! A comparação foi inevitável.

O som do teatro estava muito bom, talvez a guitarra e voz pudessem ter sido melhores, mas precisismos a parte, ouvia-se tudo perfeitamente. Eles trouxeram seu próprio Eng de Som, e o apresentaram no meio show como membro da banda. Reconhecimento merecido aos bastidores.

Showzasso!

Observação:
O publico saiu tão enlouquecido do teatro na hora do intervalo que acabou com todo o material de merchandising da banda! Mas sim, garanti o meu CD ao vivo (só vendido em shows) me enburacando no meio de cotovelos e gritos. Claro que falarei deste disco na sequência, mas primeiro vou apreciar com calma a minha conquista :)
Pena que não consegui uma camiseta, pois eles haviam vendido tudo no show de Minas, e sobrou apenas 6 (?!?!?!) para POA.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Vocês sabiam que eu compro CDs? Mais perto de casa.


Terceiro disco da banda Grand Funk Railroad, gravado em 1970. Closer To Home também é o primeiro do Grand Funk na minha coleção.
O que me chamou a atenção na prateleira neste CD é que todo o encarte é em Japonês! Obviamente não entendi nada que estava escrito,
a não ser o texto da contracapa, que resumidamente fala que este é o disco da redenção do grupo, onde a esta altura já moviemntava multidões e tinham fãs por toda a parte.

Eu sou meio suspeito para falar, porque eu adoro Power Trio dos anos 70, mas o disco é excelente!
De especial este disco contém o clássico I'm Your Captain, e duas faixas bonus.

Todos os músicos são muito bons. Recomendo!

Músicos:

Mark Farner (vocals, guitar, keyboards);
Don Bewer (vocals, drums);
Mel Schacher (bass).

Músicas:
1 - Sin´s A Good Man´s Brother
2 - Aimless Lady
3 - Nothing Is The Same
4 - Mean Mistreater
5 - Get It Together
6 - I Don´t Have To Sing The Blues
7 - Hooked On Love
8 - I´m Your Captain
9 - Sin´s A Good Man´s Brother (Single Edit Version)
10 - I´m Your Captain (Single Edit Version)


Vídeo:


Para saber mais:

Site Oficial

Wikipedia

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Jack Bauer Brasileiro

Já imaginou um filme de ação a la Jack Ryan sendo feito no Brasil? Pode imaginar, porque ele já tem data de lançamento: em maio deste ano, chegará nos cinemas Segurança Nacional, (direção de Roberto Carminati e estrelado por Thiago Lacerda). Há uns três anos pipocam informações sobre este filme na internet, mas aparentemente só agora os realizadores conseguiram finalizar a obra (bem em época de compra de caças).

Segurança Nacional parece ser bem ufanista: o roteiro privilegia as ações das Forças Armadas e da Agência Nacional de Informação (Abin) numa trama que parece extraída de filme de verão americano. Os narcoterroristas estrangeiros pretendem destruir o Sivam para seus carregamentos de armas e drogas entrarem livremente no Brasil. Detalhe: para desativar o sistema, eles querem usar nada menos que uma bomba atômica. Confira o trailer.

Momentos marcantes:

0:08: fala didática para o espectador entender tudo direitinho.
0:29: Milton Gonçalves como o presidente do Brasil desferindo uma frase supostamente de impacto, mas que não faz sentido léxico.
0:47: a perseguição nas estradas serranas do Rio (diacho, sempre quis fazer uma cena assim!).
0:56: por que as chamas estão ao contrário?
1:14: palavras do Hisham: "pra dizer que vai ter uma subplot romântica do tipo
'marmanjos, podem levar as namoradas'".
1:28: Thiago Lacerda ordenando que um bandido fiquei parado, mesmo já subjugado e imobilizado.
1:31: ah, bem... É uma, errr... Pois é. Sem palavras
1:51: "... E grande elenco" - não é filme nacional se não tiver isso no trailer.

A crítica e os cinéfilos de plantão já estão esboçando os dentes para o filme. No entanto, ele pode achar o seu nicho de mercado, se o grande público estiver inclinado a ver uma história de fundo nacionalista. Muita gente reclama que o cinema nacional "mostra sempre o lado ruim do país, e nunca o que ele tem bom". Será que é por este tipo de filme que eles estão esperando?

Eu, particularmente, acho que pode ser uma ótima guity fun - como são os filmes do James Bond, de tão absurdos divertem. Ainda mais que o filme parece ter o que nos EUA se chama production value: o bom trabalho de produção acarreta num filme bom (pra resumir).

O mais divertido é que este filme não está sozinho.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Guns 'n' Roses ou Dream Theater: em qual show ir?

Pois então, falando em shows, aconteceu que Guns 'n' Roses e Dream Theater tocarão em Porto Alegre, satisfazendo velhos desejos dos seus fãs. Maravilha. Beleza. Mas as duas apresentações são no mesmo dia: 16 de março.

O Guns (ou Axl Rose e banda, caso queiram) vai se apresentar no Gigantinho; o Dream tocará no Pepsi On Stage. Não querendo dar uma de chato, mas nenhum dos dois locais me parece conveniente para as bandas. Show no Gigantinho tem acústica ruim e conforto zero, e o Guns tem cacife o suficiente para um espaço ao ar livre; já uma banda de progressivo poderia se dar melhor num teatro.

De qualquer maneira, uma questão se impõe: em qual deles ir? Qual a preferência dos caros solistas desafinados (e nosso fieis leitores)?

Eu posso dizer que já fui num show do Dream Theater (São Paulo, Monsters of Rock de 98, turnê do Falling into Infinity) e que nunca vi o Guns ao vivo. Entretanto, prestigiarei mais uma vez os meus antigos ídolos do metal progressivo (sim, já fui muito fã, um verdadeiro ytsejammer). Este arremedo do GNR eu não pretendo assistir nem mesmo pelo folclore de dizer "ah, eu vi Guns".

E vocês?

sábado, 30 de janeiro de 2010

Show em São Paulo é outra coisa

Esse post é de certa forma uma continuação do anterior, mas focando em outro assunto: as diferenças de set list dos shows das grandes bandas nas diferentes cidades do Brasil.

Tem bandas que fazem a tour inteira com variações mínimas de set, como foi o caso da tour de reunião do Police, e outras que são famosas por variar bastante o set list, como o Dream Theater. Outra que varia bastante o set é o Pearl Jam. Quando eles vieram pro Brasil em 2006, me chamou a atenção a diferença entre os sets do Rio e de São Paulo. O show na Apoteose, que eu assisti, foi um show pra todo mundo cantar junto do início ao fim. O set foi focado nos álbuns mais conhecidos: tocaram cinco músicas do primeiro álbum (Ten) e cinco do segundo (Vs.). Pra minha tristeza, não sobrou espaço pra nenhuma do meu álbum preferido da banda, o No Code, que é um disco mais "lado B". Pra minha surpresa, lendo o set list de São Paulo, vi que várias do No Code foram executadas. Fiquei a ver navios enquanto os paulistanos curtiram "Present Tense" e "Hail Hail"...

No ano seguinte, teve show do Dream Theater no Rio e São Paulo. Eu andava meio afastado da banda desde o Six Degrees of Inner Turbulence (e o Train of Thought me afastou de vez), mas o Octavarium foi um disco interessante então resolvi ir no show (também para compensar ter visto o show deles pela metade nos EUA). Como vários amigos foram pra assistir o show em São Paulo e lá eles tocariam duas noites consecutivas, decidi pegar a ponte-aérea-de-pobre (ônibus overnight Rio-SP, 7 horinhas de viagem) e ver os dois shows. Em se tratando de Dream Theater, não é loucura -- foi praticamente um show de 6 horas de duração dividido em duas noites. Se bem me lembro acho que só 2 ou 3 músicas repetiram. E a indiada pra SP valeu a pena: tocaram o Octavarium inteiro (metade em cada noite) e no final da segunda noite rolou a "surpresa" que eles sempre prometem pra cidades onde fazem 2 shows consecutivos: pro Brasil, foi a íntegra de um dos meus discos preferidos deles, o Scenes From a Memory.

Hoje, novamente, uma história similar se repete. Quinta-feira, show do Metallica em Porto Alegre. Um set list forrado das "confirmadas", focado nos três discos mais populares da banda -- Black Album, Master of Puppets e Ride The Lightning (que surpreendeu com 4 músicas!) -- além de uma de cada um dos discos, por assim dizer, não-renegados. A do meu álbum preferido, ...And Justice For All, foi a obrigatória "One", como já comentei no outro post. Entre as músicas eu gritava simbolicamente pedindo mais músicas do Justice, mas sem nenhuma esperança. E ainda teve o riffzinho de "The Frayed Ends of Sanity" tocado antes do bis, só pra deixar na vontade.

Dois dias depois, show em São Paulo, o primeiro de duas noites. Tenho um amigo que mora do lado do Morumbi e vai no show de domingo. Hoje, ficou ouvindo o show de casa e twitando o set list. E qual a minha surpresa: tocaram três musicas do ...And Justice For All! Pros paulistas rolou "One", "Harvester of Sorrow" e "Blackened" (se essa última tivesse sido tocada em Porto Alegre, não sei se estaria aqui ainda pra escrever isso pra vocês!). Além disso, o bis teve uma música a mais: tocaram duas do Kill 'Em All, "Motorbreath" e "Seek & Destroy", ao invés de apenas a última.

Pois é, estou começando a detectar um padrão aí... nos shows de São Paulo as bandas parecem sair do feijão-com-arroz. Eu sabia que isso acontece nas turnês americanas e europeias quando as bandas passam por algumas cidades chaves como Nova York ou Londres, onde elas já tocaram muitas vezes e por isso procuram dar algo mais pros fãs que não estão indo pela primeira vez. Mas não tinha me dado conta que São Paulo parece estar adquirindo esse status.

Pra nós de Porto Alegre resta ficarmos felizes que a cidade voltou enfim para o circuito de shows internacionais. Afinal, como me disse a recifense Alexandra, eu estou "reclamando de barriga cheia", já que os fãs da maior parte do país não têm shows das suas bandas preferidas vindo pras suas cidades. Mas de qualquer forma, fica a dica: dependendo do nível de fanatismo por uma banda, gastar com o deslocamento e com os preços salgados dos ingressos paulistanos pode até valer a pena.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A volta do Metallica

O Metallica de verdade, que tocou pela primeira vez em POA em 2010

Ontem, no show do Metallica, uma de minhas teorias se confirmou: realmente, a banda acabou depois do Black Album e foi reformada ano passado, com o lançamento do Death Magnetic.

Pra quem insistia em me contradizer, dizendo que o Metallica continuava na ativa, ontem tive a prova: James Hetfield anunciava que ontem era o primeiro show do Metallica em Porto Alegre!

É claro que alguns fãs ficaram confusos, especialmente porque há 11 anos atrás tocou aqui outra banda com o mesmo nome (e há quem diga, praticamente os mesmos integrantes, mas há controvérsias).

Os canastrões do outro "Metallica", que vieram pra cá
em 1999 e tomaram uma aula de metal do Sepultura


Mas enfim o verdadeiro Metallica voltou e fez a alegria de seus fãs, tocando músicas dos seus 6 álbuns (Kill 'Em All, Ride The Lightning, Master of Puppets, ...And Justice For All, Metallica (o "Black Album") e Death Magnetic), além de duas covers: "Die, die my darling" do Misfits, e "The Memory Remains", uma música legal de alguma banda que eu não conheço.

No mais, o show foi excelente. James Hetfield simpático e falando aquele inglês-devagar-pra-todo-mundo-entender, marca de um frontman experiente; Kirk Hammett fazendo os seus esperados solos de wah-wah tocando com suas ESPs pintadas com cartazes de filmes de terror; Robert Trujillo empolgadíssimo como sempre, e já tem o meu voto para ser adicionado como personagem no próximo Street Fighter (já tem até o especial!); e o velho Lars Ulrich se matando pra tocar as baterias que deixaram o mundo do som pesado boquiaberto quando ele as gravou quando era guri... esses anos de parada do Metallica devem ter deixado ele destreinado!

Pessoalmente eu gostaria de ter ouvido mais alguma do ...And Justice For All -- só tocaram "One" e testaram o público com a intro de "The Frayed Ends of Sanity" mas infelizmente a maioria não soube acompanhar o canto viking -- mas pelo esforço que já foi pro Lars tocar "One", achei melhor ser compreensivo e achar o suficiente. O Justice é daqueles discos que as bandas gravam no auge da habilidade e que depois se tornam uma pedra no sapato pra tocar ao vivo (mas isso é assunto para um outro post, outro dia). De qualquer forma, estou feliz de ter visto o show de uma das bandas mais relevantes pra minha formação musical. Só por isso, a volta do Metallica depois de quase 20 anos de inatividade já valeu a pena pra mim.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Quem envelheceu: eu ou o Bon Jovi?


Este post é um desabafo de um fã (não tenho vergonha de admitir: EU GOSTO DE ESCUTAR BON JOVI).

Estava animado com as entrevistas pré-lançamento do álbum "The Circle". Estava mesmo. Era, pela primeira vez em 10 anos, a promessa da volta ao hard rock que consagrou a banda.

Bullshit. Cascata. Lorota. Mentira grossa. NON TEM NAAADA QUE VER.

Vamos a uma análise individual:

1) "We Weren't Born to Follow" - O disco já começa pra cima (YES, WE CAN style). E eu já começo... pra baixo. Batera genérica, compressão à toda, guitarras genéricas, nenhuma dinâmica e... cadê o David Bryan? Jon Bongiovi canta: "this one goes out to...". Acho que eu já ouvi isso. Ah, tá aí o teclado, no refrão, fazendo um "clima". Vozes de arena gritando "yeah" por toda a música. Já me sinto desolado.

Pérolas: "Let me hear you say YEAH" e um grito de "GUITAR!" muito do chocho antes do solo... genérico. Sambora já foi MUITO melhor.

2) "When We Were Beautiful" - A coisa melhora um pouco. Um porto seguro da banda: as músicas que falam da época que eles eram jovens, ou, neste caso, "beautiful". Geralmente nessas eles acertam a mão. Aqui, eu confesso que não sei se eles acertaram a mão ou se a anterior era tão ruim que eu achei essa boa. Chegou o solo. Mais melódico, menos "já ouvi isso antes". A música é melhor que a outra mesmo. Mas não é nenhuma "Just Older" (caceta, pra vocês verem como a minha exigência até está baixa, tô comparando com uma música do "Crush", lançado em 2000, um disco medíocre).

Pérolas: "Shalala, shalala, HEY", rufadas militares no primeiro refrão, entre outros clichês bagaceiros.

Pérola positiva: "Back, when we were beautiful, before the world got small, before we knew it all".

3) "Work For The Working Man" - Ó! O DAVID BRYAN TÁ VIVO! Ouço piano nessa música! Mas as surpresas positivas são ofuscadas pelo refrão ESTÚPIDO. De novo, os coros de vozes são ridículos, gritando "WORK!", e "HEY!" como um bando de robôs. Nenhum solo ou trabalho de guitarra inspirado do Sambora ainda. O que, pra mim é uma profunda decepção, já que eu espero algo mais decente dele desde 1995.

Pérolas: ah, desisti de destacar um ou dois pontos a cada música.

4) "Superman Tonight" - Quase pulei a faixa só pelo título. Devia ter pulado. NÃO, PERAÊ! O Jon Bongiovi tá subindo pros agudos no refrão! Não acredito! Desde o "These Days" ele não fazia iss... ah, parou no meio do caminho. Merda. Devia ter pulado mesmo.

Preciso descansar os ouvidos.

... 24 horas depois...

5) "Bullet" - Cheguei ao absurdo de ficar com saudades de ouvir "Have A Nice Day". Desliguei o mp3 player e liguei a Last FM. "Have a nice day", a música é um belo dum rock. Excluindo esse último disco, daria pra fazer um belo e digno álbum do Bon Jovi com as melhores músicas desde o "Crush" (alguém me disse isso uma vez, e é realmente verdade mesmo).

6) "Thorn In My Side" - Não dá mais pra comentar. Desculpa aí. O disco é muito chato.

Desisto. Juro pra vocês que não ouvi até o final. E se as músicas finais forem boas, bom, perdão, mas se uma banda é tão BURRA a ponto de colocar no "lado B" as ÚNICAS músicas do disco que valem uma audição, não merece a atenção de ninguém mesmo (o Hisham se deu conta dessa, e tem o meu aval). E então, quem envelheceu: eu ou o Bon Jovi?

Preferia ter ido ver o filme do Pelé.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Performance capture: mecanização ou liberdade para os atores?

Um termo relativamente novo é a buzzword do momento no mundo do cinema: performance capture. Basicamente é um nome novo para a conhecida técnica de motion capture, que visa enfatizar o impacto artístico que o avanço tecnológico da técnica proporcionou.

O motion capture, a técnica de gerar uma representação digital movimentos para aplicá-los sobre modelos 3D, começou como um meio de gerar movimentações mais realistas para personagens animados por computador, já que traçar manualmente o movimento de cada parte do corpo é muito trabalhoso e demanda um grande talento de "puppeteer" dos animadores. Ao longo da evolução do motion capture, a técnica veio sendo usada em conjunto com a animação manual, já que a tecnologia permitia capturar grandes movimentos, como braços e pernas, mas apresentava dificuldades com a sutileza de um rosto. Essa dificuldade com as sutilezas foi em grande parte o motivo da técnica encontrar mais uso em comédias de animação, como os filmes da Pixar, onde não há problemas em se ter movimentações caricatas e expressões faciais pouco realistas.

A primeira grande tentativa de fazer um filme 3D usando inteiramente motion capture visando resultados realísticos foi em Final Fantasy, produzido pela Square (que não é um estúdio tradicional de cinema, mas sim uma empresa de games). Os resultados foram impressionantes para a época, mas mesmo assim todos sabíamos que a tecnologia ainda estava longe de "chegar lá".

Com o passar dos anos, o processo foi evoluindo e os filmes lançados ficam como retratos do avanço da técnica: basta comparar os filmes The Polar Express (2004) e Beowulf (2007), ambos do diretor Robert Zemeckis.

O exemplo de hoje, claro, é Avatar de James Cameron. Mas e aí, ele é só mais um passo em um processo gradual ou o avanço na técnica de motion capture deu um salto que justifica um novo nome?

Assistindo ao "making of" das cenas com os na'vis em Avatar, tendo a acreditar na segunda opção. Mais do que o avanço tecnológico, é notável a diferença no processo no que tange o trabalho dos atores. Provavelmente em cinco anos acharemos o resultado visual de Avatar ultrapassado, mas o mapeamento que existe entre a performance emotiva dos atores e o que aparece no resultado final é muito mais direto. O simples fato de que a performance corporal e as expressões faciais são capturadas em conjunto permitem compor no modelo 3D uma representação consistente do trabalho do ator. Compare isto com o processo tradicional e a diferença é gritante: no motion capture os atores capturando movimentos são quase como "dublês" dos modelos 3D.

O interessante disso tudo, muito mais do que a "graça hi-tech", é o potencial que essa técnica tem ao proporcionar novos graus de liberdade artística. No "making of" de Avatar, vemos o diretor filmando as cenas do voo dos ikrans capturando o movimento de miniaturas, como uma criança que brinca com um aviãozinho de brinquedo, ao invés de traçar curvas na tela de um computador. Mais impressionante ainda, vemos Cameron controlando o ângulo da cena movendo fisicamente uma câmera virtual no set que reage a uma performance previamente capturada, como se estivesse navegando no ambiente 3D de um jogo. Hoje um ator pode dar uma performance emotiva única e o diretor tem a chance de mover a câmera e testar outros ângulos depois do "corta!". É análogo ao salto que a música deu quando a gravação multi-pista foi criada.

A técnica ainda está na infância, claro, mas já podemos visualizar qual será o passo seguinte: a renderização de personagens humanos realmente indistinguíveis de uma pessoa filmada por uma câmera tradicional. Cruzar essa barreira é o grande desafio, pois envolve não apenas tecnologia mas superar uma resistência psicológica dos espectadores, o chamado "uncanny valley": foi observado que de maneira geral a reação das pessoas a figuras humanóides é particularmente negativa quando a figura é quase-quase humana.

Ainda não chegamos no ponto onde se pode fazer um filme plenamente realista renderizado totalmente por computador, mas estamos mais perto do que a maioria pensa. As duas partes do quebra-cabeças são a captura dos movimentos e a renderização das imagens. Na captura dos movimentos tivemos um belo show com Avatar, e pesquisas recentes mostram como a tecnologia pode simplificar bastante, como podemos ver nesse vídeo apresentado no SIGGRAPH de 2007. Na parte de renderização das imagens, fiquei realmente impressionado com estes resultados apresentados no SIGGRAPH de 2008. (E isso que ainda nem parei pra ver os vídeos do SIGGRAPH de 2009, e já estamos em 2010! :) )

Mas e aí, quais os resultados práticos disso? Eu acredito que, quando chegarmos nesse ponto, uma nova era vai se abrir na maneira como se produz cinema. Os diretores terão um grau de controle sobre o resultado final muito maior que o de hoje. E principalmente, os atores não serão mais limitados pela sua idade ou aparência, somente pelo seu talento: poderemos ver uma performance magistral de um jovem Hamlet produzida pela experiência de um ator de 70 anos.

Enquanto não temos o pleno realismo, podemos experimentar um pouco disso com personagens fantásticos como os na'vi ou desenhos animados. O já citado Robert Zemeckis anunciou que fará um remake do desenho Yellow Submarine usando performance capture, e anunciou os atores que interpretarão os Beatles: surpresa nenhuma que eles não se parecem nem um pouco com os Fab Four. O importante é o talento pra interpretação e o trabalho de voz. Inclusive, as cenas de performance musical serão capturadas por músicos: ou seja, as pessoas mais indicadas para fazer cada parte, sem a velha esquisitice de ter que evitar filmar o rosto dos dublês nas cenas de ação.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Já estamos em 2010...

Dizem que em ano eleitoral a gente sente que o ano passa mais rápido. Mas bem sinceramente. Todos os anos estão passando cada vez mais rápido. É o que muita gente tem sentido.

Será que agora além de anos de eleição, anos de tentativas de impeachment de governadores e escândalos de políticos no senado também vão fazer sentirmos que o ano está passando mais rápido?

Se for assim, infelizmente envelheceremos logo. Como se já não fosse suficiente o estresse da correria diária, da insegurança de sair de casa, ou até mesmo dentro de casa. Ainda mais essa.

O que antes era um ano sim outro não, está sendo um ano sim, o outro também. Chega um ponto que cansa. E não dá nem tempo para descansar. Alias, dá sim. No carnaval. E viva as mulatas seminuas e as festas. Afinal de contas, brasileiro adora festa. E as mulatas seminuas são como um bola de futebol para um menino. Falando em bola de futebol, em 2014 tem Copa do Mundo no Brasil. Sabemos que a arbitragem brasileira não está lá essas coisas. Seria influência da política? Só esperemos que para essa Copa não haja muita roubalheira. O que infelizmente certamente vai acontecer.

Claro, errar é humano. E juízes de futebol erram, jogadores erram, treinadores erram, políticos erram, aliás, e como erram! Mas tudo bem. Não adianta a gente gritar "vamo invadir!", ou "juiz ladrão, porrada é a solução", porque quem invade são eles, os políticos. Invadem nossos porquinhos com seus leiões e quem leva porrada é o povo.

Mas nem tudo está perdido, no Natal podemos ganhar panetones. Para quem não conseguir ser previlegiado dos panetones da capital, todo interior tem uma pizzaria. Não me recordo nenhum sabor que inclua pepino, e não seria por falta. Mas enfim. Tudo sempre acaba em pizza.
É... Viver é difícil. Mas que fiquemos tranquilos por um lado. Do jeito que vai, essa dificuldade vai passar rapidinho. Mas infelizmente nossa vida também.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Por que não verei o filme do Lula


Para retomar as postagens do blog com força total (e a pedido do Jean):

Lula, o Filho do Brasil, o longa brasileiro mais comentado do ano passado, chegou às telas dia 1º de janeiro, com pretensões de bater todos os recordes de bilheteria no país. Há uma intensa campanha do seu produtor, a raposa velha Luiz Carlos Barreto, para exibir a obra a preços populares (leiam este link, é exemplo de clientelismo puro) e em cidades que não possuem cinemas.

A discussão a respeito do uso político que seria feito de Lula, o Filho do Brasil é muito forte, especialmente sendo 2010 ano eleitoral. Produtor e atores usam extensamente o batido argumento de que "o filme não é político", o que obviamente é uma balela. Não se faz uma obra sobre uma liderança política sem tomar partido, e fosse o filme uma crítica a Lula (o que não é) ou uma elegia (o que é), de qualquer maneira estaria se posicionando contra ou favor de algo.

Então sim, Lula, o Filho do Brasil é político (até porque, como diriam os especialistas, "toda ação humana é política"), e isso se nota tanto na data do seu lançamento quanto na já referida campanha de divulgação para as massas. Há que se ressaltar, claro, que o orçamento de 17 milhões de reais (o maior registrado na nossa cinematografia) foi todo conseguido com patrocínio direto, sem o uso de leis de incentivo à cultura – portanto, sem dinheiro público. Foi uma tentativa de Barreto para diminuir a celeuma negativa em torno da obra.

Mas não é por nenhum destes motivos que eu não pagarei ingresso para ver o filme.

O motivo pelo qual não assistirei à Lula, o Filho do Brasil cabe em duas palavras: Fábio Barreto.

O diretor do filme, filho de Luiz Carlos e que sofreu um grave acidente na semana passada, é um dos piores cineastas nacionais. Ele é nascido numa família que sempre trabalhou com cinema: a mãe, Lucy, também é produtora e o irmão, Bruno Barreto, dirigiu sucessos como Dona Flor e seus Dois Maridos e O Que é isso, Companheiro?. Mas pode ser considerado o seu membro menos talentoso. Enquanto o irmão Bruno tem uma filmografia interessante e até realizações em Hollywood (ainda que fracas), Fábio tem em suas costas uma penca de filmes que transitam entre o ruim e o pavoroso.

É de sua responsabilidade o terrível A Paixão de Jacobina, uma verdadeira aula de como fazer mau cinema, além de outras drogas, como Bela Donna e Índia, a Filha do Sol. Seu único bom filme é o interessante O Quatrilho, e só.

Se Lula, o Filho do Brasil fosse dirigido por um cineasta mais talentoso ou mesmo por um estreante, confesso que as suas intenções políticas seriam o de menos na minha avaliação. Mas pagar para assistir a um filme conduzido por um diretor ruim (ainda mais quando a duração ultrapassa duas horas) não costuma fazer parte dos meus planos de férias.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Tony da Gatorra e a arte do instrumento improvisado

É verão e o Sol Desafinado está em marcha lenta, praticamente em ritmo de férias. Isto porém não quer dizer que os solistas não continuem em suas intermináveis discussões sobre a vida, o universo e tudo mais: na virada do ano, nos encontramos na praia onde os assuntos iam passando por Nikita Khrushchev, Ivan O Terrível, Avatar, Lady Gaga, Glauber Rocha, Samwell (percebam que a função descrita pelo fluxo da conversa é y = -x, onde felizmente x era limitado pelo sono das pessoas ou pelo nascer do sol) e chegou até um peculiar personagem do universo musical gaúcho que ainda não havíamos comentado aqui: Tony da Gatorra.

Para quem não conhece a figura, o seu artigo na Wikipedia dá uma introdução informativa, mas nada dá uma ideia melhor da natureza desse ser do que ser apresentado ao seu maior clássico, "Assassino".

Evidentemente, o que faz Tony se sobressair dos demais hippies malucos que tocam pelas ruas é a gatorra, o instrumento musical que ele inventou. A gatorra é, no fim das contas, uma bateria eletrônica em forma de guitarra de plástico cheia de botõezinhos. Vale notar que qualquer semelhança com um controle de Guitar Hero é mera coincidência: Tony está por aí com sua gatorra desde os anos 90.

Instrumentos malucos, aliás, foi outro tema recorrente no final de semana, com os experimentos do Daniel na recriação artesanal de instrumentos antigos da música folk americana, como o washtub bass, um contrabaixo feito com um balde, e o popular washboard, uma tábua de lavar roupas usada como instrumento de percussão (interessante o foco em itens da lavanderia...). Esta cultura de instrumentos improvisados era muito forte entre os escravos americanos, cuja tradição musical podemos traçar como origem do blues e por consequência do próprio rock and roll.

Não seria Tony da Gatorra então, com seu instrumento de percussão improvisado e suas canções de protesto, um herdeiro legítimo dessa cultura? De certa forma, não seria a gatorra uma espécie de washboard digital?

E finalmente... o Tony da Gatorra não é a cara do ex-guitarrista do Scorpions, Uli Jon Roth? (Aliás, este também adepto dos instrumentos esquisitos.)


(Créditos da montagem ao Daniel, autor da pertinente observação.)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

COP15: o resumo da ópera

Sexta-feira passada acabou o COP15 em Copenhagen. Como era de se esperar, nossos políticos discutiram, discutiram e não concluiram nada.

Primeiro, só foram os representantes dos chefes-de-estado. Como não tinham autonomia para resolver muita coisa, só brigaram e falaram bobagens. As ONGs ficaram de fora da discussão, já que sua presença resultaria em uma pressão dentro da sala de conferência e os representantes mundiais iriam se sentir forçados a fazer algo útil.

Os americanos querem decretar uma política intervencionsta nos países emergentes e acham uma besteira essa coisa de efeito estufa. Os chineses não querem saber de mostrar como são as coisas por lá. Os outros emergentes não aceitam ter seu crescimento econômico capado pelos ricos, maiores responsáveis pelo estado como as coisas estão. Os europeus estão se fazendo de salame, como se não tivessem falando com eles. Os fanfarrões só querem avacalhar o negócio. Nas últimas 48h do evento, os "manda-chuva" chegaram na Dinamarca. Lula e Sarkozy ainda tentaram discutir seriamente a questão. Mas Obama, que está sofrendo uma forte pressão do congresso, recuou e preferiu deixar tudo como está.

No fim um acordo tapa-buraco foi proposto. Os países ricos fariam uma "vaquinha" juntando 100 bilhões de dólares para ajudar os emergentes e pobres na questão ambiental. Porém, não haveria nenhuma ação imediata e objetiva para resolver o problema do efeito estufa. Assim, nenhum acordo foi assinado e nada de muito interessante saiu desta reunião. O Protocolo de Kyoto perde sua validade em 2012. Até o momento não existem mais políticas para melhorar a situação a partir desta data. A ONU mostra mais uma vez ser um fantoche sem poder nenhum para resolver as coisas.